Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Desenvolvimento e Distúrbios do Desenvolvimento do Hipotálamo

FIGURA 5-2

 

Desenvolvimento e Distúrbios do

 

Desenvolvimento do Hipotálamo O hipotálamo aparece nos mamíferos como uma parte ventral do diencéfalo

e telencéfalo adjacente, e suas origens embriológicas estão intimamente

relacionadas com as do quiasma óptico e seus tratos, e a glândula

hipofisária. Esses distúrbios que afetam o hipotálamo, frequentemente se

manifestam com sinais e sintomas relacionados com estruturas vizinhas em

desenvolvimento. O tubo neural em desenvolvimento é dividido em três

regiões primárias: prosencéfalo, mesencéfalo, rombencéfalo. O

prosencéfalo é subdividido em telencéfalo, o qual dá origem ao córtex

encefálico e núcleo da base, e em diencéfalo, do qual são derivados o

tálamo e hipotálamo. O hipotálamo desenvolve-se a partir da porção

anterior do diencéfalo em uma série de passos que envolvem a ativação de

conjuntos de fatores de transcrição, que determinam o destino das

populações de células em desenvolvimento.

Primeiro, a mesoderma pré-cordal subjacente ao tubo neural em

desenvolvimento, secreta a proteína sonic hedgehog (SHH) que induz um

padrão normal da linha média encefálica anterior, incluindo a formação do

hipotálamo e a separação do sistema óptico. Indução anormal da

mesoderma ocorre com a mutação que afeta a sinalização de SHH, e pode

resultar em uma das malformações encefálicas humanas mais comuns,

holoprosencefalia, que se manifesta com falhas no espectro de divisões das

estruturas da linha média do encéfalo. Na sua forma mais grave,

holoprosencefalia resulta em ciplopia e perda completa ou parcial do

hipotálamo, o que não é compatível à vida. Em suas formas moderadas,

holoprosencefalia pode manifestar-se com anomalias endócrinas devido ao

desenvolvimento defeituoso do sistema hipofisário-hipotalâmico. Após a

padronização inicial, induzida por mediação da SHH, as células precursoras

hipotalâmicas multiplicam-se antes de saírem do ciclo celular e sofrem

diferenciação final em muitos tipos celulares, que consistem em um

hipotálamo compacto com estrutura complexa. Finalmente, os neurônios

em desenvolvimento expressam combinações únicas de fatores de

transcrição, como membros das famílias Nkx e Lhx, Sim1 e Sim3. Deleções

de fatores de transcrição individuais possuem profundos impactos sobre o

desenvolvimento de núcleo hipotalâmico específico.

Diferenciação final do núcleo hipotalâmico requer ações combinadas dos

“códigos” de fatores de transcrição, que quando expressos com restrição

anatômica e precisão cronometrada de desenvolvimento, dão origem a complexidade regional do hipotálamo. Embora ainda pouco compreendido,

raras mutações genéticas têm sido identificadas em seres humanos e em

testes com modelos animais, que demonstrem que a disfunção de genes

individuais resulte na perda de neurônios hipotalâmicos específicos e

fenótipos correspondentes. Por exemplo, a síndrome de Prader-Willi, que

tem como manifestação a obesidade mórbida, hiperssonolência,

hipogonadismo, e deficiência intelectual, é causada por uma deleção do

cromossomo paterno 15q11. Essa região genômica possui vários genes

envolvidos no desenvolvimento normal do núcleo paraventricular, um

grupo de células com funções integrativas críticas na alimentação e resposta

ao estresse (ver adiante).

A relação do hipotálamo e glândula hipofisária tem sua origem como

uma justaposição anatômica entre o diencéfalo anterior e a bolsa de Rathke

derivada da ectoderme, da qual se origina a porção ventral da hipófise.

Embora ambos, hipotálamo e hipófise, sejam padronizados por caminhos

sinalizadores similares, a disfunção nesses sistemas pode interromper o

desenvolvimento e funções de ambas as estruturas. Craniofaringiomas são

os tumores intracraniais não neurais mais comuns na infância, e originam-se

de bolsas de Rathke remanescentes. Apresentação clínica inclui sintomas

ópticos, hipofisários e/ou hipotalâmicos, incluindo obesidade,

hipopituitarismo, e disfunção do sono e ritmo cardíaco.

FIGURA 5-3