Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Distúrbios Respiratórios do Sono

FIGURA 5-23

 

Distúrbios Respiratórios do Sono Distúrbios respiratórios do sono incluem uma variedade de distúrbios, indo

de ronco a total interrupção do fluxo respiratório, ou apneia durante o sono.

Apneia obstrutiva do sono ocorre quando o relaxamento da língua e

músculos da via respiratória leva ao colapso da via, resultando no ronco,

redução do fluxo do ar (hipoapneia), ou até o bloqueio total do fluxo

respiratório (apneia). Pacientes com apneia central do sono têm controle da

respiração reduzido durante o sono (apneia central do sono). Apneia central

do sono pode ocorrer como um problema congênito em crianças, podendo

ser causada por uma mutação no gene Phox 2b, que é necessário para o

desenvolvimento dos neurônios quimiorreceptores de CO no bulbo. 2

Entretanto, também pode ser causado por danos no bulbo ou medula espinal

gerando uma falha na respiração durante o sono (“maldição de Ondine”).

Apneia central do sono é vista frequentemente em adultos mais velhos que

desenvolveram insuficiência cardíaca congestiva ou doença respiratória

(causando o aumento e diminuição da respiração de Cheyne-Stokes durante

o sono). Em muitos pacientes adultos mais velhos, uma combinação de

apneia central e obstrutiva do sono pode ser vista, sendo algumas vezes

chamada de distúrbio respiratório complexo do sono. O paciente típico com

apneia obstrutiva do sono desperta após um breve intervalo tentando

respirar, a via respiratória se abre, e a respiração é retomada. Esse ciclo

pode se repetir a noite toda de poucos em poucos minutos. Os pacientes

geralmente não sabem que despertaram, mas geralmente se sentem

sonolentos durante o dia. Algumas vezes o paciente reclama de dores, perda

da memória ou função cognitiva, que pode ser elevada pela perda de sono.

Frequentemente o parceiro perceberá primeiro que algo está errado quando

o som do ronco se torna intolerável, ou nota a perda periódica da respiração.

Os episódios de apneia geralmente aumentam de frequência quando o

paciente ingere bebidas alcoólicas ou dorme de costas. Apneia obstrutiva do

sono é mais comum entre indivíduos idosos, homens e naqueles com

obesidade e grandes tamanhos de colarinho, porém isso também é

observado em mulheres, crianças e adultos jovens que tiveram o aumento

das tonsilas e adenoides, anomalias da estrutura craniofacial que

comprometem o diâmetro da via respiratória, ou distúrbios neuromusculares

que provocam a flacidez dos músculos da via respiratória.

 

Apresentação Clínica Ronco pronunciado, um indicador clássico de possível apneia do sono, está

relacionado com vibrações no tecido superior da via respiratória. A apneia

ocorre quando a obstrução da via respiratória superior se torna completa.

Ocorre uma diminuição da saturação de oxigênio sanguíneo como aumento

dos níveis de dióxido de carbono correspondentes levando ao despertar do

sono. O paciente geralmente não está ciente desses eventos; entretanto, o

parceiro é acordado e, compreensivelmente, é assustado pela pausa na

respiração do paciente. Paradoxalmente, a maioria dos pacientes com

apneia obstrutiva do sono não relata falta de ar ou ofegância, e desconhece

sua apneia. Embora eles possam sentir que dormiram bem, exibem sono

diurno excessivo, que resulta em lapsos de atenção e caem no sono

inapropriadamente. Disparidade da função cognitiva pode imitar depressão

ou demência, e crianças com distúrbios respiratórios do sono apresentam

problemas com o controle da atenção e comportamental, que pode

atrapalhar o andamento escolar. Casos graves (>30 episódios por hora) e

possivelmente aqueles com graus moderados de apneia (15 a 29 episódios

por hora) estão sob risco elevado de distúrbios cardiovasculares, incluindo

hipertensão, infarto do miocárdio, arritmias cardíacas e derrame. A

hipertensão pode se desenvolver de níveis elevados de catecolaminas

gerados por apneias. Além disso, a pressão intratorácica negativa causada

pelo esforço em respirar, pode levar ao aumento da secreção de aldosterona,

promovendo o aumento do volume do fluido intravascular. A pressão

venosa central elevada pareada com o aumento da pressão intratorácica

negativa aumentando a força transmural afetando o coração, que produz

remodelagem cardiovascular e alteração da fisiologia cardiopulmonar.

Perda de sono também provoca resistência a insulina, que pode predispor ao

diabetes e aumentar a massa corpórea, que futuramente agrava a apneia do

sono e hipertensão.

 

Diagnóstico e Tratamento

Um estudo do sono que acompanha toda a noite é a melhor maneira de

detectar e quantificar os eventos de apneia. Adultos saudáveis podem sofrer

quatro apneias por hora de sono à noite; em crianças mais de 1,5

evento/hora é considerado anormal. O tratamento de apneia obstrutiva do

sono começa com a correção de anormalidades anatômicas da via respiratória, incluindo remoção de adenoides e tonsilas aumentadas em

crianças. Redução de fatores de risco, como obesidade e ingestão de álcool

à noite, podem ajudar. Se não houver a cura, pressão positiva contínua das

vias respiratórias (CPAP), que usa pressão do ar para forçar a abertura da

via respiratória durante o sono, previne a apneia e reduz a sonolência diurna

e o risco cardiovascular. Pacientes com apneia do sono grave e moderada

são significativamente beneficiados com o uso da CPAP, melhorando a

excitação noturna e o risco cardiovascular. Geralmente, os pacientes

tratados relatam que não percebiam como eram sonolentos até experimentar

os resultados do tratamento.