Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Outras Questões de Reabilitação: Disfagia/ Treino de Marcha/ Síndrome do Encarceramento

Outras Questões de Reabilitação: Disfagia/

 

Treino de Marcha/ Síndrome do

 

Encarceramento

 

Disfagia

A maioria dos pacientes com AVE tem disfagia, tipicamente nas fases de

engolir orais e faríngeas. Estes sintomas podem estar relacionados

variadamente a infartos de áreas anatômicas diferentes, predominantemente

do tronco encefálico e, por vezes, córtex ou cápsula interna. Sintomas

relacionados com (1) manipulação ruim de alimentos no interior da boca

incluindo na propulsão do bolo em direção à orofaringe; (2) movimento

incompleto do bolo através da faringe; (3) fechamento da epiglote-laringe

ruim; (4) dificuldade de fechamento das cordas vocais, aumenta o risco de

aspiração. O diagnóstico e a definição dos tipos de disfagia são avaliados

por um fonoaudiólogo clínico. Algumas vezes, estudos suplementares são

úteis: estudo videofluoroscópico com bário ou teste de deglutição com

avaliação endoscópica.

O manejo terapêutico da disfagia é multidimensional, incluindo a ênfase

na higiene oral. Exercícios de amplitude de movimento, força e

coordenação motoras orais, incluindo lábios, língua, mandíbula, músculos

respiratórios e adução da corda vocal, são realizados 5 a 10 vezes por dia.

Estratégias compensatórias incluem rotação da cabeça para o lado mais

fraco, colocar o queixo para dentro enquanto engole, e engolir seco entre o

bolo alimentar para reduzir o risco de aspiração. Estes programas são

iniciados tão logo quanto o paciente esteja alerta o suficiente para

compreender as instruções. Modernos protocolos terapêuticos para AVE

enfatizam estas modalidades para evitar pneumonias por aspiração, que

prolongam a hospitalização, muitas vezes necessitando de cuidado intensivo

e aumentando as fatalidades.

 

Transtornos da marcha

As abordagens terapêuticas para os pacientes com distúrbios da macha após

um AVE focam inicialmente na estabilização muscular proximal, muitas vezes usando técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptiva para

recuperar o melhor controle da extremidade distal. A terapia pode usar

feedback verbal ou visual para posicionamento mais simétrico dos pés, com

uma base de apoio mais estreita e uso de uma abordagem passo a passo para

melhorar o equilíbrio e a estabilidade da marcha, trabalhando em turnos,

andando para trás e para os lados, passos para cima ou para baixo e usando

obstáculos externos progressivos. Estratégias como o uso de andadores para

mais apoio externo e uso de pesos nos tornozelos para melhorar o feedback

proprioceptivo têm também sido utilizadas com algum sucesso em

pacientes com marcha atáxica.

O treino de marcha deve ser iniciado quando o paciente tem controle

postural suficiente para manter uma postura em posição vertical. Barras

paralelas e a assistência de um ou mais terapeutas pode ser necessária nos

estágios iniciais. Órteses de tornozelo e pé (AFO) apoiam os músculos

paréticos e proporcionam estabilidade para as articulações de joelho e

tornozelo de pacientes com hemiplegia durante a transferência e o treino de

marcha. Novas tecnologias que permitem que os pacientes comecem o

treino de marcha mais cedo e facilitam a recuperação motora incluem

dispositivos robóticos e órteses de estimulação funcional elétrica para

descarga parcial de peso na extremidade inferior.

O treino de marcha em pacientes com hemiplegia concentra o tratamento

sobre as partes componentes do ciclo da marcha. O paciente inicia a marcha

deslocando o peso em direção à perna mais forte, a fim de tirar o peso da

perna parética. O paciente é então instruído a flexionar o quadril acometido,

minimizando a rotação externa e usando a inércia da perna para balançá-la

em direção para uma posição ligeiramente anterior e lateral, idealmente

fazendo contato no calcanhar em vez de no antepé. A liberação do artelho e

o choque do calcanhar durante a fase de apoio da marcha são normalmente

auxiliados por uma órtese que auxilia na dorsiflexão. É dito então ao

paciente que contraia o quadríceps e os glúteos no lado parético, antes de

mudar o seu peso para o lado parético, com o objetivo de diminuir o peso e

avançar com a perna mais forte. O treino de marcha hemiparética mais

avançado se concentra em melhorar a simetria da marcha trabalhando na

flexão do quadril, na mudança da descarga de peso, duração do apoio,

posicionamento dos pés e oscilação do braço. No entanto, os pacientes

muitas vezes necessitam de outras intervenções, incluindo meios farmacológicos, tais como Botox ou Baclofen (agonista do ácido γ-

aminobutírico [GABA]) para controle do tônus, para impactar

significativamente a qualidade da marcha.

 

Síndrome do encarceramento

Pacientes com síndrome do encarceramento resultante de trombose basilar

(Fig. 9-21) se beneficiam de reabilitação intensiva. Embora a maioria dos

pacientes permaneça “encarcerada”, alguns pacientes podem recuperar a

função motora ao longo do tempo, ocorrendo até um ano pós-AVE. As áreas

de atuação são a terapia para disfagia, comunicação, função respiratória,

treino para sentar, mobilidade e quando possível, atividades de vida diária.

Dispositivos de aumento da comunicação desencadeados por interruptores

sensíveis ou sistemas de rastreamento ocular podem permitir que os

indivíduos se comuniquem, controlem seu ambiente e usem entretenimento

baseado no computador.

 

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