Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Neurocisticercose
FIGURA 11-7
Neurocisticercose A neurocisticercose é uma infecção parasitária do sistema nervoso central
que é adquirida tanto pela ingestão de carne de porco malcozida
contaminada por larvas do cestódeo Taenia solium, como pela via fecal-oral
de ovos do cestódeo, sendo esta resultante da exposição a fezes de
portadores assintomáticos de Taenia. Os embriões no interior dos ovos se
desenvolvem e eclodem no intestino, penetrando na corrente sanguínea. As
fases larvares migram para o sistema nervoso central (SNC). A
manifestação clínica mais comum é a convulsão, e a neurocisticercose é a
causa mais comum de epilepsia adquirida nos países em desenvolvimento.
A apresentação clínica é afetada pelo número e localização dos cisticercos
no parênquima encefálico, cisterna basal ou perimesencefálica, e no espaço
subaracnoide. Os cisticercos também podem estar aderidos ao plexo coroide
ou a parede ventricular. Neste caso, a apresentação pode ser de cefaleia,
sinais de aumento da pressão intracraniana, ou déficits neurológicos focais.
Os cisticercos evoluem por quatro estágios: vesicular, coloidal, granular e
de calcificação. A aparência do cisticerco em exames de tomografia
computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) depende do estágio.
No estágio vesicular, o cisticerco contém uma larva viva e possui a
aparência de uma lesão cística sem realce e sem edema. No estágio
coloidal, a larva está em processo de degeneração, e uma TC demonstra
uma lesão com margem de realce e com edema. Na TC, mas melhor
demonstrado pela RM, os cistos no estágio vesicular e no coloidal contém
larvas vivas e ativas que possuem a aparência de um nódulo, o qual é o
escólex invaginado. No estágio granular, a larva continua a degenerar e o
cisto desenvolve uma margem de realce. Finalmente, uma lesão calcificada
é visualizada na neuroimagem. A evidência de neurocisticercose mais
definitiva na neuroimagem mostra uma lesão cística com o escólex. O
diagnóstico é amparado pelo ensaio de imunoblot que detecta anticorpos
séricos contra cisticercos. Em cada estágio, com exceção do estágio
vesicular, o parasito está em processo de morte. Os pacientes tipicamente se
tornam sintomáticos com convulsão quando o cisto já evoluiu para uma
lesão calcificada, mas este estágio já não requer terapia cisticida. Pacientes
também podem se tornar sintomáticos nos estágios iniciais, quando o
parasito desencadeia uma resposta inflamatória e a lesão se torna
circundada por edema. A decisão de tratar cistos em outros estágios deve
levar em consideração que durante a terapia com agentes cisticidas existe um risco de forte reação inflamatória, com um aumento no edema
encefálico. A prednisona é iniciada antes ou durante a primeira dose de
terapia cisticida e continuada durante o curso do tratamento. A terapia com
fármacos cisticidas parece mais eficaz em pacientes com cisticercos nos
estágios coloidal e vesicular.