Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Infecções Parasitárias: Triquinose (Triquinelose)

FIGURA 11-19

 

Infecções Parasitárias: Triquinose

 

(Triquinelose)

A infecção humana por Trichinella spiralis ou outras espécies do gênero

Trichinella, um nematódeo (verme cilíndrico), ocorre mais comumente pela

ingestão de carne crua ou malcozida contaminada, especialmente de suínos

domésticos. Em suínos, as larvas de T. spiralis são liberadas de cistos

presentes em carnes ingeridas, através da digestão gástrica, e então invadem

a mucosa do intestino delgado. Elas se desenvolvem em vermes adultos no

intestino delgado; as fêmeas são fecundadas e liberam larvas que migram

para músculos estriados, onde se encistam. Portanto, os vermes adultos e as

larvas encistadas se desenvolvem em um mesmo hospedeiro. Os seres

humanos que ingerem carne suína contaminada desenvolvem triquinose. A

doença é cosmopolita.

O período de incubação varia com a gravidade da infecção. Dor

abdominal e sintomas gastrointestinais podem se desenvolver na primeira

semana. Edema periorbital pode ocorrer por alguns dias.

Subsequentemente, dor muscular e articular, fraqueza muscular, febre,

exantemas cutâneos, cefaleia e outras manifestações se desenvolvem.

Infecções graves podem causar meningite ou encefalite. Uma miocardite

pode levar a arritmias cardíacas fatais. Ocasionalmente ocorre

envolvimento pulmonar ou renal.

O diagnóstico é sugerido pela ocorrência de edema periorbital, miosite e

uma eosinofilia, e pode ser confirmado sorologicamente, mas os testes

sorológicos não são úteis nas primeiras 2 ou 3 semanas após a infecção. Se

necessário, biópsia do músculo esquelético é realizada para detectar a

presença da larva. Infecção branda requer apenas terapia sintomática; o

curso clínico é autolimitante. O tratamento definitivo é necessário para

infecções graves ou envolvimento neurológico, e consiste de

corticosteroides acrescidos de mebendazol ou albendazol. Medidas

preventivas envolvem educação sobre os riscos de consumo da carne

malcozida e controle do manejo das criações.

FIGURA 11-20