Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Pediatria: Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade

Pediatria: Transtornos de Déficit de

 

Atenção/Hiperatividade

Os transtornos de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) são um grupo

de problemas de saúde mental da infância e adolescência caracterizados por

dificuldade em controlar a atenção, motivação e impulsos comportamentais.

Esses transtornos são condições psiquiátricas infantis comuns, afetando 5%

a 12% das crianças no mundo inteiro. Mais comuns em meninos, há cada

vez mais evidência de que a causa principal do TDAH tem base genética.

Uma prevalência maior desses transtornos nos Estados Unidos talvez

resulte de práticas diagnósticas variadas e expectativas culturais. O TDAH

está relacionado com diferenças na estrutura e no funcionamento do córtex

encefálico pré-frontal, importantes para controlar organização,

planejamento, atenção e impulsos. O hábito de fumar e o consumo de

bebidas alcoólicas pela mãe durante a gravidez, baixo peso de nascimento,

lesões químicas ao encéfalo (p. ex., intoxicação por chumbo) e negligência

infantil grave estão associados ao TDAH.

 

Apresentação Clínica

Quatro tipos de TDAH são reconhecidos. O TDAH, como o tipo desatento

predominante, é caracterizado por um padrão persistente de desatenção e

falta de motivação, particularmente quando é necessário esforço mental

mantido (como nas tarefas escolares e no dever de casa). Essas crianças são

com frequência descritas como “sonhadoras” ou “divagadoras”. O TDAH

do tipo predominante hiperativo/impulsivo é caracterizado por um padrão

persistente de comportamento hiperativo (como inquietação, desassossego,

andar pela sala de aula sem permissão ou falar excessivamente quando é

importante ficar quieto), bem como comportamento impulsivo (como

dificuldade para esperar, não pensar antes de agir, ou responder sem

pensar). O TDAH do tipo combinado é caracterizado tanto por desatenção e

hiperatividade/impulsividade. Para se encaixar nesses diagnósticos, é

preciso que esses problemas sejam mais frequentes e graves do que as

crianças normalmente exibem, se manifestarem antes dos 7 anos de idade,

persistirem por pelo menos seis meses, serem observados em dois ou mais

contextos e prejudicarem a função do jovem em casa, na escola ou com amigos. Uma criança com TDAH observada em um ambiente altamente

estruturado ou engajada em uma atividade estimulante (i.e., jogando vídeo

game), pode não exibir qualquer sintoma. Ambientes não estruturados,

entediantes e minimamente supervisionados tendem a realçar sintomas

típicos de TDAH.

Se algum dos problemas descritos anteriormente estiver presente, mas

não o suficiente para se encaixar nos diagnósticos, o transtorno é

denominado transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, sem outra

especificação.

 

Diagnóstico

Psiquiatras infantis e de adolescentes, pediatras, psicólogos infantis,

assistentes sociais com treinamento em assistência infantil, orientadores e

enfermeiros clínicos especializados são mais bem treinados para

diagnosticar corretamente TDAH. A avaliação leva tipicamente muitas

horas, necessitando de informações na forma de entrevistas e/ou

questionários de pais/cuidadores e professores, bem como um exame

criterioso do estado mental da criança. Não existem exames de sangue

específicos, estudos de imageamento ou outros testes clínicos que

diagnostiquem esses transtornos.

 

Tratamento

Os fundamentos do tratamento são educação a respeito do transtorno,

alocação em classes apropriadas na escola e medicação. As medicações são

o tratamento mais efetivo para TDAH, sendo as medicações estimulantes a

primeira linha de tratamento. A mediação estimulante é eficaz porque

trabalha “estimulando” o encéfalo, presumidamente o córtex pré-frontal que

controla atenção, motivação e impulsos comportamentais.

O ensino à criança de habilidades de estudo eficazes (como estabelecer

metas, planejar com antecedência, autorrecompensa) é útil. Na escola,

adaptações para lidar com a desatenção podem ser solicitadas e incluem

lembretes frequentes para seguir a tarefa, redução das distrações,

recompensa pela persistência, lembretes para concluir tarefas (p. ex.,

devolver o dever de casa feito) e tempo extra para concluir os trabalhos.

Outras adaptações escolares podem ser requisitadas, tais como oportunidades para atividade física ou “pausas do tédio” durante o dia,

propiciar uma variedade de abordagens interessantes ao aprendizado,

recompensar o controle de impulsos comportamentais e estabelecer

consequências pelo não controle de impulsos comportamentais.

Outras estratégias úteis incluem proporcionar um ambiente estruturado e

previsível em casa e um ambiente motivador para o dever de casa, como um

lugar tranquilo para estudar, dividir as tarefas em etapas menores, ao

mesmo tempo oferecendo pequenas recompensas pela conclusão de cada

item. Cerca de um terço dos jovens com TDAH demonstra problemas de

aprendizagem e/ou de linguagem. Esses problemas são identificados por

testagem psicoeducacional e tratados com ensino e/ou fonoaudiologia. A

testagem (e o tratamento, se necessário) deve ser pedida na escola.

 

Curso

O TDAH responde bem aos tratamentos descritos anteriormente. Cerca de

um terço das crianças supera o TDAH na adolescência ou no início da idade

adulta. Os dois terços restantes podem continuar a precisar de apoio até a

fase adulta, incluindo o uso contínuo de medicação, bem como ajustes e

apoios na escola, no trabalho e em casa. Se não tratado, o TDAH pode

evoluir e causar problemas significantes, incluindo insucesso acadêmico,

lesões e acidentes, uso abusivo de substâncias, outros comportamentos de

risco, dificuldades nos relacionamentos com pais e amigos e baixa

autoestima.