Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Relações Anatômicas da Glândula Hipófise
FIGURA 5-27
Relações Anatômicas da Glândula Hipófise A glândula hipófise ocupa uma depressão (fossa) no corpo do osso
esfenoide, chamada sela turca. O tubérculo selar forma a parede anterior da
sela e o dorso da sela forma a parede posterior. A hipófise é superiormente
coberta por uma camada circular da dura-máter, o diafragma selar. O
diafragma selar é atravessado pela haste hipofisária e vasos hipofisários.
Uma camada da aracnoide pode herniar através do diafragma selar em
alguns pacientes, estendendo assim o espaço subaracnoide dentro do
diafragma selar (exame de RM na Fig. 5-26 à direita como exemplo).
Pressão crônica pulsátil exercida pelo fluido cerebroespinal pode expandir a
sela, levando ao aparecimento do aumento, “sela vazia”, que pode estar
associada ao hipopituitarismo em alguns pacientes.
O quiasma óptico fica superior ao diafragma selar. Fibras nervosas
originárias da porção nasal de cada retina atravessam o quiasma para o lado
contralateral e se unem a fibras nervosas ipsilaterais, originárias na porção
temporal de cada retina, que não atravessam no quiasma para formação do
trato óptico. A relação anatômica entre a glândula hipofisária e o quiasma
óptico é clinicamente importante, pois lesões de massa dentro da hipófise
podem comprimir tanto o quiasma quanto outras porções do aparelho
óptico, dando origem a uma variedade de defeitos de campo visual. Locais
específicos onde a aracnoide separa-se da pia-máter formam cisternas
cheias de fluido cerebroespinal, incluindo a cisterna quiasmática e a
cisterna interpeduncular. Esses espaços podem ser distorcidos por lesões
selares em alto crescimento e ocupando espaço da hipófise.
O hipotálamo está localizado superiormente na glândula hipófise e está
delimitado entre o quiasma óptico na porção anterior, pela borda caudal dos
corpos mamilares na porção posterior, e superiormente pelo sulco
hipotalâmico. Núcleos hipotalâmicos distintos regulam a função da hipófise
anterior através da síntese de vários hormônios estimulantes (hormônios
liberador do hormônio do crescimento, hormônio liberador de
corticotropina, hormônio liberador tireotropina e hormônio liberador de
gonadotrofina) e hormônios inibidores (somatostatina e dopamina),
liberados nos axônios terminais neuronais presentes na eminência mediana
e infundíbulo. Esses hormônios são carreados via sistema porta-hipofisário
à adenoipófise, onde resulta a secreção hormonal de maneira específica. As
inter-relações entre o hipotálamo e a hipófise posterior estão detalhadas na
Figura 5-26. Grandes lesões surgindo acima da sela podem atingir o
hipotálamo, interferindo em suas funções.
Os seios cavernosos estão localizados lateralmente na glândula hipófise,
e recebem sangue da hipófise por veias hipofisárias. Cada seio cavernoso
contém muitas estruturas importantes, incluindo a porção cavernosa da
artéria carótida interna ipsilateral, os nervos oculomotor, troclear e
abducente, assim como as duas primeiras divisões (oftálmica e maxilar) do
nervo trigêmeo. Cada um desses nervos pode ser invadido por lesões que
ocupam espaço, surgindo na sela e estendendo-se ao seio cavernoso.
Exemplos de tais lesões incluem meningiomas, condrossarcomas e
metástase selar. Caracteristicamente, adenomas hipofisários raramente
causam disfunção dos nervos craniais no seio cavernoso, com exceção dos
adenomas que sofrem necrose hemorrágica (apoplexia hipofisária).
O seio circular fica entre a glândula hipófise e subjacente ao osso
esfenoide na sela, formando interconexões entre os dois seios cavernosos. O
fino assoalho selar separa a glândula hipófise do seio esfenoide subjacente.
O assoalho selar pode ser expandido pelo crescimento lento de massas
selares, levando ao remodelamento da sela, ou corroído por massas de
crescimento inferior na sela. A relação próxima entre a sela, o seio
esfenoide e a nasofaringe promove uma importante rota de acesso para
cirurgias na hipófise. Usando uma abordagem transesfenoidal, muitas
massas selares podem ser ressecadas com baixa morbidade.
FIGURA 5-28