Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Tremor

FIGURA 7-14

 

Tremor O tremor é um movimento involuntário oscilatório rítmico, causado pela

ativação alternada de músculos agonistas e antagonistas. A etiologia do

tremor é diversificada e inclui o tipo hereditário (tremor familiar), o

degenerativo (doença de Parkinson), o metabólico (transtornos da tireoide,

paratireoide ou fígado e hipoglicemia), toxinas (nicotina, mercúrio,

chumbo, monóxido de carbono, manganês, arsênico, tolueno), induzido pelo

uso de drogas ilícitas ou por medicações (neurolépticos, tricíclicos, lítio,

cocaína, álcool, adrenalina, broncodilatadores, teofilina, cafeína, esteroides,

valproato, amiodarona, hormônios da tireoide, vincristina), neuropatias

periféricas (doença de Charcot-Marie-Tooth, síndrome de Roussy-Levy,

síndrome de dor regional complexa) e transtornos psicogênicos.

O tremor pode ser classificado como em repouso, postural e de intenção,

de acordo com sua relação com a atividade. O tremor em repouso é visto de

maneira melhor quando os membros estão relaxados, apoiados no colo do

paciente; quando necessário, exercícios mentais podem ajudar a “revelar” a

discinesia. Um tremor em repouso de 3 a 5 Hz é uma característica típica da

doença de Parkinson (tremor de “rolar pílulas”), na qual ele se inicia com

frequência de forma assimétrica. Uma característica importante desse tipo

de tremor é seu desaparecimento ou a melhora ao movimento do membro.

Embora possa se tornar bilateral à progressão da doença, esse tremor

permanece mais grave do lado inicialmente afetado.

O tremor postural é visto quando os membros são ativamente mantidos

em uma postura específica contra a gravidade e desaparece quando os

membros estão em repouso. São exemplos de tremores posturais o tremor

essencial; o tremor induzido por drogas ou toxinas, condições metabólicas e

estados de abstinência de álcool. Os tremores fisiológicos também são de

natureza postural e são vistos em todos os indivíduos há uma frequência de

8 a 12 Hz. Eles são intensificados por cafeína, pelo medo ou pela ansiedade.

O tremor essencial é uma condição esporádica, mas em

aproximadamente 50% daqueles afetados pode ser obtida uma história

familiar (tremor familiar). Um tremor de 5 a 8 Hz está tipicamente presente

de forma bilateral nas mãos ou nos braços. É também comum um tremor da

cabeça ou das cordas vocais. Os pacientes com frequência percebem a

melhora do tremor após tomar um gole de uma bebida alcoólica. Muitos

casos são leves e não requerem tratamento, mas em caso de necessidade a administração de propranolol, primidona ou alguns fármacos neurolépticos

pode mostrar-se eficaz.

O tremor de intenção é o tremor mais comumente associado a patologias

do cerebelo e das vias a ele associadas, mas pode ser visto em pacientes

com tremor essencial ou familiar avançado. O tremor, que ocorre durante o

movimento, pode ser unilateral ou bilateral, dependendo da lesão cerebelar,

e pode afetar os membros superiores e os inferiores. Ele tem frequência de

2 a 4 Hz e se agrava caracteristicamente à medida que o membro se

aproxima de seu alvo (acentuação ao ponto final). Outro termo utilizado

para o tremor da eferência cerebelar é o de tremor rubral. Nós

desencorajamos o uso de um termo desse tipo, por não ser específico de

lesões encontradas unicamente no núcleo rubro. Nós preferimos o termo

tremor da eferência cerebelar para descrever o tremor de intenção, rubral

ou cerebelar.

Um tremor de “bater asas” foi descrito em pacientes portadores da

doença de Wilson e em pacientes apresentando esclerose múltipla ou um

acidente vascular encefálico envolvendo a região peduncular cerebelar

superior. Nesses pacientes o tremor é mais proeminente ao se flexionar os

antebraços no cotovelo e elevar-se os ombros lateralmente para se alcançar

um ângulo de 90o na posição de abdução completa. Essa “fenomenologia”

se assemelha àquela do tremor de eferência cerebelar, especialmente

quando grave, e indica provavelmente o envolvimento de vias

cerebelotalamofugais.