Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Fazendo tratos nervosos periféricos e centrais

FIGURA 1-21

 

Fazendo tratos nervosos periféricos e

 

centrais

Outro aspecto essencial para estabelecer a diversidade celular no sistema

nervoso é a diferenciação de distintas classes de células gliais que se

associam aos axônios em desenvolvimento. Essas células gliais são

encontradas no sistema nervoso periférico (SNP), onde são derivadas da

crista neural, ou no sistema nervoso central, onde surgem das células-tronco

neurais locais (portanto, as células-tronco neurais multipotentes verdadeiras

capazes de dar origem tanto a neurônios quanto a glia). Essas células gliais

então interagem com os axônios periféricos, quando eles formam nervos

periféricos, ou com os axônios centrais quando eles formam tratos centrais.

As células de Schwann estabelecem uma clara relação com axônios não

mielinizados no sistema nervoso periférico, circundados, ou embainhados, pelos processos das células de Schwann que constituem o neurilema. Cada

célula de Schwann normalmente embainha mais de um axônio desse tipo. A

maioria dos axônios dos neurônios autonômicos pós-ganglionares

(simpáticos e parassimpáticos) não são mielinizados. Inúmeras camadas da

membrana celular das células de Schwann envolvem axônios mielinizados

do sistema nervoso periférico. Uma única célula do neurilema tipicamente

forma um segmento da bainha de mielina para somente um axônio

periférico.

Os oligodendrócitos no SNC e nas células de Schwann no SNP formam

bainhas de mielina por meio de processos similares. Em uma ação similar

ao contínuo enrolar de uma peça de tecido, a membrana celular

oligodendroglial se enrola muitas vezes em torno de um axônio. À medida

que esse envolvimento ocorre, o citoplasma oligodendroglial se retrai ou é

extruído para que duas camadas da membrana plasmática da célula, que

estavam originalmente separadas pelo citoplasma, aproximem-se e se

fundam. Com exceção de pequenas ilhas de citoplasma, que podem ser

capturadas entre as membranas fundidas, a fusão pode ser completa. A

membrana celular do oligodendrócito mielinizador, como as membranas

celulares de outras partes, é composta por camadas alternadas de lipídios e

moléculas de proteína. Assim, a mielina é composta de inúmeras camadas

fundidas de membrana de lipoproteína.

A mielinização está estreitamente associada ao desenvolvimento da

capacidade funcional dos neurônios. Os neurônios não mielinizados têm

baixa velocidade de condução e mostram fadiga precocemente, enquanto os

neurônios mielinizados disparam rapidamente e têm um longo período de

atividade antes de ocorrer a fadiga. Os neurônios que finalmente são

capazes de uma rápida transmissão de impulsos se tornam totalmente

funcionais quase ao mesmo tempo que seus axônios se tornam

completamente isolados com uma bainha de mielina. Em geral, os

neurônios motores dos nervos cranianos se tornam mielinizados antes de

suas contrapartes sensitivas. Os neurônios sensitivos do nervo trigêmeo e a

divisão coclear do nervo vestibulococlear começam a adquirir mielina

somente no quinto e sexto meses de desenvolvimento. Os neurônios do

nervo óptico começam a se embainhar ao nascimento, e a mielinização se

completa no fim da segunda semana após o nascimento.

FIGURA 1-22

 

 

À medida que o desenvolvimento continua, as fibras nervosas (axônios)

do SNC e SNP eventualmente se tornaram embainhadas ou encapsuladas.

No SNP, os neurônios se tornaram completamente encapsulados por partes

de outras células, exceto em suas terminações finais e nos nós de Ranvier. A

célula de Schwann embainha tanto os axônios mielinizados quanto os não

mielinizados dos neurônios motores somáticos e neurônios motores

autonômicos pré-ganglionares quando deixam o SNC. Essas células,

derivadas tanto da crista neural quanto da parede do tubo neural, também

embainham os processos centrais e periféricos dos neurônios sensitivos

somáticos e viscerais, assim como os axônios dos neurônios motores

autonômicos pós-ganglionares (simpáticos e parassimpáticos).

Outro tipo de célula, que é derivada tanto da crista neural quanto da

parede do tubo neural e que participa da cobertura dos neurônios do SNP, é

a célula satélite. As células satélites encapsulam completamente os corpos

celulares de neurônios sensitivos nos gânglios sensitivos de nervos cranianos e espinais, e também neurônios pós-ganglionares dos gânglios

simpáticos e parassimpáticos. Finalmente, há uma célula glial especializada

que compartilha propriedades de células de Schwann e células satélites, mas

é encontrada somente aposta aos axônios não mielinizados do nervo

olfatório; esses axônios originam-se dos neurônios receptores no nariz, que

são continuamente substituídos ao longo da vida e, portanto, devem crescer

novamente dentro do bulbo olfatório no SNC e formar novas sinapses.

Essas células embainhadoras olfatórias aparentemente são especializadas

para dar suporte ao constante recrescimento dos axônios e o

estabelecimento de novas conexões no SNC. Consequentemente, há um

grande interesse nessas células como um substrato para melhor crescimento

axonal em outras regiões do SNC após a lesão.

FIGURA 1-23