Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Abscesso Encefálico

FIGURA 11-3

 

Abscesso Encefálico Um abscesso encefálico é um processo supurativo focal que se desenvolve

no parênquima encefálico por uma das seguintes maneiras: (1) por

disseminação direta a partir de um local de infecção craniana contígua

(sinusite paranasal, mastoidite, otite média, ou infecções dentárias), (2) após

trauma craniano, ou (3) como resultado de disseminação hematogênica a

partir de um local remoto de infecção (cardiopatia congênita cianótica,

endocardite, abscesso pulmonar, infecção intra-abdominal). Os organismos

etiológicos mais comuns de um abscesso encefálico são estreptococos,

espécies do gênero Bacteroides, estafilococos (após trauma ou

craniotomia), espécies do gênero Fusobacterium, espécies do gênero

Haemophilus, pertencentes à família Enterobacteriaceae e Pseudomonas

aeruginosa. Um abscesso encefálico se manifesta com febre, cefaleia e um

déficit neurológico focal. O sintoma mais comum é a cefaleia, mas a febre

não está invariavelmente presente. À medida que a área de edema

encefálico circundando o abscesso encefálico aumenta, se desenvolvem

sinais de aumento da pressão intracraniana.

Imageamento por ressonância magnética (RM) com administração de

contraste é o procedimento de neuroimagem de escolha, pois a RM tem

maior capacidade de demonstrar um abscesso que está no estágio de

cerebrite do que o exame de TC craniana. Na RM em T1 após

administração de gadolínio endovenoso, o abscesso aparece como uma área

central de hipointensidade com uma margem periférica suave de realce. Na

RM em T2, o abscesso aparece como uma lesão hiperintensa circundado

por uma cápsula hipointensa. Uma punção lombar é contraindicada.

Culturas sanguíneas para anaeróbios e aeróbios podem ser obtidas, e um

exame físico cuidadoso pode identificar a causa da infecção. O diagnóstico

definitivo é feito pela aspiração estereotáxica do abscesso guiada por TC ou

RM para coloração de Gram e cultura. Terapia antimicrobiana empírica é

tipicamente iniciada antes do conhecimento dos resultados da coloração de

Gram e da cultura, e é baseada no possível organismo causal, caso seja

conhecida a fonte de infecção. A terapia empírica é modificada uma vez

que sejam conhecidos os resultados da coloração de Gram, cultura

bacteriana e teste de sensibilidade antimicrobiana. Os corticosteroides são

recomendados em pacientes com edema significativo, mas apenas por um

curto período de tempo, pois eles reduzem a penetração do antibiótico na cavidade do abscesso. Medicações antiepilépticas profiláticas são

recomendadas, pois um abscesso encefálico é um foco epileptogênico.