Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Seção 2: Distúrbios neurocognitivos e do córtex cerebral
S E Ç Ã O 2
Distúrbios neurocognitivos e do
córtex cerebral
FIGURA 2-1
Superfícies do encéfalo O encéfalo é dividido em hemisférios direito e esquerdo por uma fissura
longitudinal. Cada hemisfério possui três superfícies – superolateral, medial
e inferior – todas elas com sulcos irregulares demarcando circunvoluções
ou giros. Embora haja variações no arranjo entre os dois hemisférios no
mesmo lado do cérebro e entre diferentes pessoas, uma semelhança básica
do padrão permite que partes cerebrais sejam mapeadas e nomeadas.
Superfície superolateral
Na superfície superolateral, dois sulcos, lateral e central, podem ser
facilmente identificados. O sulco lateral (sylviano) possui uma origem curta
entre a superfície orbital do lobo frontal e o polo temporal; durante o
crescimento, a asa menor do osso esfenoide projeta-se para dentro dele. Em
sua extremidade externa, o tronco se divide em ramos anterior, ascendente e
posterior. Os ramos anterior e ascendente têm, cada um, cerca de 2,5 cm de
comprimento; o primeiro corre horizontalmente dentro do giro frontal
inferior e o último verticalmente. O ramo posterior tem cerca de 7,5 cm de
comprimento e se inclina para cima e se estende para baixo para terminar
no giro supramarginal, que é parte do lóbulo parietal inferior. Esses ramos
separam áreas triangulares do córtex chamadas opérculos, que cobrem um
lobo sepultado do córtex, a ínsula.
O sulco central (rolândico) prossegue obliquamente para baixo e para
frente de um ponto na margem superior, quase a meio caminho entre os
polos frontal e occipital. É sinuoso e termina acima do meio do ramo
posterior do sulco lateral. Sua extremidade superior geralmente ultrapassa a
superfície medial do encéfalo e termina no lóbulo paracentral.
O sulco parietoccipital está principalmente situado na superfície medial
do encéfalo, mas ele ultrapassa a margem superior e aparece a curta
distância na superfície superolateral a cerca de 5 cm na frente do polo
occipital. A cerca de alguma distância do polo occipital na margem inferior,
há uma endentação rasa, a incisura pré-occipital, produzida por uma
pequena crista na superfície superior do tentório do cerebelo.
As características anteriormente mencionadas dividem o cérebro em
lobos frontal, parietal, occipital e temporal. O lobo frontal situa-se na frente
do sulco central e anterossuperior ao sulco lateral. O lobo parietal situa-se
atrás do sulco central, acima do ramo posterior do sulco lateral e na frente de uma linha imaginária desenhada entre o sulco parietoccipital e a incisura
pré-occipital. O lobo occipital situa-se atrás dessa mesma linha imaginária.
O lobo temporal situa-se abaixo do tronco e ramo posterior do sulco lateral,
sendo delimitado por trás pela parte inferior da referida linha imaginária.
Lobo Frontal
A superfície superolateral do lobo frontal é atravessada por três sulcos
principais e, assim, se divide em quatro giros. O sulco pré-central corre
paralelo ao sulco central, separado dele pelo giro pré-central, a grande área
somatomotora cortical. Os sulcos frontais superior e inferior curvam-se
através da parte remanescente da superfície, dividindo-o em giros frontais
superior, médio e inferior.
FIGURA 2-2
Lobo Parietal O lobo parietal possui dois sulcos principais, que o divide em três giros. O
sulco pós-central situa-se paralelo ao sulco central, separado deles pelo giro
pós-central, a grande área cortical sensitiva somática. A parte
remanescente, maior, da superfície parietal superolateral é subdividida em
lóbulos parietais superior e inferior (giros) pelo sulco intraparietal, que
corre retrógrado a partir da proximidade do ponto médio do sulco pós-
central e normalmente se estende para o interior do lobo occipital, onde
termina unindo-se ao sulco occipital transverso.
Lobo Occipital
A superfície externa do lobo occipital é menos extensa que nos outros lobos
e possui um pequeno sulco occipital transverso e um sulco semilunar; o
último demarca as áreas visuossensitiva e visuopsíquica do córtex. O sulco
calcarino entalha o polo occipital.
Lobo Temporal
O lobo temporal é dividido pelos sulcos temporais superior e inferior em
giros temporais superior, médio e inferior. Os sulcos correm para trás e
ligeiramente para cima, na mesma direção geral do ramo posterior do sulco
lateral, que se situa acima deles. O sulco superior termina na parte inferior
do lóbulo parietal inferior, e o córtex sobrejacente é chamado de giro
angular. O giro temporal superior contém as áreas auditiva sensitiva e
auditiva psíquica.
Ínsula
A ínsula é um lobo oculto do córtex, sobreposto pelo opérculo e sepultado
pelo exuberante crescimento das áreas corticais adjacentes. Sua forma é
ovoide, e é circundada por um sulco, o sulco circular da ínsula. O ápice é
inferior, próximo à substância perfurada anterior (rostral), e é denominada
límen da ínsula. A superfície insular é dividida em partes posteriores maior
e menor pelo sulco central da ínsula, que é aproximadamente paralelo ao
sulco central do cérebro. Cada parte é subdividida ainda pelos sulcos
menores em giros insulares longos e curtos. O claustro e o núcleo
lentiforme situam-se profundos à ínsula.
