Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Complexo amigdaloide

FIGURA 2-11

 

Complexo amigdaloide A amígdala é um complexo em forma de amêndoa localizado no lobo

temporal medial e contém aproximadamente 13 núcleos. As três principais

regiões são os núcleos corticomediais, núcleos basolaterais (ambos recebem

aferências e projetam axônios para estruturas-alvo) e núcleo central (que

fornece projeções eferentes, principalmente para o tronco encefálico). As

conexões aferentes para a amígdala originam-se das áreas cortical e

talâmica, e das áreas hipotalâmicas e do tronco encefálico. Sua função é

fornecer relevância emocional para as informações sensitivas externas e

internas e produzir uma resposta comportamental e emocional,

particularmente uma resposta temerosa e aversiva às informações

sensitivas.

A maioria das informações aferentes surge das projeções glutamatérgicas

que se originam dos neurônios piramidais na V camada do córtex. Essas

projeções deslocam-se, em grande parte, ipisilateralmente via cápsula

extrema. As informações das áreas de associação sensitiva e estruturas

relacionadas com a memória, como o hipocampo, são retransmitidas pela

entrada de dados corticais e talâmicos. Informações autonômicas e

comportamentais originam-se do hipotálamo e tronco cerebral.

Os aferentes para os núcleos corticomediais surgem primariamente das

fontes límbicas subcorticais, incluindo o bulbo olfatório, núcleos septais e

núcleos hipiotalâmicos (ventromedial [VM], área hipotalâmica lateral

[AHL]); o tálamo (núcleos intralaminares); estria terminal e excessivo

número de núcleos autonômicos e núcleos monoamínicos do tronco

encefálico. Os aferentes para os núcleos basolaterais chegam

principalmente das áreas corticais, incluindo extensos córtices de

associação, o córtex pré-frontal, o giro do cíngulo e o subículo.

No final da década de 1930, Kluver e Bucy descreveram uma síndrome

comportamental caracterizada por hipersexualidade, hiperoralidade,

exploração excessiva dos estímulos visuais (hipermetamorfose), agnosia

visual, apatia e afastamento social. Eles vincularam esse comportamento a

lesões amigdalianas complexas e bilaterais. Essa síndrome é descrita em

pacientes com doenças neurodegenerativas, como doença de Alzheimer e

até demência frontotemporal. Como a amígdala processa informações

sensitivas para relevância emocional, não surpreende que respostas

emocionais atípicas, como ira, comportamento agressivo e até apatia,

possam se desenvolver nesses pacientes. O dano à conectividade hipotalâmica da amígdala é responsável por hiperfagia, hipersexualidade e

comer demais/obesidade. Igualmente, as alterações das projeções aferentes

corticais de associação visual resultam em hipermetamorfose e agnosia

visual (os pacientes não podem reconhecer expressões faciais que indicam

medo).

FIGURA 2-12