Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Crises Neonatais
FIGURA 3-6
Crises Neonatais As crises neonatais são um dos sinais neurológicos mais comuns, e ainda
mais assustadores nos recém-nascidos. Considerando que as crises podem
ser o primeiro e único sinal de um distúrbio do sistema nervoso central, seu
reconhecimento é extremamente importante. Uma diferença considerável é
evidente no comportamento observado durante as crises em recém-
nascidos, e nos comportamentos observados em crianças mais velhas e em
adultos. Os bebês são incapazes de sustentar as descargas epileptiformes
generalizadas e organizadas, e dessa forma as crises de ausência e as crises
tônico-clônicas generalizadas não ocorrem. As características clínicas e do
EEG dependentes da idade relativas às crises em neonatos resultam da
imaturidade da organização cortical e da mielinação.
As crises neonatais são classificadas como clônicas, tônicas e
mioclônicas. As crises clônicas consistem de movimentos involuntários
rítmicos de grupos de músculos, e ocorrem em um padrão focal ou
multifocal. Nas crises clônicas multifocais, os movimentos podem migrar
de uma parte do corpo para outra. Embora as crises focais possam ser
observadas com danos encefálicos localizados, tais como os AVEs
neonatais, podem ser evidenciadas também em distúrbios que afetam
difusamente o cérebro, tais como a asfixia, a hemorragia subaracnoide, a
hipoglicemia e infecção. Nas crises tônicas, a criança desenvolve uma
postura assimétrica do tronco ou o desvio dos olhos para um lado. As crises
mioclônicas são semelhantes àquelas observadas em crianças mais velhas,
consistindo de movimentos involuntários rápidos dos músculos. As crises
mioclônicas podem consistir de movimentos involuntários bilaterais,
embora possa ocorrer a mioclonia focal ou unilateral.
Os recém-nascidos doentes exibem com frequência um comportamento
estereotipado, repetitivo, que pode ser confundido com crises. Esses
comportamentos incluem a sucção repetitiva e outros movimentos
vestíbulo-linguais, postura anormal, movimentos de pedalagem das pernas
ou movimentos de remar dos braços, piscamento dos olhos, fixação
momentânea do olhar com ou sem desvio dos olhos, nistagmo, e apneia.
Entretanto, quando esses comportamentos são observados durante os
registros do EEG, a atividade epileptiforme geralmente não é registrada. Do
mesmo modo, quando uma postura tônica envolve todas as quatro
extremidades e o tronco, uma descarga epileptiforme associada durante o EEG raramente aparece. A mioclonia não associada às descargas
epileptiformes pode ser observada também nos recém-nascidos doentes.
Enquanto o diagnóstico das crises depende principalmente da observação
clínica, o EEG pode ser extremamente valioso na confirmação da presença
de crises epilépticas. Além disso, o EEG é muito útil na detecção de crises
eletrográficas em crianças paralisadas ou em avaliação de resposta às
medicações antiepilépticas.