Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Distúrbios da proliferação e migração neuronal

Distúrbios da proliferação e migração

 

neuronal

A complexidade e a duração da neurogênese cortical e migração a torna um

alvo particularmente vulnerável a perturbações que resultam em ampla

variedade de distúrbios cerebrais. Estas incluem uma variedade de

epilepsias, deficiência intelectual e potencial para distúrbios, como autismo

e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Muitos desses

distúrbios, assim como as análises biológicas e genéticas de células que

definem melhor sua patogênese como perturbações da proliferação neuronal

cortical e migração, aproveitam as imagens estruturais do córtex, usando a

ressonância magnética para identificar irregularidades anatômicas de

tamanho, forma e padrões dos giros e sulcos dos hemisférios corticais.

Apesar disso, imagens “normais” de ressonância magnética não descartam

malformações microscópicas localizadas dos giros ou, mais importante,

defeitos significativos das camadas corticais e heteropias neuronais que

inicialmente se destinavam a uma camada cortical, mas, devido a uma

alteração na migração, são encontradas em localização laminar aberrante.

Claramente essas perturbações de neurogênese e migração devem resultar

em alteração dos circuitos que não têm capacidade de mediar

comportamentos maximamente adaptativos.

 

Proliferação Defeituosa

A diminuição do número neuronal pode levar à microcefalia

(microencefalia verdadeira), enquanto o aumento pode resultar em

megalencefalia. Influências pré-natais, incluindo fatores familiares, são

muito importantes em cada anormalidade. A microcefalia pode ser causada

por uma variedade de etiologias genéticas e ambientais. Pode ser isolada ou

associada a outras anomalias. A microcefalia primária resulta de uma

injúria neural. Ocorre microcefalia secundária a uma lesão ou traumatismo

a um cérebro anteriormente normal.

A megalencefalia é classificada como anatômica ou metabólica. Pode

estar associada a neurofibromatose, acondroplasia ou gigantismo cerebral.

A megalencefalia familiar, a forma mais comum e benigna, geralmente é

herdada de um dos pais. O excessivo crescimento pós-natal também ocorre com frequência, sugerindo hidrocefalia. Mensurações da circunferência da

cabeça dos pais e imagens de RM mostrando ventrículos normais ajudam

no diagnóstico. Aproximadamente 70% dos bebês com microcefalia e 30%

daqueles com megalencefalia têm defeitos de desenvolvimento.

 

Migração Defeituosa

Após a proliferação na região subependimária, os neurônios migram para o

córtex. Os neurônios parecem seguir as células gliais radiais como pingos

de chuva em fios telefônicos. As primeiras migrações formam as camadas

corticais mais profundas, enquanto as últimas migrações, as camadas mais

superficiais, finalmente formam uma sexta camada cortical. O

complemento celular é maior nas camadas corticais externas, levando a

aumento de uma área de superfície, com deformação que provoca o

aparecimento dos giros entre a vigésima sexta e a vigésima oitava semanas,

e se tornam cada vez mais complexos no trimestre final. Se o complemento

normal dos neurônios estiver ausente não ocorre formação dos giros, e isso

resulta lissencefalia (agiria cerebral lisa) (Fig. 1-5). A formação

anormalmente espessa dos giros é conhecida como paquigiria. Nesta

anomalia, falta a configuração em seis camadas no córtex. Heterotopias

cerebrais parecem resultar da migração neuronal defeituosa e subsequente

acúmulo de neurônios aberrantes em qualquer parte entre o epêndima e o

córtex (Fig. 1-5). Números significativos dessas heterotopias que ocorrem

de forma isolada provavelmente resultam em algum grau de deficiência

intelectual. A maioria dos distúrbios de migração discutidos anteriormente

tinha heterotopias associadas. A presença de múltiplos giros pequenos não

tem qualquer semelhança com um padrão normal de giros, juntamente com

uma laminação desorganizada do manto cortical, é chamada de

polimicrogiria (Fig. 1-5). A esquizencefalia caracteriza-se por uma fenda

anormal que une o córtex e os ventrículos. Geralmente é bilateral, mas pode

ser unilateral. Giros malformados (polimicrogiria) estão alinhados

radialmente em torno da fenda.

A agenesia do corpo caloso, parcial ou completa, é acompanhada muitas

vezes por distúrbios originários da migração neuronal defeituosa. Isso

resulta em defeitos do desenvolvimento, convulsões, retardo mental e

hidrocefalia ocasional (Fig. 1-5). O diagnóstico pode ser sugerido por hipertelorismo ocular, inclinação antimongoloide dos olhos e outros

defeitos faciais da linha média. A síndrome de Aicardi, uma ocorrência

esporádica vista em bebês do sexo feminino, está associada a defeitos

retinianos que sugerem coriorretinite, espasmos infantis, hipsarritmia e

grave retardo psicomotor. A agenesia é uma das anomalias mais comuns

diagnosticada por RM como retardo psicomotor “idiopático” (Figs. 1-5 e 1-

6).