Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Ossos, Marcas e Orifícios da Base do Crânio

FIGURA 14-6

 

Ossos, Marcas e Orifícios da Base do Crânio A superfície interna da base do crânio adaptou seu formato à configuração

das partes adjacentes do encéfalo. Ela consiste em três fossas do crânio, a

anterior, a média e a posterior, que são separadas por cristas evidentes e

aumentam de tamanho e profundidade da região frontal para trás.

A fossa anterior do crânio é a mais rasa das três fossas e abriga as partes

mais baixas dos lobos frontais do encéfalo. Os sulcos e giros dos lobos são

espelhados nas irregularidades das superfícies ósseas. Ela é limitada

anterior e lateralmente pelo osso frontal. Em cada lado, o assoalho é

formado pela lâmina orbital do osso frontal, discretamente cupuliforme e

enrugada, que sustenta a superfície orbital do lobo frontal do encéfalo

homolateral e suas meninges, separando-as da órbita. As extensões

posteriores dos seios frontais podem expandir as lâminas orbitais por

distâncias variáveis e as partes mediais destas lâminas ficam acima dos

labirintos etmoidais.

Em cada lado da crista etmoidal na linha média estão as lâminas

cribiformes do etmoide que ajudam a formar o teto da cavidade nasal,

abrigam os bulbos olfatórios e fornecem inúmeros orifícios para os

delicados nervos olfatórios. Existe uma pequena depressão entre a crista

frontal e a crista etmoidal, o forame cego, que ocasionalmente transporta

uma pequena veia do nariz até o seio sagital superior. A crista etmoidal e a

crista frontal fornecem pontos de fixação para a extremidade anterior da

foice do encéfalo.

Posteriormente aos ossos etmoide e frontal, o assoalho da fossa anterior

do crânio é formado pela parte anterior do corpo do osso esfenoide, o jugo

esfenoidal, e, em cada lado, pelas asas menores desse osso. Estas asas

menores ficam discretamente sobrepostas à parte anterior da fossa média do

crânio e projetam-se para os troncos dos sulcos laterais do encéfalo,

formando assim os limites superiores das fissuras orbitais superiores.

As extremidades mediais das bordas posteriores das asas menores

terminam em pequenas projeções arredondadas, os processos clinoides

anteriores, que fornecem pontos de fixação para as extremidades anteriores

da borda livre do tentório do cerebelo. Cada processo anterior tem um sulco

em sua face medial produzido pela artéria carótida interna e cada um deles

pode estar unido ao inconstante processo clinoide médio por uma barra

óssea fina, formando assim um anel ósseo estreito ao redor da artéria

quando ela emerge do seio cavernoso.

A fossa média do crânio tem uma profundidade intermediária entre as

fossas anterior e posterior. Ela é estreita e elevada medialmente, mas se

expande e fica mais profunda em cada lado para acomodar e proteger os

lobos temporais do encéfalo. É limitada anteriormente pelas bordas

posteriores das asas menores do osso esfenoide e pela margem anterior do

sulco pré-quiasmático; posteriormente pelas bordas superiores das partes

petrosas dos ossos temporais, que são sulcadas pelos seios petrosos

superiores e pelo dorso da sela do esfenoide, e lateralmente pelas asas

maiores do esfenoide, os ângulos frontais dos ossos parietais e as partes

escamosas dos ossos temporais.

O assoalho da área mediana é formado pelo corpo do osso esfenoide,

contendo os seios esfenoidais. As asas menores do esfenoide estão fixadas a

seu corpo por duas raízes, separadas entre si pelos canais ópticos que

transportam os nervos ópticos (II) e as artérias oftálmicas. Atrás do sulco

pré-quiasmático há uma elevação mediana, o tubérculo da sela e a fossa

hipofisial que aloja a hipófise. A fossa é limitada atrás pelo dorso da sela,

uma lâmina óssea que se projeta para cima com uma borda superior

côncava que se expande lateralmente para os processos clinoides

posteriores. Lateralmente à sela está um sulco raso e sinuoso para a artéria

carótida interna (sulco carótico); em sua extremidade anterior na face

medial pode haver um pequeno tubérculo, o processo clinoide médio.

