Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Depressão Pós-parto

FIGURA 4-3

 

Depressão Pós-parto

O período pós-parto está definido claramente como um tempo de maior

vulnerabilidade à doença psiquiátrica em mulheres; até 85% das mulheres experimentam algum tipo de transtorno do humor depois do parto. A

maioria dessas mulheres manifesta sintomas de humor transitórios e

relativamente brandos (“tristeza”); entretanto, cerca de 10% a 15% das

mulheres sofrem uma forma mais incapacitante e persistente de transtorno

do humor, seja depressão pós-parto (DPP) ou psicose pós-parto. Embora a

doença psiquiátrica pós-parto tenha sido inicialmente conceitualizada como

um grupo de transtornos especificamente relacionados com o parto,

evidências mais recentes sugerem que a doença afetiva que se manifesta no

período puerperal é clinicamente indistinta da doença afetiva que ocorre em

outros momentos durante a vida de uma mulher. Na verdade, a maioria das

mulheres com a doença pós-parto também apresentará episódios de humor

não relacionados com a gravidez ou o parto.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (i.e., DSM-

IV) não cita os transtornos psiquiátricos pós-parto separadamente, mas sim

emprega um especificador, por exemplo, “com início no pós-parto” para

descrever qualquer episódio depressivo, maníaco ou misto (no transtorno

depressivo, transtorno bipolar ou transtorno psicótico breve) quando o

episódio ocorre nas primeiras quatro semanas que se seguem ao parto.

Embora o risco de doença psiquiátrica pós-parto seja maior nas primeiras

quatro semanas depois do parto, vários estudos diferentes indicam que as

mulheres permanecem em risco muito alto de sofrer doença afetiva durante

os primeiros três meses depois do parto. Na verdade, as mulheres

permanecem nesse risco maior até um ano depois do parto. Assim, muitos

especialistas definem doença psiquiátrica pós-parto como qualquer

episódio que ocorra no primeiro ano depois do parto.

 

Tristeza pós-parto

Durante a primeira semana depois do nascimento de um filho, muitas

mulheres experimentam um período breve de instabilidade emocional,

comumente referida como tristeza pós-parto ou “melancolia pós-parto”

(baby blues). Considerando-se a prevalência desse tipo de transtorno do

humor, talvez seja mais correto considerar a tristeza como uma experiência

normal associada ao nascimento em vez de um transtorno psiquiátrico.

Mulheres com tristeza pós-parto relatam uma variedade de sintomas,

incluindo um humor rapidamente flutuante, tendência a chorar, irritabilidade e ansiedade. Esses sintomas tipicamente chegam a um pico no

quarto ou quinto dia depois do parto e podem durar alguns dias, cedendo

espontaneamente em duas semanas no pós-parto.

 

Depressão pós-parto

Cerca de 10% a 15% das mulheres apresentarão sintomas depressivos mais

significantes ou depressão pós-parto depois do nascimento do bebê.

Diferente da tristeza, a DPP é mais difusa e pode interferir

significativamente com o funcionamento materno e com os cuidados do

bebê. Em termos clínicos, um episódio de DPP é indistinto de outros tipos

de episódios depressivos maiores, com sintomas de humor deprimido,

irritabilidade, perda de interesse nas atividades usuais, transtorno do sono e

fadiga. As mulheres acometidas com frequência expressam sentimentos

ambivalentes ou negativos em relação ao bebê e podem expressar dúvidas a

respeito da sua própria capacidade de cuidar da criança. Sintomas de

ansiedade podem ser proeminentes nessa população, e as mulheres podem

apresentar ansiedade generalizada comórbida, transtorno do pânico ou

transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

 

Psicose pós-parto

Trata-se da forma mais grave de doença psiquiátrica pós-parto. É um

evento raro que ocorre em aproximadamente 1 a 2 em 1.000 mulheres

depois do parto. O quadro geralmente é grave, com início precoce dos

sintomas, tipicamente nas duas primeiras semanas no pós-parto. Estudos

longitudinais indicam que a maioria das mulheres com psicose puerperal

sofre de transtorno bipolar, e os sintomas dessa psicose se assemelham

mais claramente aos de um episódio maníaco de evolução rápida ou misto.

Os sinais mais precoces são inquietação, irritabilidade e insônia, seguidos

por um humor instável entre depressão e euforia, desorientação ou

confusão e comportamento desorganizado. Pensamentos delirantes são

comuns e com frequência centrados no bebê.

 

Tratamento Na medida em que a tristeza é tipicamente branda e cede por si mesma,

nenhum tratamento específico é necessário. O tratamento da depressão pós-

parto depende da sua gravidade. Casos mais brandos podem responder à

psicoterapia, enquanto sintomas depressivos mais graves são tratados

melhor com uma combinação de psicoterapia e medicação. Nesse contexto,

antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são

mais comumente usados por serem mais eficazes tanto para depressão

quanto para ansiedade e são compatíveis com a amamentação. A psicose

puerperal é uma emergência psiquiátrica e tipicamente requer

hospitalização. Os sintomas são tratados com uma combinação de

medicações antipsicóticas, benzodiazepinas e estabilizadores do humor. A

terapia eletroconvulsivante (TEC) pode ser útil para tratar psicose ou

depressão pós-parto grave.