Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Transtorno de Ansiedade Social

FIGURA 4-6

 

Transtorno de Ansiedade Social Introdução e apresentação clínica

O transtorno de ansiedade social (TAS), ou fobia social, é caracterizado por

medo persistente de situações sociais ou de desempenho nas quais o

indivíduo enfrentará exposição a pessoas não familiares ou a análise dos

outros. O indivíduo teme tipicamente comportar-se de maneira embaraçosa

ou humilhante, ou revelar sintomas de ansiedade. A exposição a essas

situações provoca ansiedade ou sintomas de pânico, levando o indivíduo a

evitar essas situações sempre que possível. Os sintomas físicos podem

incluir diaforese, taquicardia, tremores, náuseas, rubor e dificuldade para

falar, por exemplo.

Os critérios do DSM-IV estipulam que essa condição contribua para um

comprometimento funcional (p. ex., no trabalho ou nos relacionamentos) e

sofrimento significantes. É importante enfatizar que o indivíduo reconhece

que o medo é excessivo ou irracional. Embora o diagnóstico tenha sido

criticado por atribuir um diagnóstico médico a um traço populacional

normal, a timidez, a persistência e gravidade desses sintomas – e

particularmente seu impacto no funcionamento – afirmam o contrário.

Os critérios diagnósticos distinguem uma forma generalizada, ou seja,

que ocorre na maioria das situações sociais, e uma forma específica, ou

seja, uma que ocorre apenas em circunstâncias particulares, tais como falar

em público ou apresentar-se publicamente, ou escrever ou comer na frente

de outras pessoas. Entretanto, não se trata necessariamente de tipos

distintos, embora a forma generalizada possa ser mais incapacitante como

um todo.

 

Epidemiologia

A prevalência vitalícia de TAS é de aproximadamente 12%, com uma

prevalência em 12 meses em torno de 7%. O TAS geralmente tem início

precoce, com cerca da metade dos casos manifestando-se aos 11 anos de

idade; por outro lado, o início tardio em muitos pacientes corrobora ainda

mais o TAS como algo que vai muito além de simplesmente um traço de

timidez. Assim como ocorre em outros transtornos psiquiátricos, as taxas de

comorbidade são elevadas, com sobreposição com depressão maior e

transtorno por uso abusivo de substâncias, por exemplo.

O tratamento do TAS se baseia em terapia comportamental, feita

individualmente ou em grupo, ou farmacoterapia. Tratamentos

farmacológicos padrão usam inibidores seletivos da recaptação de

serotonina, embora outros antidepressivos, incluindo inibidores da

monoaminoxidase e inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina

também tenham mostrado eficácia. Medicações ansiolíticas, como

benzodiazepinas, às vezes são empregadas também. Escalas como a Escala

de Ansiedade Social de Liebowitz podem ser usadas para quantificar a

gravidade com o tempo.

 

Fisiopatologia

Observou-se que o TAS era familiar e com frequência coagregada com

depressão maior, transtorno do pânico e agorafobia. Estudos de gêmeos

sugerem que cerca de 40% do risco é hereditário. Apesar de estudos de

genes candidatos terem implicado múltiplos genes, nenhuma associação

única e definitiva foi demonstrada de maneira convincente, e estudos

genômicos amplos não foram relatados. O papel potencial de

neuropeptídeos envolvidos na cognição social, como oxitocina e arginina

vasopressina, também está sob investigação ativa. Por exemplo, modelos

experimentais em roedores ilustram a capacidade da oxitocina de diminuir a

evitação social, o que pode informar o desenvolvimento de tratamentos

futuros no TAS.

A imagem por ressonância magnética funcional (RMf) implica a ativação

da amígdala e da ínsula no TAS, por exemplo, em tarefas que exigem

processamento de faces emocionais. A RMf também sugere que talvez haja

conectividade anormal evidente no estado de repouso, envolvendo

estruturas frontais e occipitais. Outros estudos também sugerem disfunção

dos gânglios da base no TAS; o interessante é que o TAS é visto mais

comumente em indivíduos com doença de Parkinson, o que pode

proporcionar evidências convergentes do papel dos gânglios da base nesses

sintomas.