Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Sinalização Visual ao Hipotálamo

FIGURA 5-9

 

Sinalização Visual ao Hipotálamo O hipotálamo é enquadrado em sua maior parte pelo quiasma óptico, que

constitui sua parte mais rostral (a região pré-óptica) e proporciona o limite

lateral de seu centro, porção tuberal. Apesar dessa relação próxima,

permaneceu um mistério por muitos anos como o hipotálamo usava a

sinalização visual para sincronizar seu relógio biológico com o mundo

externo. Em 1972, dois grupos de cientistas demonstraram que alguns

axônios deixam o quiasma óptico à medida que passam pelo hipotálamo e

promovem uma sinalização, que é chamada hoje de trato retinoipotalâmico.

O trato retinoipotalâmico origina-se de cerca de 1.000 células

ganglionares retinianas dispersas em cada retina. Em 2001, foi descoberto

que essas células ganglionares retinianas possuem uma propriedade

particular de produzir seu próprio pigmento sensível à luz, chamado

melanopsina. Assim, embora outras células ganglionares retinianas que

estão relacionadas com visão padronizada sejam “cegas” e dependem da

sinalização de bastões e cones para a presença de luz em seus campos de

recepção, as células ganglionares retinianas contendo melanopsina são

intrinsecamente fotossensíveis. Esses neurônios atuam essencialmente

como detectores de níveis de luz e transmitem essa informação para o

hipotálamo, assim como para o núcleo olivar pretetal, que é um importante

transmissor na via do reflexo luminoso pupilar.

Pela reposição do gene melanopsina por um de β-galactosidase, um pode

corar as células ganglionares retinianas em azul, e seguir seus axônios até o

encéfalo. O local mais denso de sinalização retinoipotalâmica é o núcleo

supraquiasmático, embora outros axônios, em menor número, entrem em

outras partes do hipotálamo. O núcleo supraquiasmático é o relógio

biológico do encéfalo; danos a este grupo celular provocam perda dos

padrões de atividade de 24 h de sono, alimentação, temperatura corporal,

secreção corticosteroide e outras importantes funções fisiológicas e

comportamentais em animais e seres humanos. Embora os neurônios no

núcleo supraquiasmático mantenham aproximadamente o ritmo de 24 horas

de atividade, mesmo quando em cultura de tecido, o sinal da retina é

necessário para voltar seu ritmo, a fim de manter a sincronia com o mundo

externo. Na ausência de sinais de luz, os ritmos circadianos em pessoas e

animais mostram um ciclo livre que é geralmente um pouco diferente de 24

horas, e pode variar entre indivíduos (média em seres humanos com cerca

de 24,1 horas). Embora pareça uma pequena diferença de 24 horas, sem um mecanismo de sincronização, alguém com ciclo de 24,1 horas poderia estar

por 3 horas fora do ciclo do resto do mundo no final de um mês. Alguns

indivíduos cegos, com perda total de sinalização retiniana ao encéfalo,

apresentam esse tipo de modificação do seu ritmo circadiano através do

tempo, assim passam por períodos de poucos meses onde seus ciclos ficam

fora de sincronia com o resto do mundo. Outras pessoas cegas, como

aquelas com degeneração de cones e bastonetes, que retêm

fotossensibilidade intrínseca às células ganglionares retinianas contendo

melanopsina, permanecem em sincronia com o mundo o qual não podem

ver.

Melatonina é um dos hormônios cujo ciclo de 24 horas de secreção é

coordenado pelo núcleo supraquiasmático. Os axônios supraquiasmáticos

contatam diretamente os neurônios no núcleo paraventricular, que por sua

vez, inerva os neurônios pré-ganglionares simpáticos na medula espinal

torácica superior. A última projeção ao gânglio cervical superior, que envia

axônios ao longo da artéria carótida interna intracranialmente para inervar a

glândula pineal, provoca a secreção de melatonina. O hormônio é secretado

principalmente no início do período de escuridão e em seres humanos pode

causar insônia. Um dos principais alvos para melatonina no encéfalo é o

próprio núcleo supraquiasmático, que destaca-se quando o encéfalo é

corado para receptores de melatonina.

Outros axônios de retina no hipotálamo podem ser importantes em

fornecer sinais visuais aos neurônios relacionados com uma variedade de

funções. Por exemplo, sinalização da retina ao grupo celular promotor do

sono, núcleo pré-óptico ventrolateral, pode explicar por que pessoas

desligam as luzes e fecham os olhos quando caem no sono. Outras

sinalizações ao hipotálamo lateral podem contatar os neurônios envolvidos

na regulação da excitação e alimentação. Em roedores, que podem ser

reconhecidos como presa em potencial quando se arriscam a áreas

luminosas, uma resposta importante à luz é a imobilidade. Essa redução na

locomoção na luz parece ser regulada por sinais de retina à zona

supraventricular.