As partes laterais da fossa média estão relacionadas na frente com as

órbitas, em cada lado com as fossas temporais e abaixo com as fossas

infratemporais. A fossa média comunica-se com as órbitas pelas fissuras

orbitais superiores.

Existem várias outras aberturas mais ou menos simétricas em cada lado.

O forame redondo perfura a asa maior do osso esfenoide imediatamente

abaixo e atrás da extremidade interna da fissura orbital superior e em

seguida abre anteriormente na fossa pterigopalatina. O forame oval também

penetra na asa maior do esfenoide posterolateralmente ao forame redondo e

segue para baixo até a fossa infratemporal. O forame espinhoso, que é

menor, está situado posterolateralmente ao forame oval e abre abaixo na

fossa infratemporal perto da espinha do esfenoide; o sulco dos vasos

meníngeos médios começa neste forame. O forame lacerado é uma abertura

irregular entre o corpo e a asa maior do osso esfenoide e o ápice da parte

petrosa do osso temporal; ele marca o ponto de entrada da artéria carótida interna no seio cavernoso. Atrás do forame lacerado está uma depressão

rasa, a cavidade trigeminal (para o gânglio trigeminal ou semilunar) na

superfície anterior da parte petrosa do osso temporal, e lateralmente a ela

estão dois sulcos estreitos que levam aos hiatos dos canais dos nervos

petrosos menor e maior.

FIGURA 14-7

 

A eminência arqueada é produzida pelo canal semicircular anterior da

orelha interna. Anterolateralmente a esta eminência existe uma lâmina delgada de osso, o tegme timpânico, que forma o teto da cavidade timpânica

e do antro mastoideo e estende-se para frente e medialmente para cobrir a

parte óssea da tuba auditiva (faringotimpânica).

A fossa posterior do crânio é a maior e mais profunda entre as fossas do

crânio e abriga o cerebelo, a ponte e o bulbo. É limitada anteriormente pelo

dorso da sela, a parte posterior do corpo do osso esfenoide e a parte basilar

do osso occipital; posteriormente pela escama do osso occipital abaixo do

sulco do seio transverso e da protuberância occipital interna e lateralmente

pelas partes petrosa e mastoides dos ossos temporais, os ângulos mastóideos

dos ossos parietais e as partes laterais do osso occipital.

A fossa posterior é perfurada por inúmeros forames e sulcada por vários

seios venosos da dura-máter. Uma grande abertura mediana no assoalho da

fossa, o forame magno, penetra no osso occipital. O bulbo e a medula

espinal, e as meninges que os envolvem, tornam-se diretamente contínuos

logo abaixo do forame. A parte petrosa do osso temporal e o osso occipital

são separados pela fissura petro-occipital e pelo sulco do seio petroso

inferior; a fissura termina atrás, no forame jugular. O seio petroso inferior e

o seio sigmóideo passam pelas porções anterior e posterior deste forame,

respectivamente, enquanto os nervos glossofaríngeo (IX), vago (X) e

acessório (XI) ocupam uma posição intermediária quando deixam o crânio.

Dois canais estão associados aos côndilos occipitais: o canal do nervo

hipoglosso, para o décimo-segundo nervo craniano, e o canal condilar.

Acima do forame jugular, o meato acústico interno segue como um túnel

para a parte petrosa do osso temporal. Ele mede aproximadamente 1

centímetro de comprimento e é separado lateralmente da orelha interna por

uma fina placa óssea perfurada por muitas aberturas para fascículos dos

nervos facial (VII) e vestibulococlear (VIII). Atrás do orifício deste meato

está a abertura em forma de fenda do aqueduto do vestíbulo, que aloja a

extremidade cega do ducto endolinfático.

A abertura interna do inconstante forame mastoideo fica próxima ao

sulco do seio sigmoide, que segue para baixo do seio transverso até o

forame jugular, onde termina no bulbo superior da veia jugular interna. A

protuberância occipital interna está relacionada com a confluência dos

seios sagital superior, reto, occipital e seio transverso. As margens dos

sulcos dos seios transversos fornecem pontos de fixação para o tentório do

cerebelo.