Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Distúrbios do Sistema Vertebrobasilar
FIGURA 9-18
Distúrbios do Sistema Vertebrobasilar Tronco da artéria braquiocefálica e
artérias subclávias
A artéria subclávia esquerda é geralmente o último ramo
braquioencefálico do arco aórtico, enquanto a artéria subclávia direita se
origina a partir do tronco braquiocefálico. As lesões oclusivas das artérias
subclávias ou inominadas antes da origem da artéria vertebral podem causar
alteração no fluxo sanguíneo arterial vertebral. Na síndrome do roubo da
subclávia, a obstrução da artéria subclávia proximal causa um sistema de
baixa pressão dentro da artéria vertebral ipsilateral e em vasos sanguíneos
do braço. O sangue, a partir de um sistema de alta pressão, a artéria
vertebral contralateral e a artéria basilar são desviados e fluem retrógrados
para baixo da artéria vertebral ipsilateral para o braço. Na maioria dos
pacientes, as lesões oclusivas da artéria subclávia são assintomáticas.
Quando os sintomas ocorrem, na maioria das vezes se relacionam com o
braço ipsilateral e a mão. Frio, fraqueza e dor com o uso do braço são
comuns, mas podem não ser graves. Quando há um fluxo arterial vertebral
retrógrado, os pacientes podem descrever a ocorrência de períodos de
vertigem, diplopia, diminuição da visão, oscilação e cambaleio. Estes
ataques são breves e podem ser provocados pelo exercício no braço
isquêmico. Na maioria dos pacientes, o exercício do membro isquêmico não
irá induzir sinais ou sintomas neurológicos. As lesões oclusivas do tronco
braquiocefálico são incomuns. Quando presentes, elas podem causar
ataques isquêmicos e AVEs tanto carótidos quanto vertebrais.
Artérias vertebrais no pescoço
Aterosclerose
A origem das artérias vertebrais é a localização mais comum para doença
aterosclerótica no sistema vertebral. Ateromas muitas vezes iniciam nas
artérias subclávias e se espalham para os poucos centímetros nas artérias
vertebrais proximais. A doença neste local está frequentemente
acompanhada de lesões oclusivas na origem da artéria carótida interna. Os
fatores de risco para aterosclerose da artéria vertebral proximal são hipertensão, tabagismo, doença arterial coronariana e doença oclusiva
vascular periférica.
O sintoma mais frequentemente relatado durante ataques isquêmicos
transitórios é a tontura. Em pelo menos alguns ataques, a tontura está
acompanhada de outros sinais de isquemia no encéfalo posterior, como
diplopia, oscilopsia, fraqueza das pernas, hemiparesia ou dormência. As
lesões de origem na artéria vertebral raramente causam hipoperfusão
hemodinamicamente significativa do sistema vertebrobasilar. Quando uma
artéria vertebral oclui, a outra assume a função. Há também vasos
sanguíneos colaterais potenciais que se originam da subclávia e das artérias
carótidas externas que podem reconstituir a artéria vertebral distal quando a
porção proximal oclui. A mais importante morbidade das lesões oclusivas
da artéria vertebral é a embolia para o sistema arterial vertebrobasilar
intracraniano. Em pacientes com infartos no território arterial encefálico
posterior e cerebelar, a oclusão das artérias vertebrais no pescoço levou a
uma embolia artéria-para-artéria.
A dissecção da Artéria Vertebral
A lesão mais importante das porções mais distais extracranianas das artérias
vertebrais é a dissecção arterial. As dissecções geralmente envolvem
porções de artérias que são móveis e raramente ocorrem nas origens das
artérias. As artérias vertebrais extracranianas estão ancoradas na sua origem
a partir da artéria subclávia e durante seu curso através do osso dentro do
forâmen intervertebral (porção V2) e na dura-máter no ponto de penetração
intracraniana. Os segmentos curtos móveis entre estas regiões ancoradas
estão mais vulneráveis à ruptura e ao estiramento. As dissecções podem
envolver a porção proximal (V1) das artérias acima de suas origens antes
que elas entrem no forâmen intervertebral em C5 ou C6. A porção distal
extracraniana (V3) é a localização mais comum de dissecção. Este
segmento é relativamente móvel e, assim, vulnerável à ruptura pelo
movimento repentino e estiramento, que pode ocorrer durante a
manipulação de quiropraxia. As dissecções da artéria vertebral distal podem
se estender para a artéria vertebral intracraniana. Os sinais e sintomas são
atribuíveis à isquemia bulbar lateral e cerebelar e são os mesmos
encontrados em pacientes com doença oclusiva da artéria vertebral intracraniana. As dissecções de artéria vertebral extracraniana distal são
frequentemente bilaterais.
