Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Hemorragia intracraniana no recém-nascido

FIGURA 1-12

 

Hemorragia intracraniana no recém-nascido

A hemorragia intracraniana no recém-nascido é classificada pela

localização e em ordem de frequência como (1) hemorragia periventricular-

intraventricular, (2) subaracnóidea, (3) subdural, ou (4) da fossa posterior.

Todos os recém-nascidos devem ser cuidadosamente acompanhados para

detecção de anemia sintomática.

A hemorragia periventricular-intraventricular (HIV) origina-se na

matriz germinal próxima aos ventrículos e é observada tipicamente em

bebês nascidos pré-termo antes de 34 semanas de gestação (Fig. 1-12). Em

bebês pré-termo, a friabilidade inerente da matriz germinal muitas vezes é

complicada por comprometimento cardiopulmonar durante o nascimento e

por estresses fisiológicos dos ajustes ao ambiente extrauterino no início do período neonatal. O sangramento maciço, atualmente bastante raro,

precipita uma fontanela proeminente, dificuldades respiratórias, postura

tônica, convulsões, anemia e, por fim, falência de múltiplos sistemas. É

mais comum atualmente um sangramento menor, detectado por

ultrassonografias em série. Alguns bebês pré-termo desenvolverão

ventriculomegalia sem crescimento craniano ou pressão intracraniana

elevada, compatível com hidrocefalia ex vacuo da encefalomalácia.

Aproximadamente 15% dos bebês pré-termo com hemorragia

intraventricular necessitarão de intervenção cirúrgica para hidrocefalia

sintomática. Déficits neurológicos a longo prazo são comuns em bebês pré-

termo com hemorragia intraventricular, incluindo paralisia cerebral,

epilepsia, retardo cognitivo e anormalidades comportamentais. Em bebês a

termo completo, a hemorragia intraventricular ocorre tipicamente

secundária a trombose venosa central e aproximadamente metade deles

desenvolverá hidrocefalia precocemente ou tardiamente. Bebês a termo com

hemorragia intraventricular também são propensos a déficits neurológicos

crônicos, incluindo epilepsia, retardo cognitivo e anormalidades

comportamentais.

A hemorragia subaracnóidea pode ser causada por asfixia ou forças do

parto normal. Em bebês a termo completo, ela pode ser assintomática ou

estar associada a crises convulsivas focais ou generalizadas, sem déficits

focais. A hemorragia subdural resulta de lacerações na foice cerebral e

tentório, de ruptura de veias pontes sobre os hemisférios ou osteodiástase

occipital no parto com a apresentação de nádegas. As causas incluem forças

de moldagem durante o parto, tamanho do bebê e dificuldades de extração.

Os sintomas são hemiparesia aguda ou subaguda, convulsões focais e

anormalidades pupilares ipsilaterais. A drenagem cirúrgica é o tratamento

apropriado em casos selecionados. Raramente a ultrassonografia craniana

dá informações adequadas, sendo necessária a rápida obtenção de imagens

por tomografia computadorizada (TC) ou RM para as decisões do

tratamento.

A hemorragia da fossa posterior pode resultar de trauma tentorial ou

osteodiástase occipital. É necessária a obtenção de imagens de TC ou RM

para as decisões de tratamento; a ultrassonografia craniana não fornece

imagens adequadas para avaliar o efeito de massa do hematoma. A

drenagem cirúrgica raramente é indicada.

FIGURA 1-13