Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Disfunção cortical superior do hemisfério não dominante
Disfunção cortical superior do hemisfério
não dominante
Quando se trata de déficits lateralizados induzidos por acidente vascular
encefálico, os pacientes com hemiplegia do lado esquerdo, causada por
dano ao hemisfério cerebral direito não dominante, geralmente não se
recuperam tão bem quanto os pacientes com lesões semelhantes no
hemisfério esquerdo, mesmo não sendo afásicos. O retorno ao local de
trabalho e à participação doméstica e familiar anterior ocorre com menos
frequência após um acidente vascular encefálico que provoca hemiplegia do
lado esquerdo. Embora os distúrbios da função cortical superior e de
comportamento em pacientes com doença do hemisfério direito sejam mais
sutis, são da mesma forma ou mais incapacitantes funcionalmente do que a
afasia mais evidente causada por doença do hemisfério esquerdo. Os
déficits na doença do hemisfério direito incluem o que segue.
Dispraxia Construcional
O hemisfério encefálico direito, especialmente seu lobo parietal inferior, é
especializado em funções visuoespaciais. As lesões parietais comprometem
a capacidade do paciente para desenhar e copiar figuras e diagramas,
reproduzir desenhos ou figuras em bloco com palitos ou abaixador de
língua, ler um mapa e seguir ou dar orientações para um determinado
destino. Os desenhos espontâneos são complexos e contêm todos os
detalhes apropriados, mas proporções, ângulos e relações entre figuras são
imprecisos, e a metade esquerda do desenho geralmente é omitida ou
minimizada. Copiar uma figura não melhora significativamente o
desempenho.
Negligência Espacial Unilateral
Os pacientes com lesões do hemisfério direito, especialmente as que
envolvem o lobo frontal ou parietal ou tálamo, em geral negligenciam
objetos, pessoas ou sons ao seu lado esquerdo. Além disso, podem não se
vestir adequadamente do lado esquerdo do corpo. Quando solicitados a ler
um cabeçalho ou um parágrafo, ou a examinar uma figura, eles não
percebem palavras ou objetos à esquerda. Quando instruídos a dividir em duas partes todas as linhas em um pedaço de papel, os pacientes com dano
no hemisfério direito em geral dividem o lado direito da linha e não
conseguem cruzar linhas do lado esquerdo da página.
É incomum a negligência espacial do lado direito após dano no
hemisfério esquerdo.
Anosognosia e Respostas Emocionais Embotadas
Os pacientes com dano no hemisfério direito não conseguem reconhecer ou
identificar uma hemiplegia evidente do lado esquerdo.
Não apenas negam verbalmente a fraqueza ou não conseguem localizá-la
em um lado, mas podem cair quando tentam andar. Além disso, até quando
admitem o déficit, esses pacientes parecem não estar preocupados ou
desconfortáveis de modo relevante e normalmente não estão desestimulados
em relação ao seu futuro incerto.
Os testes em pacientes com lesões de hemisfério direito também mostram
que eles têm dificuldade em perceber o tom, o humor e o conteúdo
emocional das expressões faciais ou a linguagem falada, além de perder as
dicas que não venham da linguagem. Também podem ser incapazes de usar
a própria voz ou o rosto quando em um determinado humor. A apatia e o
reconhecimento embotado, bem como a transmissão de um tom emocional,
podem dificultar a reabilitação e a retomada de uma vida ativa orientada aos
objetivos.
Impersistência
Alguns pacientes com dano no hemisfério encefálico não dominante são
incapazes de perseverar em uma determinada tarefa. Um comando que é
seguido rapidamente, da mesma forma é esquecido. Quando solicitado a
manter os olhos fechados, por exemplo, ou a fazer uma cruz sobre todas as
letras “A” em uma página, eles começam a tarefa corretamente mas logo a
abandonam. Questões são frequentemente respondidas antes que a pergunta
esteja completa. O comportamento impulsivo, com pouca premeditação e
perseverança, também é funcionalmente incapacitante.
Outras Disfunções O dano ao hemisfério encefálico direito também pode afetar a capacidade
de perceber ritmo, timbre ou tonalidade, ou ler, escrever ou reproduzir
música. Alguns pacientes têm dificuldade em reconhecer rostos familiares
(prosopagnosia) e podem ser incapazes de visualizar de memória a
aparência de um objeto ou uma pessoa. Perda da lembrança de lugares,
erros de localização ou de distância referentes a edifícios ou pontos de
referência geográfica podem também ocorrer.