Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Norma Externa da Base do Crânio

FIGURA 14-5

 

Norma Externa da Base do Crânio A face inferior da base do crânio, a norma basilar, é formada anteriormente

pelo palato duro em forma de arco, contornada pelos processos alveolares

da maxila e pelos dentes; posteriormente pela escama occipital mais larga,

perfurada pelo forame magno e, na região intermediária, por uma área

irregular compreendendo vários processos ósseos para fixações musculares

e tendinosas, fossas articulares e de outros tipos e muitos forames. Os ossos

e as fissuras mostrados na ilustração não precisam de uma descrição

adicional, mas os nervos e vasos que atravessam os forames serão

apresentados.

O forame incisivo contém os ramos terminais dos nervos nasopalatinos e

dos vasos palatinos maiores. Os forames palatinos maiores e menores são

atravessados pelas artérias e nervos correspondentes. Os cóanos constituem

as aberturas nasais posteriores.

O forame oval perfura a asa maior do esfenoide perto da lâmina lateral do

processo pterigoide e do sulco da tuba auditiva; o nervo mandibular, a

artéria meníngea acessória e as comunicações entre os seios cavernosos e o

plexo venoso pterigoideo passam por ele. O forame espinhoso, situado

anteromedialmente à espinha do esfenoide, transporta a artéria meníngea

média e o ramo meníngeo do nervo mandibular.

O forame lacerado é um canal irregular entre o corpo do esfenoide, o

ápice da parte petrosa do osso temporal e a parte basilar do osso occipital. A

extremidade superior do canal carótico abre em seu interior e a artéria

carótida interna com seus nervos e veias, ao emergir do canal, seguem para

cima e entram no seio cavernoso. Os ramos meníngeos da artéria faríngea

ascendente e as veias emissárias vindas do seio cavernoso passam pelo

forame lacerado e os nervos petroso maior e profundo unem-se em seu

interior para formar o nervo do canal pterigóideo.

A parte anterior da fossa mandibular articula-se com a cabeça da

mandíbula e pertence à parte escamosa do osso temporal, mas a parte não

articular posterior é derivada da parte timpânica. A fissura

timpanoescamosa entre elas continua medialmente como a fissura

petrotimpânica, da qual emerge o nervo da corda do tímpano. O forame

estilomastoideo atrás da raiz do processo estiloide contém o nervo facial

(VII) e a artéria estilomastoidea, que é um ramo da artéria auricular

posterior.

A abertura inferior do canal carótico fica em posição anterior à fossa

jugular, que abriga o bulbo superior da veia jugular interna. O canal curva-

se em ângulos retos no interior da parte petrosa do osso temporal e sua

extremidade superior abre no forame lacerado. O canalículo timpânico

perfura a crista entre o canal carótico e a fossa jugular e transporta o nervo

timpânico, que é um ramo do nervo glossofaríngeo (IX) até o plexo

timpânico. O canalículo mastoideo abre na parede lateral da fossa e contém

o ramo auricular do nervo vago (X). O forame jugular na profundidade da

fossa pode ser parcial ou completamente dividido em três partes por

espículas ósseas. O compartimento anteromedial contém o seio petroso

inferior e um ramo meníngeo da artéria faríngea ascendente; a parte

intermediária transporta os nervos glossofaríngeo, vago e acessório (XI) e a

parte posterolateral transporta o seio sigmoideo até o bulbo superior da via

jugular interna. Próximo à borda posterior do processo mastoide,

frequentemente é observado um forame mastoideo, que é atravessado por

uma veia emissária do seio sigmoideo e uma ramificação meníngea da

artéria occipital. A extremidade anterior do canal do nervo hipoglosso (para

o nervo hipoglosso [XII] e alguns pequenos vasos meníngeos) fica acima da

extremidade anterior do côndilo occipital. Atrás do côndilo existe uma fossa

condilar rasa, geralmente perfurada por um canal condilar que transporta

uma veia emissária entre o seio sigmoideo e as veias cervicais.

A parte posterior da base do crânio é formada predominantemente pelas

escamas occipitais; estas são marcadas pelas linhas nucais, pela crista

occipital e outras, que servem principalmente para fixação muscular e

ligamentar. Contudo, a característica mais notável é o forame magno, pelo

qual o bulbo e a medula espinal tornam-se contínuos. As artérias vertebrais,

as raízes espinais dos nervos acessórios e os ramos meníngeos recorrentes

dos nervos cervicais mais altos sobem pelo forame magno, enquanto as

artérias espinais anterior e posterior descem por ele.