Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Abuso Contra Idoso
FIGURA 4-21
Abuso Contra Idoso
Abuso contra idoso refere-se a maus-tratos e negligência em relação a
adultos acima de 60 anos de idade, geralmente cometidos por um cuidador ou outra pessoa da qual o idoso seja dependente. Inclui abuso físico (lesão,
ameaças físicas ou contenções inapropriadas), abuso sexual (atos sexuais ou
contato sexual sem o consentimento do idoso), negligência e abuso
psicológico ou emocional (não atendimento às necessidades físicas,
emocionais e sociais ou ausência de proteção), abandono ou abuso
financeiro (uso inapropriado dos recursos do idoso para ganho pessoal,
incluindo falsificação, roubo, manipulação do idoso para transferir dinheiro
ou posses e exploração de tutela ou procuração legal).
De acordo com o National Elder Abuse Incidence Study (estudo nacional
da incidência de abuso contra idosos), em 1996 houve 551.000 vítimas
documentadas de abuso, negligência ou autonegligência em contextos
domésticos envolvendo idosos nos Estados Unidos. Entretanto, apenas
115.000 (21%) dessas vítimas foram totalmente checadas por serviços de
proteção ao adulto. Dessa forma, a maioria dos casos de abuso contra idoso
jamais chegaram a ser reportados a serviços de proteção ao adulto ou jamais
foram confirmados pelos órgãos envolvidos. As vítimas de abuso contra
idoso muitas vezes relutam em relatar o abuso devido ao medo de perder
seus cuidadores ou apoios sociais.
Apresentação Clínica e Diagnóstico
Os fatores de risco para cometer abuso contra idoso incluem doença
mental ativa, uso abusivo de álcool, treinamento insuficiente para a função
de cuidador, história pessoal de abuso físico ou emocional, dependência
emocional ou financeira significante do idoso, apoio social inadequado,
ausência de serviços de apoio ao idoso, crenças culturais negativas a
respeito de idosos e do envelhecimento e contextos institucionais com más
condições de trabalho para a equipe e/ou monitoramento administrativo
insuficiente do tratamento ao idoso.
O idoso que sofre abuso deve ser escutado porque muitas vezes relata o
mau-trato em si, ou podem haver mudanças abruptas em seu
comportamento; às vezes, desenvolvem comportamentos bastante
incomuns. O cuidador pode negar permissão a visitantes para ficarem com
o idoso a sós. Entretanto, quando a oportunidade de observação se
apresenta, sinais e sintomas de abuso contra idoso incluem hematomas,
vergões, cortes, lacerações, marcas de corda (amarras) ou outros sinais de contenção, ossos fraturados ou sangramento interno. Além disso, o paciente
idoso que sofre abuso pode exibir lesões nas mamas ou na genitália,
doenças sexualmente transmitidas inexplicadas, desidratação, desnutrição,
escaras, má higiene e transações bancárias não autorizadas ou inexplicadas.
Resultados de estudos laboratoriais muitas vezes indicam superdosagem
medicamentosa ou posologia inadequada.
Prevenção e Manejo
Os cuidadores podem usar uma variedade de estratégias para reduzir o
estresse e diminuir sua própria vulnerabilidade a cometer abuso contra o
idoso. Primeiro, obter treinamento adequado antes de assumir
responsabilidades de cuidado do idoso pode reduzir de maneira
considerável sentimentos de inadequação e frustração durante os cuidados.
Os cuidadores devem também solicitar ajuda de outros membros da
comunidade, incluindo familiares, amigos e serviços locais que tenham
recursos adicionais para ajudá-los nos cuidados.
Períodos de folga para os cuidadores entre os turnos podem diminuir de
maneira significante o estresse e são disponibilizados por programas
voluntários que oferecem folgas temporárias das tarefas de cuidado e
incumbências relacionadas. Programas de “creches diurnas” para idosos
podem ser altamente benéficos. Além disso, o envolvimento de serviços
independentes de planejamento financeiro no gerenciamento dos bens e
patrimônios do idoso pode diminuir o risco de abuso financeiro. Por fim, os
cuidadores nunca devem hesitar em procurar aconselhamento em saúde
mental para si mesmos, caso desenvolvam sentimentos de depressão ou um
transtorno por uso de substâncias.
Nas casas geriátricas, o monitoramento regular da ocorrência de abuso,
políticas e protocolos bem definidos descrevendo o tratamento apropriado
ao idoso, treinamento criterioso dos funcionários e visitas regulares à
instituição por membros da comunidade podem diminuir o risco de abuso
contra o idoso.
Qualquer suspeita de abuso contra idoso deverá ser relatada a serviços de
proteção ao adulto. O paciente talvez precise de internação hospitalar para
garantir a segurança e de tratamento clínico ou cirúrgico das consequências
do abuso. Tentativas deverão ser feitas para ajudar a alocar o idoso em um lar seguro ou, por outro lado, deve-se permitir que o idoso volte para casa
se tiver capacidade para tomar decisões e se recusar intervenções
terapêuticas. Uma abordagem em equipe multidisciplinar às intervenções ao
abuso contra o idoso é ideal e deve incluir médicos, enfermeiros, assistentes
sociais, enfermeiros visitadores e voluntários de serviços de proteção ao
adulto.
Curso
As vítimas de abuso contra idoso correm um risco maior de sofrer
consequências adversas à saúde que podem diferir do impacto do
envelhecimento normal à saúde, incluindo lesões físicas, desnutrição,
desidratação, perturbações do sono, risco elevado de contrair doenças
sexualmente transmitidas, exacerbação de condições médicas preexistentes
e morte prematura. As sequelas psicológicas incluem taxas elevadas de
depressão, transtornos de ansiedade, sintomas de transtorno de estresse pós-
traumático e outras formas de sofrimento.
FIGURA 4-22