FIGURA 9-19
Doença arterial intracraniana vertebral Existem três síndromes específicas das artérias intracranianas vertebrais.
Síndrome Bulbar Lateral
A aterosclerose das artérias vertebrais intracranianas é mais grave na porção
distal das artérias, frequentemente na junção da artéria vertebral-basilar,
algumas vezes estendendo-se dentro da artéria proximal basilar. A estenose
é também comum apenas após a penetração dural. Na maioria das vezes, os
pacientes com doença oclusiva da artéria vertebral intracraniana proximal
se apresentam com características de síndrome bulbar lateral. Os achados
são mais bem compreendidos através da revisão das estruturas no tegmento
bulbar lateral, que está especificamente envolvido.
1. Núcleo e trato espinal descendente do V. Ataques agudos de dor
ocorrem no olho ipsilateral e na face e dormência na face; o exame
confirma a diminuição da sensação de dor e temperatura na face
ipsilateral.
2. Núcleos vestibulares e suas conexões. Sensações de tontura ou
instabilidade do ambiente podem estar presentes; o exame mostra
nistagmo com movimentos oculares rotatórios grosseiros quando se olha
para o lado ipsilateral e nistagmo mais rápido de pequena amplitude
quando se olha contralateralmente.
3. Trato espinotalâmico. Há diminuição da sensação de dor e sensação de
temperatura nos membros e no corpo contralateral; um nível sensitivo
pode estar presente no tronco contralateral com perda da temperatura e
dor no tronco abaixo do nível e na extremidade inferior. A perda de dor e
temperatura podem se estender até a face contralateral quando o trato
trigeminotalâmico cruzado, que se acrescenta medialmente ao trato
espinotalâmico, está envolvido. Raramente, a perda da sensação de dor e
temperatura é totalmente contralateral e envolve a face, o braço, o tronco
e a perna.
4. Pedúnculo cerebelar inferior. Há desvio ou inclinação em direção ao
lado da lesão e incoordenação nos membros ipsilaterais; o exame mostra
hipotonia e manobra de rebote exagerado do braço ipsilateral. Em pé ou
sentados, os pacientes frequentemente se inclinam ou pendem para o
lado da lesão.
5. Tratos e núcleos do sistema nervoso autonômico. Os axônios do sistema
simpático descendente atravessam o bulbo lateral na formação reticular
lateral; a disfunção causa uma síndrome de Horner ipsilateral. O núcleo
dorsal do nervo vago é algumas vezes afetado, levando à taquicardia e
um lábil aumento da pressão arterial.
6. Núcleo ambíguo. Quando o infarto se estende medialmente, ele
frequentemente afeta o núcleo, causando rouquidão e disfagia. A faringe
e o palato estão fracos no lado da lesão fazendo com que os pacientes
algumas vezes retenham comida dentro do recesso piriforme da faringe.
Uma tosse como grito representa uma tentativa de libertar alimentos a
partir desta área.
7. Por vezes, há também fraqueza facial ipsilateral, talvez relacionada com
a isquemia da parte caudal do núcleo do sétimo nervo, logo rostral ao
núcleo ambíguo, ou ao envolvimento de fibras corticobulbares indo em
direção ao núcleo do sétimo nervo.
FIGURA 9-20
8. Pode ser encontrado também o controle respiratório anormal,
especialmente em lesões bulbares laterais bilaterais. A hipoventilação
está provavelmente relacionada com o envolvimento do núcleo do trato
solitário, núcleo ambíguo, núcleo retroambíguo e núcleos parvocelular e
gigantocelular.
Infarto Cerebelar
Outra síndrome clínica comum é o infarto cerebelar na distribuição da
artéria cerebelar inferior posterior, um ramo da artéria vertebral
intracraniana. O infarto cerebelar é muitas vezes difícil de ser
diagnosticado. Os sintomas podem assemelhar-se à labirintite e podem
parecer enganosamente leves. Ataxia na marcha e vômitos são muitas vezes
acompanhados de tonturas.
Infarto Bulbar Medial
Esta terceira síndrome é muito menos comum. A artéria espinal anterior,
suprindo o bulbo medial, origina-se da artéria vertebral intracraniana distal.
A síndrome bulbar medial é caracterizada por uma hemiparesia que afeta o
braço e a perna contralaterais atribuíveis à isquemia da pirâmide bulbar, e
fraqueza ipsilateral da língua e perda contralateral do sentido de posição,
explicado pelo envolvimento do nervo hipoglosso e do lemnisco medial.
