Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Hematoma Epidural Agudo

FIGURA 14-10

 

Hematoma Epidural Agudo A incidência geral do hematoma epidural agudo (HED) após traumatismo

cefálico corresponde a aproximadamente 5%, mas chega a 10% em

pacientes que apresentam coma. HEDs quase sempre têm natureza

traumática. Há relatos raros de ocorrência espontânea em associação a

anticoagulação ou trombocitopenia. A apresentação clínica clássica consiste

em perda de consciência, que é seguida por um intervalo de lucidez e então

por cefaleia cada vez mais intensa e diminuição do nível de consciência.

Contudo, a maioria dos HEDs resulta de colisões automobilísticas e mais de

60% dos pacientes estão inconscientes na cena ou quando chegam ao

hospital.

A tomografia computadorizada mostra uma hiperdensidade oval ou

“lentiforme” de tamanho variável entre o osso e a dura-máter.

A localização clínica mais comum de um HED é a fossa temporal,

tipicamente em associação a uma fratura do osso temporal que lacera a

artéria meníngea média e provoca sangramento arterial. Isso pode promover

a conhecida síndrome de herniação transtentorial. Quando o lobo temporal

ipsilateral é forçado medialmente, o terceiro nervo é aprisionado contra o

tronco encefálico, resultando em dilatação da pupila ipsilateral. Conforme o

aumento da pressão se desenvolve, a artéria cerebral posterior ipsilateral

pode ficar tão comprimida que resulta em um AVE do lobo occipital, que

tipicamente é observado na TC um ou dois dias após o evento. Com o maior

desvio do encéfalo para o lado oposto, o tronco encefálico é comprimido e

o pedúnculo encefálico é forçado para a borda do tentório, criando o

chamado fenômeno de Kernohan e produzindo hemiparesia ipsilateral à

pupila dilatada. Se uma compressão intensa continuar por muito tempo,

hemorragias de Duret ocorrem no tronco encefálico devido à compressão

ou laceração das pequenas artérias perfurantes originadas da artéria basilar.

Estas hemorragias podem ser observadas na ressonância magnética (RM) e

pressagiam um prognóstico desfavorável.

Hematomas epidurais venosos também podem ocorrer e são mais comuns

na fossa posterior em crianças.

A seguir são apresentadas as diretrizes recém-publicadas pela Brain

Trauma Foundation (New York) para o tratamento do HED:

• Um HED de mais de 30 cm3 deve ser evacuado por cirurgia,

independentemente da pontuação do paciente na Escala de Coma de

Glasgow (GCS).

• Um HED de menos de 30 cm3, com espessura inferior a 15 mm e com

um desvio da linha média de menos de 5 mm em pacientes com GCS

acima de 8 sem déficits neurológicos focais pode ser tratado de modo

conservador, com TCs seriadas e observação neurológica atenta em um

centro neurocirúrgico.

• Recomenda-se veementemente que pacientes com HED agudo em coma

(GCS < 9) com anisocoria sejam submetidos à evacuação cirúrgica

assim que possível.

Em uma situação de urgência real, quando, por exemplo, o clima ou a

distância impeçam que o paciente seja levado a um centro com

possibilidade de neurocirurgia, uma trepanação pode liberar sangue

suficiente para salvar a vida. O tratamento definitivo consiste na evacuação

por um grande retalho ósseo para trauma. Um ponto de sangramento ativo

virtualmente é quase sempre encontrado na dura-máter. Algumas vezes,

pode ser observado um sangramento originado de baixo do lobo temporal e

será encontrada uma artéria meníngea média lacerada na região do forame

espinhoso ou em seu interior. Com um tratamento rápido e agressivo, a

mortalidade em todas as faixas etárias e todas as pontuações da GCS é

inferior a 10%.