Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Atendimento Emergencial e Avaliação e Exame Neurológicos
Atendimento Emergencial e Avaliação e
Exame Neurológicos
Atendimento e avaliação emergencial
As muitas causas do coma estão descritas em outro local neste atlas
(Seção 9; Seção 11; Seção 12; e Seção 14). Cuidados imediatos independem
da causa da diminuição da consciência, devem incluir atenção à adequação
da ventilação espontânea e pressão sanguínea para manter a homeostase.
Depois disso, o tratamento emergencial dos pacientes comatosos é seguido
do diagnóstico preciso que depende da anamnese, achados de exames
(incluindo sinais e evolução de sintomas neurológicos), e acompanhamento
de problemas não neurológicos.
Escalas do Coma
O escore da escala de Glasgow (Seção 14, Fig. 14-15) para melhor resposta
motora nos membros superiores e inferiores é classificado em uma escala
de 1 (nenhuma reposta) a 6 (paciente obedece a comandos). Se não há
resposta ou uma reação incompleta ao estímulo verbal, é aplicado um
estímulo nocivo, preferencialmente ao lado medial de braços e pernas, para
diferenciar uma resposta localizada de postura anormal flexora e extensora.
Se o paciente se move em direção (em vez de fugir) do estímulo nocivo, a
reposta não é consistente quanto à localização. A reação do paciente é
classificada como movimento de afastamento com localização da dor
(escore 5), movimentos de afastamento sem localização da dor (4), flexão
anormal (3), extensão anormal (2) e nenhuma resposta (1). Uma localização
da resposta indica que os estímulos, em mais de um local, fazem com que o
membro mova-se como tentativa de retirar o mesmo. Uma resposta flexora
no membro superior pode variar de retirada rápida, associada à abdução do
ombro, a uma decorticação lenta de postura, com adução do ombro. Uma
resposta extensora é anormal e geralmente associada à adução, rotação
interna do ombro e pronação do antebraço. Geralmente nenhuma resposta
está associada a hipotonia. O escore da escala de coma de Glasgow sozinha
não é uma avaliação adequada para a função do tronco encefálico. Além
disso, não avalia os sinais vitais (pressão sanguínea, frequência cardíaca,
temperatura corporal, açúcar sanguíneo), habilidade de proteger a via respiratória e liberar qualquer obstrução na via respiratória (tosse e
engasgo), e sugestão que o suporte ou intervenção é necessária para
recuperar a homestasia. Um novo sistema FOUR (Full Outline of Un
Responsiveness Scoring) mede a diminuição da consciência e resposta
específica do tronco encefálico (Fig. 6-4). As quatro variáveis avaliadas são
a resposta motora, reflexos do tronco encefálico, resposta ocular e padrão
respiratório. Além disso a sigla reflete o número de categorias e o número
máximo de pontos potenciais em cada categoria.
Após avaliação imediata, o próximo passo é iniciar as intervenções
emergenciais necessárias para a vida do paciente. Por exemplo, devem ser
garantidos uma via respiratória adequada e um posicionamento de acesso
intravenoso. Se o paciente está hipoventilando, deve ser considerada
intubação endotraqueal com respiração mecânica assistida. Bolus de fluido
intravenoso e vasopressores devem ser necessários para tratamento da
hipotensão. Amostras de sangue devem ser coletadas para exames de
eletrólitos, glicose, toxicológicos, de sangue arterial ácido-básico e de gases
sanguíneos. O soro é preservado para futuros estudos se necessário. Quando
testes auxiliares apresentam o paciente com hipoglicemia, devendo ser
administrado bolus intravenoso de dextrose. Se há suspeita de uso abusivo
de narcótico ou se o paciente não responde às medidas de suporte, pode ser
administrado via intravenosa um antagonista de receptor opioide, como a
naloxona.
FIGURA 6-4
Em seguida, após qualquer tratamento imediato necessário, são
realizadas algumas etapas para determinar a causa do coma com uma anamnese profunda e completa, e investigação apropriada. A família,
amigos ou médicos do paciente geralmente podem fornecer informações
úteis ao diagnóstico. A consulta pode indicar um histórico de diabetes;
doença renal, hepática ou cardíaca anterior; depressão grave; uso ou uso
abusivo de drogas. É importante saber quais medicações prescritas foram
usadas e se o paciente manifestou algum sintoma prodromal, como dor de
cabeça, fraqueza unilateral e ataxia, ou episódios de estupor anteriores.
Exame neurológico
É importante realizar com cuidado exames físicos e neurológicos. Avaliação
dos movimentos espontâneos de membros e bulbares, reações pupilares,
movimentos oculares e reposta a estímulos dolorosos, geralmente indicam o
nível da lesão encefálica causando o coma. Se o paciente é capaz de piscar,
bocejar, lamber e engolir, que são reflexos complexos do tronco encefálico,
as funções do tronco encefálico inferior estão preservadas.
Tamanho pupilar depende do equilíbrio entre a função simpática (fibras
simpáticas descendentes cursam no tegmento lateral do tronco encefálico) e
parassimpática (fibras parassimpáticas acompanham o nervo oculomotor
[nervo craniano III] no mesencéfalo).
Reação pupilar depende do estímulo luminoso aferente, atingindo o
colículo superior, assim como a transmissão eferente através do nervo
oculomotor. O reflexo luminoso está localizado no diencéfalo e
mesencéfalo.
Movimentos oculares são observados pela abertura das pálpebras
superiores e pela atenção espontânea. Quando a cabeça está rotacionada
para um lado — uma manobra para ser realizada somente na certeza de que
a medula cervical não está danificada — os olhos devem se mover
totalmente e no eixo em direção contrária, se os centros oculomotor e
vestibular do tronco encefálico estiverem bem preservados (fenômeno de
olhos de boneca, ou reflexo óculo-cefálico). Quando a cabeça é movida
para a direita, os olhos se movem conjugadamente para a esquerda; quando
a cabeça é movida para baixo, os olhos devem ir para cima. Água gelada
introduzida no canal auditivo, com a cabeça do paciente elevada em 30°,
deve evocar movimentos oculares conjugados na direção do lado do
estímulo (reflexo vestíbulo-ocular). Nesta posição, o canal semicircular horizontal está na posição vertical, e a endolinfa cai no canal, diminuindo,
assim, a taxa de disparo vestibular aferente. Os olhos se viram na direção
ipsilateral da orelha, com nistagmo horizontal à orelha contralateral. O
reflexo dos movimentos oculares horizontais é controlado pelos nervos
oculomotor, troclear (nervo cranial IV) e abducente (nervo cranial VI) e
seus núcleos; o fascículo longitudinal medial e a formação reticular
parapontina (centro lateral pontino do olhar); e núcleo vestibular e nervos
(nervo cranial VIII). Todas essas estruturas estão localizadas dentro do
tegmento pontino. Movimentos verticais são controlados pelos centros no
mesencéfalo rostral e diencéfalo caudal.
Por último, movimentos espontâneos de membros devem ser observados.
Se ausentes, é apropriada uma avaliação para resposta a estímulos nocivos.