Em alguns pacientes com oclusão da artéria vertebral intracraniana, a
isquemia do bulbo medial acompanha o infarto medial lateral, formando a
síndrome hemibulbar. Isso ocorre quando a oclusão da artéria vertebral
intracraniana é extensa e ambos os ramos penetrantes bulbares laterais e da
artéria espinal anterior estão concomitantemente envolvidos. Raramente, o
infarto bulbar medial é bilateral e pode estender-se caudalmente na medula
espinal rostral, causando uma síndrome de quadriparesia difícil de separar
da oclusão da artéria basilar com infarto pontino.
Oclusão da artéria basilar média e proximal
A artéria basilar se forma após a fusão de duas artérias vertebrais
intracranianas na junção bulbopontina. A artéria basilar termina na junção
da ponte e do mesencéfalo. O principal território de fornecimento da artéria
basilar é a ponte, especialmente a base da ponte. O tegmento da ponte tem
um rico suplemento de vasos sanguíneos. As artérias cerebelares superiores na extremidade distal da artéria basilar fornecem suprimento tanto para o
tegmento pontino quanto para o mesencéfalo. A oclusão da artéria basilar
frequentemente causa isquemia na base pontina bilateralmente, algumas
vezes se estendendo dentro do tegmento medial em um ou em ambos os
lados. Os sinais e sintomas neurológicos mais importantes que
acompanham a oclusão arterial basilar são:
1. Paralisia de membros. A paralisia de membros é geralmente bilateral,
mas muitas vezes assimétrica; rigidez, hiper-reflexia e reflexos plantares
extensores são encontrados quando se examina os membros fracos.
Alguns pacientes apresentam hemiparesia, mas o exame mostra fraqueza
e alterações reflexas nos membros contralaterais.
2. Paralisia bulbar ou pseudobulbar. O infarto pode afetar os núcleos
motores cranianos, provocando paralisia da face, boca, faringe, pescoço
ou língua, em um ou em ambos os lados. Os núcleos do 9° ao 12° nervos
estão localizados dentro do tegmento bulbar, que está geralmente abaixo
do nível do infarto. A fraqueza da musculatura craniana inervada por
estes núcleos causa disartria, disfonia, rouquidão, disfagia e fraqueza da
língua. A lesão pontina interrompe as fibras descendentes corticofugais
destinadas para estes núcleos de nervos cranianos. A fraqueza resultante
é referida como pseudobulbar porque envolve as vias descendentes
controlando os núcleos bulbares em vez dos núcleos em si mesmos. São
encontrados reflexos mandibular e faciais exagerados, aumento do
reflexo de vômito, labilidade facilmente induzida, emocionalmente com
riso e/ou choro excessivo. A paralisia dos membros e a bulbar podem ser
tão graves que o paciente não pode se comunicar verbalmente ou por
gestos. Tais pacientes têm sido referidos como tendo síndrome do
encarceramento (Locked-in syndrome) devido à sua perda da função
motora.
FIGURA 9-21
3. Anormalidades nos movimentos dos olhos. O núcleo do sexto nervo, o
fascículo longitudinal medial (FLM) e os centros laterais pontinos de
fixação ocular estão localizados no tegmento pontino paramediano e são
vulneráveis à isquemia nesta região. As lesões no sexto nervo ou no
núcleo causam paralisia da abdução do olho. A lesão do FLM resulta em
perda de adução no olho ipsilateral no olhar fixo direcionado ao lado
oposto e nistagmo da abdução contralateral do olho. Esta síndrome,
chamada de oftalmoplegia internuclear, pode ser bilateral. As lesões do
tegmento pontino paramediano podem também afetar a formação
reticular pontina paramediana (FRPP), o chamado centro de olhar fixo
lateral pontino, que media o olhar fixo para o mesmo lado. A lesão desta
região causa paresia no olhar fixo conjugado ipsilateral. Uma lesão
unilateral pode afetar tanto o FRPP quanto o FLM do mesmo lado
resultando em uma síndrome de “um e meio” porque somente uma
metade do olhar (pontuação 1 para o olhar fixo de cada lado) está
preservada. Nistagmo: os núcleos vestibulares e suas conexões estão
também frequentemente afetados, causando nistagmo vertical e
horizontal. Outros sinais oculares: ptose, pupilas pequenas e inclinação
ocular também são frequentemente encontrados.
