Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Infecções Parasitárias: Meningite Criptocócica

Infecções Parasitárias: Meningite

 

Criptocócica

Grande parte da população humana já foi infectada subclinicamente pela

inalação de Cryptococcus neoformans, um fungo leveduriforme. O fungo é

disseminado em amostras de solo ao redor do mundo em áreas habitadas

especialmente por pombos, mas estes não se infectam pelo fungo, e a

transmissão para seres humanos através de pombos não é descrita, sendo

que o papel das excretas de pombos na infecção humana não está muito

claro. Uma pneumonite focal se desenvolve em seres humanos e pode ser

evidente em radiografias torácicas, mas apenas ocasionalmente se torna

sintomática. Disseminação hematogênica a partir dos pulmões para o

sistema nervoso central é rara em pessoas imunocompetentes, a menos que

existam títulos muito altos de antígeno criptocócico no soro. Entretanto, nos

imunocomprometidos, a reativação de uma infecção latente ou uma

infecção primária nova pode causar uma doença meningítica, a qual é

tipicamente subaguda ou crônica. Portanto, a meningite criptocócica é

encontrada mais comumente em pacientes infectados pelo vírus da

imunodeficiência humana ou que são receptores de transplantes, apresentam

doença neoplásica, ou estão sob terapia imunossupressora por longo

período.

Pacientes apresentam cefaleia, mudanças de personalidade, irritabilidade,

sonolência e mudanças cognitivas. A pressão intracraniana pode estar

aumentada. Pode haver déficit de nervos cranianos. O diagnóstico apenas

pode ser feito definitivamente através de punção lombar, a qual tipicamente

demonstra uma pressão de abertura elevada, uma pleocitose mononuclear,

uma concentração elevada de proteína e um nível reduzido de glicose no

líquido cerebroespinal (LCS). Preparações com nanquim podem definir a

levedura, mas esta é raramente realizada atualmente; o isolamento por

cultura é preferido, mas pode levar diversos dias. A mensuração do

antígeno capsular criptocócico no LCS é útil na sugestão de infecção

criptocócica enquanto as culturas ainda estão pendentes. O contexto clínico

geralmente requer que seja realizada uma imagem do encéfalo, antes da

punção lombar, para excluir lesões ocupantes de espaço; quando presentes,

estas são tipicamente o resultado de outras doenças, como linfoma.

Um desfecho fatal é provável na ausência de tratamento, o qual

geralmente envolve anfotericina B endovenosa e flucitosina oral por pelo

menos 2 semanas, seguida de terapia de alta dose com fluconazol por 2

meses. Uma terapia de manutenção com dose baixa de fluconazol é então

continuada por pelo menos um ano, quando a descontinuação pode ser

considerada, dependendo da resposta a terapia antirretroviral.