Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Schwannomas Vestibulares
FIGURA 12-13
Schwannomas Vestibulares Schwannomas vestibulares são tumores derivados das células de Schwann
que cercam a porção vestibular do oitavo nervo craniano. Eles são
conhecidos por muitos nomes diferentes, incluindo neuromas acústicos,
schwannomas acústicos, neurinomas acústicos e neurilemomas vestibulares.
São mais comuns em adultos e constituem a maioria absoluta dos tumores
encontrados no ângulo pontocerebelar (APC). A idade média do
diagnóstico é de aproximadamente 50 anos de idade e a maioria dos
tumores é unilateral. Schwannomas vestibulares bilaterais ocorrem apenas
em pacientes com um diagnóstico subjacente de neurofibromatose do tipo-2
(NF-2), um distúrbio genético que predispõe a uma variedade de tipos
tumorais. Schwannomas vestibulares são muito raros em crianças,
geralmente ocorrendo em associação a NF-2.
Histologicamente, schwannomas vestibulares parecem muito
semelhantes aos schwannomas periféricos. Em um nível microscópico, são
zonas de celularidade densas e escassas, identificadas como áreas Antoni A
e B, respectivamente. Tipicamente são benignos, sendo que a transformação
maligna é uma ocorrência muito rara.
Manifestações Clínicas
Os sinais clínicos e sintomas resultam do envolvimento do nervo craniano
ou do efeito de massa sobre o cerebelo e outras estruturas da fossa posterior.
O início dos sintomas geralmente é insidioso, considerando-se a velocidade
de crescimento lenta destes tumores. Quase todos os pacientes apresentam
perda auditiva e tinido, secundários ao envolvimento do nervo coclear,
embora os pacientes possam não estar necessariamente cientes de seus
déficits. Em um estudo com 1.000 pacientes, foi constatado que 95% dos
pacientes apresentavam perda auditiva, mas apenas dois terços destes
reconheciam suas limitações. Raramente, os pacientes apresentam um início
agudo de perda auditiva secundária à compressão do suprimento vascular
para o nervo coclear. Mais de metade dos pacientes também apresentará o
envolvimento do nervo vestibular com queixas de instabilidade da marcha.
Embora vertigem real seja rara, considerando o início lento dos sintomas, os
pacientes podem se queixar de tontura inespecífica. Uma minoria dos
pacientes apresentará envolvimento do trigêmeo que produz sintomas
variando de dormência facial a nevralgia do trigêmeo. O envolvimento do sétimo nervo craniano é raro, mas pode ocorrer com o início de fraqueza
facial, espasmo hemifacial ou perturbação do paladar. Finalmente, o efeito
de massa do tumor pode causar vários tipos de disfunção neurológica. A
compressão do cerebelo pode resultar em ataxia e a interrupção dos nervos
cranianos mais baixos pode causar disartria, disfagia e aspiração. O
envolvimento do tronco encefálico pode provocar hidrocefalia, coma e até
mesmo morte.
Estudos Diagnósticos
Quando for levantada suspeita de um schwannoma vestibular, uma
audiometria pura de som e fala deve ser realizada como teste de triagem
inicial. Tipicamente, os resultados revelarão perda auditiva assimétrica,
especialmente com altas frequências. A discriminação da fala é reduzida na
orelha afetada e geralmente é desproporcional à perda auditiva medida.
Outra medida de triagem usada é a resposta evocada do tronco encefálico,
que detecta um retardo no lado afetado. Contudo, apresenta uma
sensibilidade e especificidade relativamente baixas em comparação com as
imagens de ressonância magnética (RM), especialmente nas lesões
menores. Portanto, a RM tornou-se a modalidade diagnóstica de escolha
quando há suspeita de um schwannoma vestibular. A especificação de
cortes finos (cortes de 3 mm ou menos) pelo meato acústico interno (MAI)
pode aumentar ainda mais a sensibilidade e a especificidade. Exames de
tomografia computadorizada (TC) com janelas ósseas também são úteis
porque a extensão do crescimento tumoral no MAI tem importância
prognóstica. Deve-se observar que o diagnóstico de schwannoma vestibular
é baseado na história clínica (perda auditiva assimétrica) em conjunto com a
audiometria e a imagem, porque constituem a maioria das lesões da fossa
posterior que se comportam desta maneira. Estas lesões raramente são
submetidas à biópsia. Entretanto, também devem ser considerados os
meningiomas, schwannomas de outros nervos cranianos, hemangiomas,
gliomas, tumores metastáticos, aneurismas e cistos aracnóideos.
