Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Outras Neuralgias Cranianas
FIGURA 13-11
Outras Neuralgias Cranianas Neuralgia do glossofaríngeo
Estima-se que a neuralgia do glossofaríngeo seja 70 vezes menos comum
que a neuralgia do trigêmeo. Esta é uma dor intensa, paroxística, lancinante
na distribuição do nervo glossofaríngeo, em geral profundamente na
garganta, atrás da língua e/ou da orelha. Os gatilhos característicos incluem
deglutição, tosse, mastigação, ingerir bebidas frias ou toque na área pré-
auricular. Durante os paroxismos dolorosos, os pacientes podem apresentar
bradicardia e/ou assistolia associada, o que pode resultar em síncope. Cerca
de 8% a 10% dos pacientes apresentam neuralgia do trigêmeo simultânea.
Ressonância magnética (RM), com atenção especial a este nervo, está
indicada para descartar causas secundárias, incluindo vasos sanguíneos
aberrantes, esclerose múltipla ou várias lesões de massa. As terapias
clínicas são semelhantes às empregadas na neuralgia do trigêmeo.
Remissões espontâneas também ocorrem. Indivíduos clinicamente
refratários podem exigir descompressão microvascular ou um procedimento
ablativo, incluindo rizotomia. Na maioria dos casos, uma rizotomia com
divisão cirúrgica do nervo glossofaríngeo e das radículas superiores do
nervo vago fornece alívio.
Neuralgia occipital
Esta é uma dor paroxística e lancinante na distribuição do nervo occipital
maior, menor e/ou terceiro, geralmente começando na parte superior do
pescoço ou na base do crânio e irradiando-se para a parte posterior da
cabeça. A dor em facada, semelhante a um choque elétrico pode ser
provocada por exposição ao frio, toque leve (ou seja, escovar o cabelo ou
movimento da cabeça e pescoço). O exame neurológico pode demonstrar
sensibilidade nervosa local e percussão (sinal de Tinel) pode provocar
paroxismos dolorosos ou parestesias ao longo da distribuição cutânea do
nervo afetado.
O nervo occipital é derivado da segunda raiz cervical (C2) e, portanto, a
dor derivada de C2 será manifestada em uma distribuição semelhante. Do
mesmo modo, patologia articular na base do crânio e a cervical alta pode
produzir dor referida na parte superior do pescoço e posterior da cabeça. Uma RM craniana e/ou coluna cervical focalizando a junção craniocervical
é recomendada.
O bloqueio do nervo occipital com uma mistura de anestésico local e
glicocorticoides geralmente constitui o tratamento de escolha porque pode
ser útil tanto para terapêutica quanto para diagnóstico. Após o bloqueio, a
dor deve melhorar temporariamente, às vezes por semanas ou meses. O
alívio da dor pode ser acompanhado por diminuição temporária da
sensibilidade ou disestesias na distribuição do nervo occipital. O alívio com
um bloqueio occipital deve ser interpretado com cautela porque outras
síndromes de cefaleia primária, como enxaqueca e cefaleia em salvas,
também respondem ao bloqueio do nervo occipital segundo alguns relatos.
Neuralgias cranianas menos comuns
Uma dor de tipo neurálgica pode ter origem em qualquer nervo ou ramo
nervoso na cabeça ou pescoço. Isso inclui outros nervos derivados do plexo
cervical, como o nervo auricular magno, assim como os ramos terminais do
nervo trigêmeo, como, por exemplo, o nervo supraorbital ou infraorbital. A
neuralgia pode se desenvolver espontaneamente ou após um trauma do
nervo. O nervo auricular magno, que transmite a sensação da parte inferior
da orelha e da linha da mandíbula, pode ser lesionado durante
parotidectomia, ritidectomia (lifting facial) ou endarterectomia da carótida.
É importante perguntar sobre sintomas neuropáticos em contraste aos
neurálgicos. Dor persistente ou disfunção sensitiva, ou seja, parestesia,
hipoestesia ou alodínia, sugerem neuropatia com lesão nervosa subjacente.
Se a ressonância magnética (RM) estiver normal, deve ser realizada uma
avaliação da doença do tecido conjuntivo e outras etiologias inflamatórias.
Duas outras situações merecem menção especial. Uma dor facial
unilateral persistente raramente pode ser o sintoma de apresentação do
câncer de pulmão e especula-se que seja decorrente de uma dor referida
devido à compressão ou invasão do nervo vago. Deve-se levantar a suspeita
de malignidade pulmonar em pacientes com história de tabagismo que
relatam nova dor facial unilateral ou quando perda de peso ou tosse
persistente estiver presente. Uma radiografia de tórax ou TC torácica pode
ser diagnóstica.
Neuropatias isoladas do nervo mentual ou alveolar inferior ocorrem em
pacientes com vários cânceres metastáticos, incluindo malignidades
hematológicas, assim como cânceres de pulmão, mamas, próstata e rins. Os
pacientes apresentam dormência do queixo, lábio inferior ou gengiva dos
dentes inferiores, com ou sem dor associada. Esta “síndrome do queixo
dormente” geralmente é consequência de metástases ósseas ou semeadura
nas leptomeninges, mas pode se manifestar sem uma causa óbvia.
FIGURA 13-12