Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Testes para defeitos da função cortical superior

Testes para defeitos da função cortical

 

superior

É útil testar funções que possam estar localizadas em regiões encefálicas

individuais porque as anormalidades nesses testes podem ajudar a localizar

um defeito neuroanatômico e sugere, portanto, uma etiologia específica. A

triagem de distúrbios da função cortical superior pode ser completada

dentro do contexto de uma visita ao consultório, enquanto os exames

extensos podem levar várias horas.

 

Teste de Função da Linguagem

Julgue a fluência da linguagem do paciente. Note se é uma linguagem que

demonstra esforço ou não, e se há fonemas ditos erroneamente ou erros

gramaticais. Avalie a compreensão testando a capacidade do paciente de

seguir comandos simples ou complexos Determine se ele é capaz de repetir,

ler, escrever e nomear. Alguns pacientes podem expressar-se bem e

entender o que é dito, ainda assim têm um problema de linguagem.

Abordagens mais sensíveis que poderiam provar ser úteis nesse quadro

incluem contar quantos animais o paciente pode nomear em 1 minuto (um

teste de fluência semântica).

Na maioria das vezes, a linguagem é um domínio cognitivo relativamente

mediado pelo encéfalo esquerdo, portanto a incapacidade de realizar

qualquer dessas tarefas indica disfunção da região perissilviana do

hemisfério encefálico dominante, geralmente o esquerdo.

 

Teste de Memória

Com frequência, a memória é pensada como de curto versus longo prazo,

mas esses são termos potencialmente enganosos. O que é referido como

memória de curto prazo é realmente a memória mantida em

“armazenamento intermediário”, particularmente os córtices pré-frontais

posterolaterais. A memória de longo prazo é a informação armazenada no

“hard drive” do encéfalo, que requer a função das estruturas temporais

mediais, como o hipocampo. Esses diferentes problemas podem ser

distinguidos dando ao paciente informações para codificar, assegurando que essas informações tenham entrado na memória de armazenamento

intermediário, e depois distrair o paciente.

Mais tarde, determine se as informações ainda estão disponíveis para o

paciente. A boa preservação e o fácil acesso às informações sugerem

“retenção” de memória intacta, enquanto a boa preservação que requer

dicas sugere um déficit de “recuperação”.

 

Teste de Funções Visuoespaciais

Peça ao paciente para desenhar um relógio, uma casa, uma margarida ou

uma bicicleta, e verifique sua organização, angulação e assimetria. Além

disso, peça-lhe para copiar um desenho simples. Se os desenhos indicarem

orientação visuoespacial anormal, o paciente pode ter uma lesão no

hemisfério cerebral direito.

 

Teste de Capacidade de se Concentrar

Peça ao paciente para recitar ao contrário uma série de números ou subtrair

7 de 100 em séries. Observe também o seu grau de alerta e orientação,

modo de se vestir e arrumação pessoal, e note se ele é feliz, triste ou

indiferente e como se relaciona com os outros. Essas observações objetivas

são uma parte importante de um exame neurológico completo.

 

Teste de Função Executiva

Determine se o paciente pode mudar de um jogo para outro, realizar ações

em sequência, pensar de maneira abstrata e calcular. Por exemplo, perguntar

ao paciente quanto é: “uma moeda de vinte e uma de cinco centavos e duas

de cinco centavos” faz a triagem de várias dessas habilidades. A disfunção

executiva sugere uma lesão do córtex pré-frontal posterolateral, ou uma

desconexão entre essa área e outras regiões cerebrais.