Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Demência vascular

FIGURA 2-29

 

Demência vascular A demência vascular é interessante já que os indivíduos com verdadeira

demência vascular não recebem esse diagnóstico, enquanto outros que

provavelmente não a têm são diagnosticados com a doença. As

apresentações mais simples ocorrem naqueles indivíduos com cognição

normal que sofrem um grande acidente vascular encefálico que causa uma

combinação de sinais cognitivos, com afasia e problemas para recuperar

lembranças. Se não for possível ao paciente reassumir o nível de função

diária pré-acidente vascular encefálico devido a esses novos déficits

cognitivos, são atendidos os critérios para a demência vascular, mas como

foi o AVE que claramente causou os déficits, estes são considerados

simplesmente como suas consequências (em oposição à demência vascular

ostensiva). Por outro lado, alguns pacientes apresentarão uma demência

gradualmente progressiva, déficits de memória do tipo retenção, sem sinais

motores, sem história de alterações sensitivas ou motoras e um estudo de

neuroimagens mostrando alterações subcorticais possivelmente compatíveis

com “doença cerebrovascular de pequeno vaso”. Nesses pacientes idosos,

quase sempre são esperadas placas e emaranhados da doença de Alzheimer.

Nesses casos, apesar das alterações nas neuroimagens, provavelmente é

mais apropriado considerar a doença de Alzheimer como a etiologia

primária. Além disso, a frequente associação entre doença de Alzheimer e a

patologia cerebrovascular sugere que essas condições estejam ligadas de

alguma forma.

Dependendo de ser o AVE o responsável pela alteração cognitiva, as

demências vasculares podem ser subclassificadas em simples versus

múltiplas, e de grande vaso versus pequeno vaso. Como se mencionou

anteriormente, um AVE único de grande vaso pode causar síndrome da

demência. Muitas vezes tais apresentações são óbvias porque tipicamente

ocorrem no contexto de um AVE agudo, de grande vaso, claramente

diagnosticável. Alguns pacientes sofrem múltiplos AVEs de grandes vasos.

Significativos danos encefálicos relacionados com AVE estão geralmente

associados a graus mais elevados de disfunção cognitiva.

Os pequenos AVEs únicos podem alterar a cognição quando ocorrem

dentro de áreas específicas, e as danificam, as quais são críticas para o

desempenho cognitivo. O tálamo, cabeça do núcleo caudado e fórnice

constituem alguns exemplos em que um AVE estrategicamente colocado

poderá causar impacto na cognição. O declínio cognitivo, grave o suficiente para qualificar para um diagnóstico de demência sindrômica, também

resulta de múltiplos AVEs de pequenos vasos que nas neuroimagens

aparecem como múltiplos AVEs lacunares. Como no caso das demências

por múltiplos infartos de grandes vasos, esse tipo de demência vascular por

múltiplos infartos de pequenos vasos muitas vezes se apresenta em um

contexto de declínio gradual que ocorre em associação com o diagnóstico

de AVEs agudos.

Quando se trata de diagnosticar demência vascular, os casos mais difíceis

são aqueles em que o paciente desenvolveu demência clínica, não existindo

um histórico clínico de AVE agudo previamente diagnosticado, mas um

estudo por neuroimagens revela dano encefálico extenso induzido por AVE.

Em muitos desses casos, as imagens mostram extensas alterações na

substância branca subcortical. Essas alterações podem aparecer confluentes

ou anatomicamente mais restritas. Podem coalescer em torno dos

ventrículos laterais, podendo ou não também se projetar separadamente

para o interior de outras áreas de substância branca em padrão mais

irregular ou pontuado. Quando, de fato, essa alteração da substância branca

está impulsionando a demência, deve-se então considerar um diagnóstico de

demência vascular isquêmica subcortical, podendo uma pesquisa patológica

revelar alterações compatíveis com doença de Binswanger. Entretanto,

indivíduos idosos sem demência e pacientes com demências

neurodegenerativas também podem mostrar padrões similares de alteração

da substância branca subcortical. Nessa última situação, a alteração da

substância branca pode representar uma consequência de uma doença de

base verdadeira, em oposição a uma causa de demência. Ao considerar tais

casos, o quadro clínico geral, incluindo a história clínica, exame clínico

geral e um exame neurológico cognitivo, precisa ser sintetizado e

interpretado com muito cuidado Algumas vezes, esses pacientes receberam

finalmente um diagnóstico de demência vascular-degenerativa mista ou

“doença de Alzheimer mais doença cerebrovascular”.