Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Hipotensão Intracraniana/Cefaleia por Baixa Pressão do Líquido Cefalorraquiano

Hipotensão Intracraniana/Cefaleia por Baixa

 

Pressão do Líquido Cefalorraquiano

A cefaleia ortostática, uma dor de cabeça que ocorre na posição ereta e é

aliviada no decúbito, é a marca registrada da cefaleia por baixa pressão do

líquido cefalorraquiano (LCR). Tipicamente bilaterais, estas cefaleias

podem ser pulsáteis ou constantes e geralmente são agravadas por esforço,

ao abaixar-se ou com manobras de Valsalva. Elas podem ser acompanhadas

por uma variedade de sintomas, incluindo dor ou rigidez do pescoço,

náuseas e fotofobia. Alterações da audição associadas, como “audição

abafada”, tinidos ou hiperacusia, geralmente estão presentes. Tonturas,

borramento visual, diplopia (paralisia do sexto nervo), sintomas radiculares

no braço e, raramente, dormência facial também podem ocorrer. As

cefaleias podem ser diárias (geralmente no fim do dia) ou intermitentes.

Também podem estar presentes em uma apresentação aguda em trovoada,

mimetizando a hemorragia subaracnóidea.

A diminuição da pressão ou do volume do LCR pode estar relacionada

com hipovolemia, derivação excessiva de LCR ou um vazamento de LCR.

Quando o paciente está em posição vertical, ocorre tração das estruturas de

ancoragem sensíveis à dor do encéfalo, com descida ou “pendulação” do

encéfalo na abóbada craniana. Acredita-se que os sintomas de localização

dos nervos cranianos e do tronco encefálico sejam decorrentes de tração ou

compressão destas estruturas, embora as alterações auditivas possam estar

relacionadas com a alteração da pressão no sistema perilinfático da orelha

interna. Vazamentos de LCR podem ocorrer após qualquer trauma nas

meninges, incluindo uma punção lombar, injeção epidural ou cirurgia da

coluna. Também podem ocorrer espontaneamente por meio de vazamentos

de divertículos meníngeos ou fraqueza da dura-máter, como pode ser

observado em distúrbios do tecido conjuntivo. Quando o vazamento de

LCR é identificado, na maioria das vezes ele ocorre no nível da medula

espinal, mas raramente vazamentos intracranianos podem ocorrer por

defeitos da lâmina cribiforme ou seios. Estes pacientes podem apresentar

drenagem nasal clara, indicativa de rinorreia do LCR.

Pacientes com uma cefaleia ortostática devem ser avaliados por

ressonância magnética (RM) do encéfalo com contraste, procurando contraste paquimeníngeo difuso, descida das tonsilas do cerebelo

(mimetizando malformação de Chiari I), ocupação da fossa posterior,

diminuição do tamanho do ventrículo, descida do quiasma óptico, redução

do espaço pré-pontino, aumento da hipófise, ingurgitamento dos seios

venosos encefálicos e coleções de líquidos subdurais. Uma RM encefálica

normal não descarta cefaleia por baixa pressão de LCR e pode ser normal

em um terço dos casos. Se a história clínica for sugestiva, outros testes

podem ser úteis para identificar a presença de um vazamento de LCR. A

cisternografia por radioisótopos envolve a injeção de um radionuclídeo no

LCR e o monitoramento da velocidade com que ele sobe e se difunde ao

redor do encéfalo. Um vazamento de LCR pode ser demonstrado

diretamente pelo acúmulo do marcador radioativo no espaço extra-

aracnóideo ou indiretamente por demora na subida do marcador radioativo

até as convexidades cerebrais. Se houver suspeita de rinorreia por LCR,

compressas nasais são colocadas com a cisternografia para determinar se há

radioatividade nas secreções nasais. Beta-2 transferrina, que está presente

no LCR, pode ser detectada na rinorreia por LCR. A punção lombar pode

não ser necessária para o diagnóstico de cefaleia por baixa pressão. Quando

realizada, pode revelar uma pressão de abertura anormal a baixa (menos de

60 mm H O) e proteína normal a elevada no LCR. Pleocitose leve 2

(leucócitos de 10 a 50) também pode ocorrer.

A maioria das cefaleias decorrentes de baixa pressão de LCR é

autolimitada. Medidas conservadoras, como repouso no leito, cafeína e

aumento da ingestão de líquidos, são preconizadas como tratamentos de

primeira linha. Uma cefaleia persistente pode exigir um tampão sanguíneo

epidural. Se o local do vazamento for conhecido, o tampão sanguíneo pode

ser relativamente direcionado para este ponto. Em vazamentos espontâneos

do LCR, uma RM da coluna pode demonstrar coleções líquidas fora do

espaço aracnóideo, ingurgitamento do plexo venoso epidural ou divertículos

das meninges. A presença de divertículos meníngeos obviamente não

garante que este seja o local de vazamento do LCR. O método mais

confiável para detectar o local real do vazamento consiste em identificar o

extravasamento de LCR nos tecidos moles paraespinais, observado mais

facilmente em um mielograma por tomografia computadorizada (TC). Quando medidas mais conservadoras falharem, uma intervenção cirúrgica

pode ser considerada.