Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Modalidades Terapêuticas

FIGURA 12-18

 

Modalidades Terapêuticas O tratamento de tumores encefálicos requer uma abordagem

multidisciplinar que consiste em neurocirurgia, radiação e/ou quimioterapia.

Nos três campos, os avanços tecnológicos melhoraram a eficácia de cada

modalidade terapêutica individual. Por exemplo, inovações radiográficas

expandiram as capacidades neurocirúrgicas. A ressonância magnética (RM)

funcional, uma modalidade de imagem não invasiva que utiliza alterações

do fluxo sanguíneo cortical como marcador de aumento ou diminuição da

atividade neuronal, melhorou o planejamento pré-cirúrgico ao delinear as

margens do tumor do córtex eloquente. A RM intraoperatória traz a

capacidade de atualizar imagens, quando necessário, porque as deformações

intraoperatórias decorrentes de desvios secundários dos fluidos, alterações

na pressão intracraniana e/ou o uso de afastadores, podem tornar as imagens

pré-operatórias incorretas. O advento da endoscopia transformou

craniotomias anteriormente complexas em procedimentos ambulatoriais

elegantes. Finalmente, o desenvolvimento de agentes analgésicos e

anestésicos de curta ação preparou o caminho para o mapeamento

intraoperatório, permitindo a excisão máxima de tumores em regiões de

córtex eloquente e ao mesmo tempo minimizando a lesão neurológica.

A radioterapia geralmente é usada como terapia adjunta ou terapia

primária. A terapia primária pode ter intenção curativa, paliativa ou de

estabilização. A radiação ionizante é a base principal do tratamento em

neuro-oncologia, em que os tipos mais comuns de radiação são os fótons e

prótons. A radiação pode ser fornecida em múltiplos tratamentos como

“frações” ou em um tratamento de dose única. Os avanços na radiação

oncológica melhoraram sua eficácia e diminuíram suas complicações,

aguçando sua precisão em um esforço para minimizar a neurotoxicidade ao

redor. Isso foi obtido com o advento do tratamento estereotáxico, que

constitui um método especializado de direcionamento, e o uso de

tratamento conformacional tridimensional (3D) no qual a distribuição

volumétrica da dose desejada mimetiza o formato do alvo. A radioterapia

estereotáxica de intensidade modulada (IMRT) é um tipo de terapia 3D

conformacional que fornece radiação (geralmente fótons) de um modo

controlado e preciso, limitando a toxicidade para o resto do encéfalo. As

vantagens incluem redução da dose de radiação em órgãos de risco com

limitação da dose, como o sistema óptico, o tronco encefálico e orelha

interna, e a melhoria do fornecimento da dose aos órgãos-alvo. Mais recentemente, a radiação por feixes protônicos recebeu muita atenção

devido a sua capacidade de limitar a quantidade de dispersão para o tecido

normal. Isso permite que radioterapeutas forneçam radiação suficiente para

áreas eloquentes. A radiocirurgia estereotáxica (RCE), usando um

acelerador linear, bisturi gama ou bisturi cibernético, fornece uma dose

única e grande de radiação de modo altamente focalizado, obtendo um

efeito biológico semelhante a várias semanas de radioterapia fracionada. O

bisturi gama utiliza radiação gama derivada de 201 fontes de cobalto 60

organizadas em uma série circular e dirigidas para o centro da unidade,

onde a cabeça é fixada de modo rígido. Um acelerador linear direciona seus

feixes de radiação pela rotação do paciente e do gantry (suporte circular

onde se encontra o tubo de raios X) da unidade terapêutica

simultaneamente. O bisturi cibernético utiliza um sistema de orientação por

imagem em conjunto com um acelerador linear montado em um braço

robótico. Até o momento, não foi demonstrada uma vantagem clinicamente

expressiva na comparação destas diferentes abordagens.

A área da quimioterapia também fez alguns avanços, afetando a melhora

da sobrevida geral e da sobrevida livre de progressão. A temozolomida, um

agente alquilante oral de segunda geração, recebeu aprovação da Food and

Drug Administration (FDA) dos EUA em 1999 para astrocitoma anaplásico

recorrente e foi aprovada em 2005 para uso em glioblastomas recém-

diagnosticados. Em comparação aos agentes alquilantes anteriores, os

efeitos adversos associados à temozolomida em geral são leves a

moderados e previsíveis. Além disso, o estudo de fase III da European

Organization for Research and Treatment of Cancer – Instituto Nacional do

Câncer do Canadá (EORTC-NCIC) demonstrou uma melhora importante da

sobrevida com a adição de temozolomida à radiação, em comparação com a

radioterapia isolada. Recentemente, a FDA forneceu aprovação acelerada

para bevacizumabe (Avastin®, Genentech, South San Francisco,

Califórnia), um anticorpo monoclonal contra o fator de crescimento

endotelial vascular humano como monoterapia para glioblastoma

recorrente. Embora seu impacto na sobrevida geral ainda seja modesto,

estudos de fase II relataram maiores taxas de resposta e melhores níveis de

sobrevida livre de progressão em 6 meses com este medicamento.

Atualmente, inibidores de pequenas moléculas estão sujeitos a muitas

investigações como possível terapêutica para os gliomas malignos.

OceanofPDF.com