Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Suporte Sanguíneo do Hipotálamo e Glândula Hipofisária
Suporte Sanguíneo do Hipotálamo e
Glândula Hipofisária
O hipotálamo é envolvido pelo círculo arterioso da base do encéfalo (ou
polígono de Willis). A artéria carótida interna atravessa o seio cavernoso,
que está logo abaixo do hipotálamo, local de sua drenagem venosa. Assim
que a artéria carótida interna sai do seio cavernoso, ela termina lateralmente
na artéria encefálica média, na artéria comunicante posterior, caudalmente e
na artéria encefálica anterior, rostralmente. A artéria encefálica anterior
transita acima do nervo óptico, cruza o trato olfatório, e encontra a artéria
comunicante anterior na linha média antes de dirigir-se para cima e para
trás. A artéria comunicante posterior dirige-se para trás para encontrar a
artéria encefálica posterior logo que essa emerge da artéria basilar. Como
resultado, o hipotálamo é alimentado por pequenas artérias penetrantes que
se originam diretamente do círculo arterioso da base do encéfalo (ou
polígono de Willis).
A porção anterior do hipotálamo, abaixo do quiasma óptico, é alimentada
por um aporte de vasos arteriais da artéria encefálica anterior. Esses vasos
penetram densamente no prosencéfalo basal em frente ao quiasma óptico,
na região com nome de “substância perfurada anterior”. O nível tuberal, ou
médio do hipotálamo, é alimentado diretamente através de pequenos ramos
da artéria carótida interna e artéria comunicante posterior. Posteriormente,
pequenos vasos penetrantes da artéria encefálica posterior transitam pela
fossa peduncular chamada de “substância perfurada anterior”. Muitos
desses pequenos vasos fornecem suporte à porção posterior do tálamo, mas
alguns também fornecem sangue ao hipotálamo posterior. Os grupos
celulares dentro do hipotálamo não são supridos por vasos sanguíneos
uniformemente. Os núcleos paraventricular e supraóptico, que contêm
neurônios produtores de hormônios vasoativos como a ocitocina e
vasopressina, particularmente possuem uma rica rede capilar.
A artéria hipofisária superior é um dos ramos derivados da artéria
carótida interna. Ela fornece suporte à haste hipofisária, onde se divide em
uma série de capilares semelhantes a ganchos na eminência média da haste
hipofisária. Os neurônios hipotalâmicos, que fazem a hipófise liberar (e
inibir-liberação) hormônios, enviam axônios quem terminam nesses ganchos, os quais, ao contrário de muitos capilares encefálicos, possuem
fenestrações que permitem a penetração facilitada desses pequenos
hormônios peptídeos (Fig. 5-6). Esses capilares drenam para as veias porta
hipofisárias, que juntamente com alguns ramos da artéria hipofisária
anterior, fornecem fluxo sanguíneo para a adenoipófise ou a glândula
pituitária anterior. A neuroipófise é abastecida quase totalmente pela artéria
hipofisária inferior. A maioria do fluxo sanguíneo da adenoipófise vem a
partir do sistema porta, por isso é possível, ocasionalmente, para a glândula
superar seu suprimento sanguíneo. Isso ocorre principalmente durante a
gestação ou pode ocorrer quando um adenoma hipofisário, outra forma de
tumor benigno, se torna maior do que pode ser abastecido pelo suprimento
sanguíneo. Nesse ponto, existe um infarto da hipófise, geralmente com
sangramento, que pode colocar a vida em risco (apoplexia hipofisária). A
apresentação típica é a manifestação repentina da disfunção dos nervos
craniais II, III, IV ou VI, com dor de cabeça grave que geralmente está
localizada entre os olhos, e frequentemente com alteração da consciência.
Finalmente, as alças de capilares fenestrados na eminência média, não
somente permitem a entrada dos hormônios liberados pelo hipotálamo à
glândula hipofisária anterior, mas também permite a entrada de substâncias
transmitidas pelo sangue ao encéfalo. O hormônio leptina, que é feito pelo
tecido adiposo branco durante períodos de abundância, acredita-se que entra
no encéfalo via eminência média para sinalizar saciedade aos grupos
celulares no hipotálamo médio basal. Existe outra área de capilares
fenestrados ao longo da parede anterior do terceiro ventrículo, chamado
órgão vascular da lâmina terminal, que pode permitir a entrada de outros
hormônios, como a angiotensina, que pode estar envolvida na sede e
equilíbrio hídrico, e possivelmente algumas citocinas que agem na resposta
a febre. Essas regiões são chamadas de órgãos circunventriculares, pois
estão em torno das bordas dos ventrículos. Outro órgão circunventricular, a
região postrema, encontra-se na saída do quarto ventrículo no bulbo, e
provavelmente está envolvido no reflexo emético relacionado com
hormônios e toxinas transmitidas pelo sangue, como glucagon-like
peptídeo-1.
FIGURA 5-4