Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Tratamento de Epilepsia

FIGURA 3-12

 

Tratamento de Epilepsia Embora existam diversas opções de tratamento para as crises, as três

abordagens principais são os fármacos antiepilépticos, terapia nutricional e

cirurgia.

A maioria dos pacientes é tratada com fármacos antiepilépticos que

atuam em uma ampla variedade de alvos: (1) bloqueio dos canais de cálcio

e sódio ou abertura dos canais de potássio, (2) redução da excitação pelo

bloqueio dos receptores de glutamato, (3) aumento da inibição pela

intensificação das correntes de GABA ou aumento das concentrações

intracelulares ou extracelulares de GABA.

Os fármacos atuando nos canal de Na+ reduzem a probabilidade de uma

crise pelo aumento do período em que o canal permanece em estado inativo,

ou pela alteração da forma do canal de Na+. Em ambos os casos, os

fármacos evitam o disparo repetitivo e persistente das células. Do mesmo

modo, os bloqueadores dos canais de Ca2+ são usados para bloquear os

canais de Ca2+ ou os canais ativados por alta-voltagem, resultando na

redução da excitabilidade das células. O Ca2+ é também fundamental na

liberação de um neurotransmissor de vesículas sinápticas. A redução na

liberação de glutamato poderia reduzir a probabilidade de uma crise. O

levetiracetam se liga às vesículas sinápticas e parece reduzir a frequência

das crises por alterar a liberação dos neurotransmissores das vesículas

sinápticas.

O bloqueio da excitação através dos receptores de NMDA, AMPA e de

cainato pode reduzir a excitação pela diminuição do fluxo interno dos íons

de Na+ e Ca2+. Da mesma forma, os fármacos atuam nos receptores GABAA

e facilitam a passagem de Cl- no interior das células. Essa passagem dentro

das células torna o potencial da membrana em repouso mais negativo,

dificultando de forma mais acentuada a despolarização das células. O

receptor GABA possui sítios de receptores de benzodiazepinas e A

barbitúricos. A ativação do receptor de benzodiazepinas acentua a

frequência de aberturas do receptor GABA . A ativação do receptor de A

barbitúricos aumenta a duração das aberturas do receptor GABA . O efeito A

do GABA pode ser aumentado também pelo bloqueio da recaptação de

GABA pelos neurônios e células da glia, aumentando a concentração de

GABA em receptores pós-sinápticos, ou reduzindo o colapso de GABA nos

neurônios através da inibição do GABA transaminase.

A dieta cetogênica é usada especificamente para tratar crianças com

epilepsia grave, que não respondem aos fármacos antiepilépticos. A dieta

cetogênica consiste de uma proporção elevada de gorduras e de quantidades

pequenas de carboidratos e proteínas. A base da eficácia terapêutica da

dieta cetogênica é atribuída à cetose que desenvolve quando o encéfalo está

relativamente desprovido de glicose como uma fonte de energia, e deve

alterar o uso dos corpos cetônicos como combustível primário.

FIGURA 3-13

 

Os pacientes que não respondem aos fármacos antiepilépticos ou à

terapia nutricional podem beneficiar-se através da cirurgia. Em pacientes com o foco das crises bem localizado, pode ser possível a ressecção do

tecido epiléptico. Se o foco epiléptico for proveniente de uma área do

encéfalo onde a ressecção poderia resultar em um déficit neurológico

significativo, tal como fraqueza, afasia, ou deficiência de memória, a

cirurgia focal não é recomendada. A cirurgia mais comum para a crise focal

é uma ressecção do lobo temporal. Em raros indivíduos, com um hemisfério

gravemente danificado, que tenham crises e fraqueza unilateral

provenientes desse hemisfério, uma hemisferectomia pode ser curativa.

Pacientes com crises focais graves com generalização secundária podem ser

auxiliados pelo corte do corpo caloso (calosotomia do corpo). Esse

procedimento reduz a probabilidade de que uma crise focal venha a tornar-

se generalizada.

A estimulação do nervo vago (ENV) é um tratamento adjuvante para

certos tipos de epilepsia intratável, e de depressão resistente a tratamento. A

ENV utiliza um estimulador implantado que envia impulsos elétricos para o

nervo vago esquerdo no pescoço através de um dispositivo implantado sob

a pele. O décimo nervo craniano se origina no bulbo e transporta ambas as

fibras aferentes e eferentes. As fibras aferentes vagais se conectam ao

núcleo do trato solitário, o qual, por sua vez, projeta conexões para outros

locais no sistema nervoso central. Não existem muitos relatos sobre a forma

exata de como a estimulação do nervo vago melhora o controle das crises,

porém os mecanismos propostos incluem a alteração da liberação da

norepinefrina pelas projeções do trato solitário para o locus ceruleus, níveis

elevados de GABA inibitório relacionados com a estimulação vagal, e

inibição da atividade cortical aberrante pelo sistema de ativação reticular.

 

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