4. Coma. Quando a formação reticular está afetada bilateralmente no
tegmento pontino medial, resulta em coma. As anormalidades
cerebelares e sensitivas estão ausentes ou são leves devido ao infarto
normalmente afetar as estruturas nas linhas média e paramedianas na
base da ponte, poupando os tratos espinotalâmicos e o cerebelo. A
circulação colateral ocorre principalmente através de vasos
circunferenciais, que cursam em torno das porções laterais do tronco
encefálico para nutrir a base lateral, o tegmento e o cerebelo. Os
hemisférios cerebelares são principalmente nutridos pela artéria
cerebelar inferior posterior, que se origina antes da artéria basilar e a
artéria cerebelar superior (ACS) que é preservada quando o coágulo da
artéria basilar não se estende à artéria basilar distal.
Embolia do topo da artéria basilar
A oclusão da artéria basilar distal é mais frequentemente causada pela
embolia do coração ou do sistema arterial vertebral proximal. Êmbolos
pequenos o suficiente para passar através das artérias vertebrais raramente
se alojam na artéria basilar proximal, um vaso maior do que cada artéria vertebral intracraniana, mas atingem a artéria basilar distal ou seus ramos
terminais. A artéria basilar distal abastece o mesencéfalo e o diencéfalo
através de pequenos vasos que penetram na substância perfurada posterior.
Os achados em pacientes com embolia do topo da artéria basilar incluem:
1. Anormalidades pupilares. A lesão frequentemente interrompe o arco
reflexo ascendente interferindo com as fibras indo em direção ao núcleo
Edinger-Westphal. O núcleo do terceiro nervo também pode estar
envolvido, assim como o sistema simpático descendente rostral. As
pupilas estão geralmente anormais e podem estar pequenas, em posição
média, ou dilatadas, dependendo do nível e do grau da lesão. A
diminuição da reatividade pupilar e a forma excêntrica ou oval da pupila
também podem ser encontradas.
FIGURA 9-22
2. Anormalidades no movimento do olho. A paralisia do olhar para cima
ou para baixo é comum. Os olhos também podem estar inclinados e
desviados em repouso, na maioria das vezes para baixo e para dentro.
Outras anormalidades oculomotoras observadas são hiperconvergência,
nistagmo retratório e pseudoparesia do nervo VI. A abdução ocular
reduzida em pacientes com pseudoparesia do nervo VI é explicada pela
hiperadução do olho. O vetor de adução neutraliza o movimento de
abdução e assim a abdução fica incompleta. A lesão é muito rostral ao
núcleo ou fibras do sexto nervo.
3. Diminuição do estado de alerta. Hipersonolência ou coma franco podem
resultar da disfunção encefálica rostral paramediana bilateral. Após a
fase aguda, o paciente pode permanecer relativamente inerte e apático.
Alguns pacientes dormem por muitas horas por dia a menos que
estimulados ou persuadidos a atividades.
4. Perda de memória. Os pacientes são incapazes de formar novas
memórias e podem não ser capazes de recordar eventos que precedem o
AVE. Há frequentemente outras anormalidades comportamentais,
incluindo agitação, alucinações e anormalidades que imitam as lesões no
lobo frontal.
Infartos no tálamo
O tálamo é suprido por artérias que surgem próximas ou na bifurcação da
artéria basilar e a partir das artérias cerebrais posteriores proximais. A
artéria talamotuberal (polar) surge de cada lado a partir do terço médio da
artéria comunicante posterior e supre os núcleos talâmicos anteromedial e
anterolateral. O infarto talâmico anterolateral unilateral na distribuição da
artéria polar de cada lado geralmente causa abulia, assimetria facial,
anormalidades motoras contralaterais transitórias mínimas e, às vezes,
afasia (lesões à esquerda) ou negligência visual (lesão à direita). A
anormalidade predominante é a abulia, com lentidão, diminuição da
quantidade de atividade e expressão e longos atrasos nas respostas às
perguntas ou conversação. A memória também pode estar afetada.
As artérias talâmicas-subtalâmicas (também chamadas de perfurantes do
tálamo) se originam a partir das artérias cerebrais posteriores proximais e
suprem principalmente a porção posteromedial do tálamo próxima à
comissura posterior. As artérias à direita e à esquerda geralmente surgem
separadamente, mas podem se originar de uma única artéria unilateral ou pedículo comum. As lesões unilaterais são geralmente caracterizadas por
paresia do olhar vertical (para cima ou tanto para cima quanto para baixo) e
pela amnésia. Os sinais e sintomas sensitivos e motores estão ausentes. A
perda da memória pode ser grave, com profunda dificuldade em formar
novas memórias e decodificar eventos recentes, particularmente em lesões
bilaterais. A amnésia frequentemente melhora em 6 meses em pacientes
com infartos unilaterais. O infarto talâmico posterior paramediano bilateral
em forma de borboleta pode resultar de uma oclusão no ramo de uma única
artéria ou pedículo que supre e causa hipersonolência e paralisia de terceiro
nervo bilateral.
