Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Tumores da Região Pineal

FIGURA 12-12

 

Tumores da Região Pineal Os tumores pineais em geral podem ser divididos em tumores de células

germinativas (TCGs) intracranianos primários e tumores de células não

germinativas. Os TCGs tipicamente surgem em estruturas da linha média,

como a glândula pineal e regiões suprasselares. Geralmente se espalham

pelo espaço ventricular e subaracnóideo até os terceiros ventrículos e a

medula espinal, embora a disseminação extraneural fora do sistema nervoso

central (SNC) seja muito rara. TCGs são adicionalmente subdivididos em

germinomas e germinomas não germinomatosos. Apesar de sua

histopatologia não diferenciada, os germinomas são facilmente curados por

radiação. Tendem a ocorrer na adolescência e início da vida adulta. Os

germinomas não germinomatosos, ou tumores mistos de células

germinativas, são compostos por várias linhagens celulares e são

distinguidos por sua resistência relativa à radiação e prognóstico mais

desfavorável. Predominam em crianças mais jovens. Teratomas maduros

geralmente têm um bom prognóstico após ressecção cirúrgica total.

Tumores de células não germinativas incluem tumores do parênquima

pineal, tumores gliais e metástases de tumores sistêmicos. Os tumores do

parênquima pineal tradicionalmente são classificados como pineocitoma de

grau mais baixo e o pineoblastoma maligno. Pineocitomas ocorrem em

adultos de meia-idade e acredita-se que sejam localmente invasivos. Com

frequência são tratados por ressecção cirúrgica agressiva e radioterapia

local para qualquer tumor residual. Pineoblastomas lembram

histologicamente meduloblastomas e predominam na população pediátrica.

São tratados com terapia multimodal, que consiste na ressecção cirúrgica

máxima seguida por irradiação cranioespinal e quimioterapia adjuvante e

tipicamente apresentam um prognóstico reservado. Os tumores gliais

podem ter baixo grau ou alto grau e são idênticos às neoplasias gliais que

ocorrem em outras partes do SNC. Devido a sua localização, que é menos

acessível por cirurgia, tendem a apresentar um prognóstico mais

desfavorável. Finalmente, cistos e meningiomas também podem ser

encontrados na região pineal.

 

Manifestações Clínicas

A apresentação clínica de tumores da região pineal inclui aumento da

pressão intracraniana decorrente de hidrocefalia, disfunção tectal e endocrinopatias. A obstrução do terceiro ventrículo e do aqueduto

encefálico resulta em um aumento da pressão intracraniana, que se

manifesta como cefaleia, náuseas, vômitos, letargia e papiledema. Uma vez

que as lesões estão localizadas na face posterior do terceiro ventrículo,

muitas vezes ocorre compressão do teto. Isso pode provocar a síndrome de

Parinaud, que consiste em paralisia vertical do olhar para cima, diminuição

ou ausência de resposta pupilar à luz e nistagmo de retração convergente.

Ocasionalmente, sinais cerebelares, como ataxia e tremor, são observados

com o crescimento mais extenso.

 

Estudos Diagnósticos

A neuroimagem constitui a primeira etapa na identificação de uma lesão na

região pineal. A RM com e sem contraste é preferida porque destaca a

anatomia do tumor melhor que TC. Germinomas e tumores do parênquima

pineal tendem a apresentar um sinal misto em T1 e um aumento do sinal em

T2. As calcificações ocorrem com menos frequência que nos teratomas.

Teratomas benignos são bem circunscritos e apresentam densidades mistas

secundárias a grandes cistos, áreas de calcificação e à presença ocasional de

dentes e pelos. Embora achados radiográficos característicos possam ser

observados, eles não podem substituir o diagnóstico histológico.

Outros estudos incluem exame dos marcadores tumorais no LCR. Para

tumores mistos de células germinativas, a elevação dos níveis de alfa-

fetoproteína (AFP) confirma a presença de elementos não germinomatosos

e a elevação dos níveis de gonadotrofina coriônica humana (hCG) indicam

um diagnóstico de coriocarcinoma. O LCR também deve ser examinado

quanto à presença de células malignas como meio para confirmar a

extensão da doença, que pode afetar o planejamento terapêutico.

 

Tratamento

Em geral, a cirurgia quase sempre é indicada por vários motivos:

estabelecimento de um diagnóstico tissular, alívio sintomático da

hidrocefalia e ressecção terapêutica prevendo o tratamento adjuvante. Nos

germinomas, a ressecção extensa não está indicada; contudo, é discutido se

pacientes com não germinomas se beneficiam da cirurgia radical devido a

sua menor sensibilidade à radioterapia.

O tratamento por radiação representa a terapia-padrão para germinomas

puros. Com a radiação, as taxas de sobrevida em longo prazo se aproximam

de 80% a 90%. Contudo, isso provoca preocupações genuínas com

possíveis efeitos tardios da terapia, como déficits neuroendócrinos e déficits

neurocognitivos. Atualmente, há muito interesse cercando o uso de

quimioterapia em uma tentativa de reduzir a dose de radiação usada. A

radiação geralmente é combinada com quimioterapia para o tratamento de

germinomas não germinomatosos, que apresentam um prognóstico

significativamente mais reservado.