Superfície medial dos hemisférios
encefálicos
As superfícies mediais dos hemisférios encefálicos são planas e, ainda que
separadas em sua maior extensão pela fissura longitudinal e foice
encefálico, são conectadas em partes pelas comissuras cerebrais e pelas
estruturas delimitadoras do terceiro ventrículo.
Corpo Caloso
O corpo caloso é a maior das comissuras cerebrais, e forma a maior parte do
teto do ventrículo lateral.
Em uma seção sagital mediana, ele aparece como uma ponte achatada de
fibras brancas, e sua parte central, ou tronco, é convexa em direção
superior. A extremidade anterior recurva-se para formar o joelho, que se
afunila rapidamente para o rostro. A extremidade posterior expandida, ou
esplênio, sobrepõe-se ao mesencéfalo e parte adjacente do cerebelo. O
corpo caloso tem cerca de 10 cm de comprimento e 2,5 cm de largura entre
os pontos onde ele submerge dentro dos hemisférios opostos nas
profundezas do sulco do corpo caloso. Suas fibras afastam-se para todas as
partes do córtex cerebral.
FIGURA 2-3
Fórnice Abaixo do esplênio e tronco do corpo caloso encontram-se os feixes
arqueados simétricos (pedúnculo do fórnice) que se unem para formar o
corpo do fórnice que se separam novamente para se tornar as colunas do
fórnice, curvando-se para baixo para os corpos mamilares. O corpo do
fórnice situa-se no teto do terceiro ventrículo, e a tela corióidea encontra-se
subjacente. As margens franjadas laterais dessa dupla dobra da pia-máter
são os plexos coroide das partes centrais dos ventrículos laterais, enquanto
uma extensão da parte de baixo da dobra, na linha média, forma o plexo
coroide do terceiro ventrículo.
Sulco do Cíngulo
O sulco do cíngulo é facilmente identificado na superfície medial, que se
situa paralela ao corpo caloso. Ele começa embaixo do joelho do corpo
caloso e termina acima da parte posterior do tronco, virando-se para cima
para marcar a margem superior do hemisfério. Oposto ao meio do tronco
encontra-se o sulco do ramo vertical, e a área de córtex entre esses sulcos
ascendentes é o lóbulo paracentral, que contém partes das áreas corticais
motoras e sensitivas. O sulco do cíngulo separa os giros do cíngulo e medial
frontal, e abaixo do joelho e do rostro do corpo caloso encontram-se
pequenos sulcos paraolfatórios que separam as áreas subcalosas
(paraolfatórias) e o giro paraterminal.
Superfície Medial Posterior
A parte posterior da superfície medial possui dois sulcos profundos. O sulco
parietoccipital superior inclina-se para trás e para cima para ultrapassar a
margem superior. O sulco calcarino inferior estende-se para frente, a partir
do polo occipital para terminar embaixo do esplênio do corpo caloso, e o
istmo do córtex entre eles conecta os giros do cíngulo e hipocampal. A
região em forma de cunha entre os sulcos parietoccipital e calcarino é o
cúneo, enquanto a área entre o sulco parietoccipital e o lóbulo paracentral é
o pré-cúneo. A principal área visuossensitiva localiza-se nas paredes do
sulco calcarino e no córtex adjacente.
Superfície inferior do hemisfério encefálico A superfície inferior é dividida pelo tronco do sulco lateral em superfícies
orbital, a menor, e tentorial, a maior.
A superfície orbital repousa nos tetos da órbita e cavidade nasal e é
marcada por um sulco orbital em forma de H, e por um sulco reto no lado
medial, o sulco olfatório, que aloja o bulbo e o trato olfatório. O sulco
orbital demarca os giros orbitais; a pequena circunvolução medial ao sulco
olfatório é o giro reto.
A superfície tentorial situa-se em parte no assoalho da fossa craniana
média e, em parte, no tentório do cerebelo. Ela possui dois sulcos
anteroposteriores, os sulcos colateral e occipitotemporal. Ambos seguem
quase diretamente para frente a partir do polo occipital para o polo
temporal; como os outros sulcos, podem ser subdivididos, e a extremidade
anterior do sulco colateral é chamada de sulco rinal. Os giros para-
hipocampal e lingual situam-se mediais ao sulco colateral. O giro dentado,
uma estreita margem do córtex com marcas transversas, ocupa o sulco entre
o giro para-hipocampal e a fímbria do hipocampo. A extremidade anterior
do giro para-hipocampal torna-se recurva para formar o unco, que é
parcialmente ocupado pela área olfatória cortical. O giro occipitotemporal
medial é fusiforme, e situa-se entre os sulcos colateral e occipitotemporal.
O giro occipitotemporal lateral situa-se lateral ao sulco occipitotemporal e é
contínuo com o giro temporal inferior em torno da margem inferior do
hemisfério.
FIGURA 2-4