Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Tratamento da Enxaqueca

nervos cranianos afetados, sugerindo que a condição possa representar uma

neuropatia desmielinizante recorrente.

 

FIGURA 13-5

 

Tratamento da Enxaqueca

O tratamento clínico da enxaqueca envolve dois tipos de terapia:

tratamentos agudos ou abortivos, realizados no momento de um ataque para

detê-lo, e tratamentos profiláticos usados em base diária para diminuir a

intensidade e a frequência das cefaleias de enxaqueca.

Quando os ataques de enxaqueca ocorrem com pouca frequência (três

dias ou menos por mês) e não estão associados a sintomas neurológicos

prolongados, os tratamentos abortivos provavelmente são suficientes.

Contudo, o tratamento profilático diário deve ser considerado se (1) as

cefaleias geralmente forem incapacitantes para um paciente durante quatro

ou mais dias por mês, (2) a intensidade dos ataques, ou mesmo o medo de

um ataque, afetar negativamente a capacidade de um paciente realizar as

atividades normais da vida diária entre os ataques, (3) as cefaleias estiverem

associadas a déficits neurológicos que persistam além da duração da fase de cefaleia do ataque, (4) houver uma história de infarto encefálico associado a

enxaqueca ou (5) o paciente obtiver apenas um alívio incompleto em todos

os tratamentos abortivos tolerados.

A base do tratamento agudo da enxaqueca consiste em medicamentos

anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), como naproxeno sódico ou

cetoprofeno e agonistas da serotonina, incluindo o derivado ergotamínico,

di-hidroergotamina (DHE) e os agonistas de serotonina seletivos 5-

hidroxitriptamina (5-HT) 1B e 5-HT 1D, as chamadas medicações

“triptanas” (sumatriptana, zolmitriptana, naratriptana, rizatriptana,

almotriptana, eletriptana e frovatriptana). DHE está disponível em

formulações intravenosas e intranasais. As “triptanas” estão disponíveis em

formulações injetáveis subcutâneas, orais e intranasais. A via de

administração preferível pode variar de um paciente para outro ou pode

variar com base nas características de um determinado ataque.

Por exemplo, ataques que despertem o paciente do sono em um estágio

totalmente desenvolvido ou que progridam muito rapidamente podem exigir

uma injeção subcutânea. Ataques que comecem enquanto o paciente está

acordado e aumentem gradualmente de intensidade podem responder bem a

uma formulação oral. Um AINE combinado a uma triptana pode fornecer

melhor alívio que uma triptana isolada.

A adição de um antiemético, como proclorperazina ou prometazina, pode

aumentar ainda mais a eficácia do tratamento agudo. Embora o uso de

medicações analgésicas inespecíficas contendo opiáceos ou butalbital

algumas vezes seja necessário em pacientes com contraindicações

conhecidas ao uso de AINES ou agonistas de serotonina, cautela é

aconselhada. O uso destas medicações mais de dois dias por semana pode

contribuir para um aumento da frequência e intensidade das cefaleias ao

longo do tempo.

Quando um tratamento profilático ou preventivo for necessário, como

indicado anteriormente, vários princípios gerais devem ser lembrados. Para

minimizar os efeitos colaterais, as medicações profiláticas devem ser

introduzidas em baixa dose e aumentadas gradualmente durante um período

de algumas semanas até a dose terapêutica pretendida. Quando a dose

terapêutica for atingida, o paciente precisará continuar com a medicação

durante pelo menos 4 a 6 semanas adicionais para avaliar a eficácia de

modo confiável. A descontinuação precoce pode privar o paciente de uma terapia potencialmente efetiva. Se os medicamentos não forem

completamente efetivos, mas forem bem tolerados como monoterapias,

então a combinação de dois agentes, um de cada classe diferente, pode ser

tentada, apesar do maior risco de efeitos colaterais. Infelizmente, não foi

examinado completamente de um modo prospectivo e baseado em

evidências se um benefício adicional é obtido com o uso de terapia

combinada. Para que seja considerado efetivo, o tratamento profilático deve

reduzir o número de dias de cefaleia por mês em pelo menos 50%.

O tratamento preventivo da enxaqueca é baseado em pelo menos seis

classes de medicação, incluindo bloqueadores beta-adrenérgicos (atenolol,

metoprolol, nadolol, propranolol e timolol), antidepressivos tricíclicos

(amitriptilina ou nortriptilina), AINEs (naproxeno sódico), bloqueadores do

canal de cálcio (verapamil), anticonvulsivantes (divalproato sódico,

topiramato e gabapentina) e suplementos nutricionais (riboflavina,

camomila [matricária] e petasite [butterbur]). Recentemente, a injeção de

toxina botulínica A representa uma estratégia profilática eficaz para

enxaqueca em pacientes com cefaleia enxaquecosas crônicas em mais de 15

dias por mês. Pacientes individuais podem perceber que um agente

preventivo é mais eficaz que outro. Infelizmente, no momento, não existe

um método para a seleção dos medicamentos além da tentativa e erro. Para

alguns indivíduos, tratamentos não farmacológicos, como terapia cognitiva-

comportamental e biofeedback, também desempenham um papel importante

no tratamento da enxaqueca.