FIGURA 12-14
Tratamento A história natural dos schwannomas vestibulares é muito variável, com
alguns tumores apresentando pouco a nenhum crescimento e outros
aumentando com muita rapidez. O principal tratamento é a cirurgia, que é
potencialmente curativa após a ressecção macroscópica total. Geralmente
são usadas três abordagens-padrão: retromastóidea suboccipital
(retrossigmoide), translabirintina e fossa média. A escolha de uma
abordagem particular depende do tamanho do tumor e da tentativa ou não
de preservar a audição. A abordagem translabirintina é reservada a tumores
medindo 3 milímetros ou menos quando a preservação da audição não for
um problema, enquanto a abordagem pela fossa média tenta preservar a
audição e ao mesmo tempo ressecar tumores de 1,5 milímetro ou menos. A
morbidade cirúrgica inclui perda auditiva, fraqueza facial, disfunção
vestibular, fístula liquórica e cefaleias persistentes.
A abordagem retromastóidea suboccipital pode ser usada para tumores de
qualquer tamanho, com ou sem tentativa de preservar a audição. Esta
técnica permite a visualização completa do tumor e das estruturas
importantes localizadas medial e lateralmente a ele no campo cirúrgico. Em
geral, é feita uma incisão na ponta do processo mastoide. Após a separação
dos músculos subjacentes, uma abertura óssea é efetuada, estendendo-se
lateralmente até o seio sigmóideo. O cirurgião cuidadosamente tenta
preservar os planos da aracnoide sobre o tumor, para proteger os nervos
cranianos delicados e o tronco encefálico. À direita, o quinto nervo craniano
e a veia petrosa são observados; na direção da porção mais baixa do campo,
os nervos glossofaríngeo (IX), vago (X) e acessório (XI) são visíveis.
Quando o tumor cresce na porção posterior do canal, o nervo facial tende
a ser empurrado para frente. Conhecer esta relação é importante para
preservar o nervo facial, que fica muito achatado e geralmente bastante
aderente na porção imediatamente medial ao meato acústico interno. O
nervo vestibular, a partir dos quais o tumor é originado, deve ser
seccionado. Se a audição ainda não tiver sido lesionada de modo
irreversível, pode-se tentar preservar a audição minimizando-se a
manipulação do nervo coclear e protegendo-se a artéria do labirinto, que
pode ser uma fonte de suprimento sanguíneo para o tumor. A artéria
cerebelar inferior anterior, que supre a porção lateral do tronco encefálico e
dos pedúnculos cerebelares, é outra estrutura importante na qual o cirurgião
deve prestar atenção.
Com um tumor maior, a cápsula é esvaziada em um estágio inicial para
facilitar a manipulação atraumática. No segundo desenho acima, o
complexo do IX, X e XI nervos cranianos é visível, passando pelo forame
jugular com o seio sigmóideo associado. O desenho inferior à direita ilustra
a visão após o tumor ter sido excisado. A artéria do labirinto foi preservada
e a relação dos quatro nervos principais do canal é observada. Considerando
a possibilidade de uma fístula liquórica, o canal lateral é tamponado com
gordura e cera óssea.
Para pacientes que não sejam candidatos a cirurgia, a radiocirurgia
estereotáxica (RCE) e radioterapia estereotáxica fracionada são usadas. A
radiocirurgia estereotáxica focaliza os feixes em uma dose única para um
volume tumoral distinto como tentativa de diminuir o risco de lesão das
estruturas vizinhas. Uma grande série documentou uma taxa de controle
tumoral de 97% em 10 anos com RCE. A radiação estereotáxica fracionada
focaliza a radioterapia em uma série de tratamentos para minimizar o risco
de lesão das estruturas críticas. Um estudo prospectivo comparando RCE e
a radioterapia estereotáxica documentou uma taxa de controle tumoral de
97% para os dois tratamentos, com maior taxa de preservação auditiva após
a radioterapia estereotáxica fracionada. As possíveis preocupações da
radioterapia consistem no risco de lesão do nervo craniano, formação de
tumor secundário e cicatrização, tornando futuras cirurgias mais precárias.
Finalmente, o tratamento conservador é usado em pacientes selecionados,
especialmente naqueles com tumores sintomáticos pequenos ou que sejam
considerados candidatos inadequados para intervenção imediata. Nestes
pacientes, o monitoramento atento com vigilância por RM é justificado.