Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Deficiência do Hormônio Anterior da Hipófise

Deficiência do Hormônio Anterior da

 

Hipófise

Existem seis tipos de células secretores presentes na adenoipófise, incluindo

somatotropina (sintetizando hormônio de crescimento), lactotrofos

(produzindo prolactina), mamosomatrotofos (sintetizando prolactina e

hormônio do crescimento), tireotrofos (produzindo tireotropina),

corticotrofos (sintetizando corticotropina) e gonadotrofos (sintetizando os

hormônios folículo estimulante e luteinizante). A síntese e liberação desses

hormônios são bem orquestradas sob influência dos hormônios

hipotalâmicos (a maioria é estimulante e alguns são inibitórios) assim como

mecanismos de feedback negativo sistêmicos (endócrinos), com o objetivo

de manter o controle homeostático.

Uma variedade de condições pode causar disfunção do hipotálamo ou

hipófise, levando à perda seletiva ou total, parcial ou completa, aguda ou

crônica da secreção hormonal andenoipofisária (hipopituitarismo anterior).

Qualquer lesão que ocupe espaço atingindo a hipófise anterior, a haste ou o

hipotálamo pode levar ao hipopituitarismo. Em adultos, a lesão de massa

mais comum na região da sela é o adenoma hipofisário benigno. Entretanto,

muitas outras neoplasias (incluindo craniofaringioma, meningioma,

cordoma, metástases ou linfoma), lesões císticas (incluindo cisto da fenda

de Rathke ou cisto aracnoide), infiltrativas (hemocromatose), distúrbios

inflamatórios (hipofisite, sarcoidose) ou infecciosos, aneurisma, infarto,

sela vazia primária, radioterapia, trauma, cirurgia ou condições genéticas

podem causar o hipopituitarismo. A causa subjacente do hipopituitarismo

pode influenciar os padrões de perdas hormonais. A deficiência de

gonadotrofina e do hormônio do crescimento tende a ocorrer primeiramente

em pacientes com adenomas hipofisários, ou naqueles que receberam

radioterapia ao hipotálamo e sela, enquanto as funções da tireotropina e

corticotropina tendem a ser poupadas até o curso desenrolar dessa condição.

Em contraste, a deficiência de corticotropina e tireotropina frequentemente

ocorre primeiro em paciente com hipofisite linfocítica.

Deficiência em gonadotrofina apresenta-se como uma falha no

desenvolvimento puberal em adolescentes, que geralmente desenvolvem

hábito eunucoides. Se a deficiência de gonadotrofina se estabelece na idade adulta, inclui oligomenorreia ou amenorreia em mulheres, e disfunção erétil

em homens. Além disso, podem ocorrer diminuição da libido e infertilidade

em pacientes de ambos os sexos. Os pacientes também podem sofrer perda

de pelos pelo corpo (particularmente na presença da deficiência

corticotrópica concorrente), enrugamento facial, perda do cálcio ósseo

levando ao aumento do risco de fraturas e ondas de calor. Mulheres também

podem sofrer de atrofia mamária, ressecamento vaginal e dispareunia.

Homens podem notar perda de vigor, aumento de gordura corporal,

diminuição da massa magra e diminuição do tamanho testicular. Deficiência

de prolactina pode resultar na falência de lactação pós-parto. Deficiência do

hormônio de crescimento leva à diminuição linear do crescimento se

ocorrida na infância ou adolescência. Na idade adulta, a perda da secreção

do hormônio do crescimento é mais súbita, porém pode estar associada à

fadiga, diminuição da capacidade física e força muscular, composição

anormal do corpo (diminuição da massa magra, perda de cálcio ósseo e

ganho de gordura corporal), dislipidemia, resistência a insulina, aumento do

risco cardiovascular e baixa qualidade de vida.

Deficiência de tireotropina leva ao hipotireoidismo central, incluindo

fadiga, letargia, ganho de peso, bradicardia, pele seca, mixedema, anemia,

constipação, dor muscular, diminuição da fase relaxante do reflexo de

Aquiles e intolerância ao frio.

Deficiência de corticotropina leva ao hipoadrenocorticismo, que é

potencialmente a deficiência hormonal hipofisária com maior risco de vida

de todas. Esses pacientes geralmente demonstram fadiga, perda de peso,

náuseas e vômitos, hipotensão ortostática e tontura, e artralgias difusas. É

visível a falta de hiperpigmentação cutânea e de mucosas, em contraste com

os pacientes com insuficiência adrenal primária (doença de Addison). Esses

pacientes podem apresentar de forma aguda, com choque que não é

responsivo à expansão e pressão de volume. Podem estar presentes a

eosinofilia e hiponatremia. Entretanto, a hipercalemia está ausente, pois a

deficiência de aldosterona não ocorre.

Uma vez diagnosticada, são instituídas terapias de reposição hormonal

aos órgãos-alvo. Em particular, reposição de glicocorticoide pode salvar

vidas de pacientes apresentando crise adrenal, levotiroxina é usada para

repor hipotireoidismo central, e a reposição do esteroide sexual é usada em

pacientes com hipogonadismo central. Entretanto, se interessa a fertilidade, é usada a terapia com gonadotrofina, incluindo hormônios gonadotrofina

coriônica humana e folículo estimulante. Reposição do hormônio do

crescimento também pode ser considerada. Apesar das aparentes terapias de

reposição adequadas, pacientes com hipopituitarismo estão sob alto risco de

mortalidade cardiovascular, as razões relacionadas ainda estão sob debate.

FIGURA 5-30