O grupo de artérias talamogeniculadas surge das artérias cerebrais
posteriores para suprir o tálamo ventrolateral, uma área que inclui o núcleo
somatossensitivo (ventral posterior lateral e ventral posterior medial) e os
núcleos ventral lateral e ventral anterior. Os achados em pacientes com
infartos talâmicos laterais são sintomas hemissensitivos contralaterais
acompanhados por ataxia do membro contralateral. Às vezes, movimentos
hemicoreicos do braço contralateral se desenvolvem, e a mão pode assumir
uma postura “talâmica”. Alguns pacientes têm hemiparesia transitória no
início, que melhora rapidamente.
FIGURA 9-23
A oclusão de ramos das artérias talamogeniculadas que irrigam os
núcleos somatossensitivos é responsável pela maioria dos pacientes com AVE puramente sensitivo (sintomas hemissensitivos ou sinais sem outras
anormalidades). Os infartos são geralmente menores do que aqueles
encontrados em pacientes com síndrome talâmica lateral. A oclusão dos
ramos talâmicos geniculares ocasionalmente provoca uma síndrome
conhecida como AVE sensitivo-motor que é caracterizada por sinais e
sintomas sensitivos de AVE puramente sensorial, acompanhada por paresia
e sinais piramidais envolvendo os mesmos membros.
As artérias corioideas posteriores se originam das artérias cerebrais
posteriores e cursam para a frente de rostral para caudal no tálamo. As
artérias corioideas posteriores laterais abastecem principalmente o pulvinar,
uma porção do corpo geniculado lateral, e então retornam ao redor da
porção superior do tálamo para abastecer o núcleo anterior. As artérias
mediais suprem a habênula, o pulvinar anterior e partes do núcleo centro
mediano e núcleos paramedianos. Hemianopia, sintomas hemissensitivos e
anormalidades de comportamento podem ocorrer em pacientes com infartos
no território da artéria coroidal posterior.
Artérias cerebrais posteriores
As artérias cerebrais posteriores são os ramos terminais principais da artéria
basilar. A doença ateromatosa intrínseca da ACP afeta mais frequentemente
a origem do vaso. Na maioria das vezes, infartos no território da ACP são
causados por êmbolos para a circulação posterior.
Depois de soltar ramos penetrantes ao mesencéfalo e ao tálamo, as
artérias cerebrais posteriores fornecem ramos para os lobos occipitais e
porções medial e inferior dos lobos temporais. O infarto nos territórios
vertebrais das artérias afeta mais frequentemente a visão e a sensação
somática, mas raramente causa paralisia. O achado mais comum é a
hemianopia causada por infarto do córtex visual estriado nas margens do
sulco calcarino ou por interrupção do trato geniculocalcarino, uma vez que
ele se aproxima do córtex visual. Se somente a margem anterior do sulco
calcarino estiver envolvida, o giro lingual resulta em um defeito no campo
do quadrante superior. Uma quadrantanopia inferior resulta se a lesão afetar
o cúneo na margem superior da fissura calcarina. Quando o infarto é restrito
ao córtex estriado e não se estende dentro do córtex lateral adjacente, o
paciente está plenamente consciente da perda do campo visual.
As anormalidades somatossensitivas também são comuns. O tálamo
lateral é o local dos principais núcleos de revezamento somatossensitivas, o
núcleo ventral posteromedial e núcleo lateral. A isquemia nestes núcleos ou
tratos de substância branca que carregam fibras do tálamo para o córtex
somatossensitivo produz sinais e sintomas sensitivos, geralmente sem
paralisia. Os pacientes relatam parestesias ou dormências na face, membros
e tronco. A combinação da perda hemissensitiva e da hemianopia sem
paralisia é virtualmente diagnóstica de infarto no território da artéria
cerebral posterior. Raramente, a oclusão da porção proximal da artéria pode
causar uma hemiplegia. Ramos penetrantes da artéria cerebral posterior
proximal penetram no mesencéfalo para abastecer o pedúnculo encefálico.
As anormalidades cognitivas e comportamentais são também comuns.
Quando o território da artéria cerebral esquerda infarta, os pacientes podem
perder a capaci-dade de ler, apesar de manter a capacidade de escrever e
soletrar. A afasia anômica e a perda de memória também são comuns.
Quando o território da artéria cerebral posterior direita está envolvido, pode
se desenvolver a desorientação de localização.
Quando o território da artéria cerebral posterior está infartado
bilateralmente, como pode ocorrer com êmbolos, a maioria dos achados
comuns são cegueira cortical, amnésia e delírio com agitação.