Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Cefaleia Pediátrica

FIGURA 13-9

 

Cefaleia Pediátrica Aproximadamente 2% a 5% das crianças em idade pré- escolar e 10% das

crianças em idade escolar desenvolvem cefaleias importantes, incluindo

enxaqueca. Em crianças, em comparação aos adultos, estas cefaleias

tendem a apresentar duração mais curta e geralmente exibem uma

localização bifrontal ou bitemporal. A aura visual típica da enxaqueca pode

não ser observada até depois dos 9 anos de idade. Vômitos, dor abdominal e

doença do movimento são sintomas frequentes em crianças com enxaqueca.

A duração destes episódios também pode ser mais curta em crianças, às

vezes durando 30 minutos ou menos. A evitação típica de luz (fotofobia),

sons (fonofobia) e odores fortes (osmofobia) é observada.

Geralmente, as crianças apresentam síndromes periódicas que se

desenvolvem inicialmente como precursores da enxaqueca. Estas síndromes

periódicas incluem torcicolo paroxístico da infância, vertigem paroxística

benigna da infância, síndrome do vômito cíclico e enxaqueca abdominal.

O torcicolo paroxístico da infância é um distúrbio pouco comum

caracterizado por episódios repetidos de inclinação da cabeça associada a

náuseas, vômitos e cefaleia. Os ataques geralmente ocorrem em lactentes e

podem durar de minutos a dias. Anormalidades da fossa posterior exigem

consideração no diagnóstico diferencial. Dados recentes ligaram estes

sintomas a mutações no gene CACNA1A em alguns pacientes. O

tratamento ideal é desconhecido, mas, quando necessário, medicações para

prevenção de enxaqueca são usadas.

A vertigem paroxística benigna da infância é uma condição caracterizada

por episódios breves de vertigem, desequilíbrio e náuseas, geralmente

observados em crianças de 2 a 6 anos. O paciente pode apresentar nistagmo

durante os ataques, mas não entre eles. A criança não apresenta perda

auditiva, tinido ou perda da consciência. Os sintomas geralmente duram

apenas alguns minutos. Estas crianças geralmente desenvolvem a forma

mais comum de enxaqueca quando amadurecem.

A síndrome do vômito cíclico é manifestada por períodos recorrentes de

vômitos intensos separados por intervalos livres de sintomas. Muitos

pacientes com vômito cíclico apresentam padrões regulares ou cíclicos de

doença. Os sintomas geralmente começam rapidamente à noite ou no início

da manhã e duram de 6 a 48 horas. Os sintomas associados incluem dor

abdominal, náuseas, ânsia de vômito, anorexia, palidez, letargia, fotofobia,

fonofobia e cefaleia. A cefaleia pode não aparecer até que a criança seja mais velha. A síndrome do vômito cíclico geralmente aparece quando o

paciente começa a andar e desaparece na adolescência ou início da vida

adulta; raramente começa na vida adulta. Mais mulheres que homens são

afetados por vômito cíclico. Geralmente uma história familiar de enxaqueca

está presente. Estas crianças geralmente apresentam perturbações

hidroeletrolíticas graves e requerem terapia com líquidos intravenosos.

Algumas crianças com vômitos cíclicos respondem a medicamentos contra

enxaqueca, como amitriptilina e ciproeptadina. A síndrome do vômito

cíclico associada à enxaqueca é um diagnóstico de exclusão. Outras causas

de vômito cíclico incluem distúrbios gastrointestinais (má rotação),

neoplasias, distúrbios do trato urinário, distúrbios metabólicos, endócrinos e

mitocondriais.

Na enxaqueca abdominal, o paciente pode sofrer de surtos recorrentes de

dor abdominal generalizada com náuseas e vômitos, mas frequentemente

sem a presença de cefaleia. Os episódios em geral são aliviados pelo sono e

mais tarde a criança acorda sentindo-se melhor. A enxaqueca abdominal

pode se alternar com enxaqueca típica e pode evoluir para uma enxaqueca

típica quando a criança amadurece. Estas crianças respondem a medicações

profiláticas para enxaqueca.

A presença de déficits neurológicos fixos, papiledema ou convulsões

deve alertar o médico para processos neurológicos mais preocupantes.

Nestes casos, um estudo de neuroimagem, como RM encefálica, deve ser

considerado.

FIGURA 13-10