Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Seção 12: Neuro-oncologia

S E Ç Ã O 1 2

 

Neuro-oncologia

FIGURA 12-1

Apresentações Clínicas dos Tumores

 

Encefálicos

Os tumores encefálicos geralmente se manifestam por sintomas de elevação

da pressão intracraniana ou disfunção neurológica focal. A elevação da

pressão intracraniana pode resultar diretamente de uma massa em

crescimento ou pode ser secundária ao desenvolvimento de hidrocefalia

derivada da obstrução do sistema ventricular e do fluxo do líquido

cefalorraquiano (LCR) pelo tumor. A disfunção neurológica específica

depende do efeito de massa local do tumor.

 

Manifestações Clínicas

Tradicionalmente, cefaleia, náuseas com vômitos e papiledema constituem

a tríade clínica do aumento da pressão intracraniana. As cefaleias

resultantes de uma elevação da pressão intracraniana exibem localização

generalizada e em geral são piores ao acordar, ocasionalmente chegando a

despertar um paciente do sono. O vômito é atribuído à pressão na região do

quarto ventrículo. Papiledema ou borramento da margem do disco óptico

devido à tumefação do disco óptico (nervo craniano II) resultante do

aumento da pressão intracraniana pode ser detectado pelo exame

oftalmoscópico.

O efeito de massa local pode resultar em uma variedade de sintomas

neurológicos, dependendo das estruturas afetadas. Os sintomas podem

derivar da invasão do tecido neural local ou compressão das estruturas

adjacentes. Muitas vezes, estes sinais e sintomas focais manifestam-se antes

que o tumor aumente até o ponto de causar um aumento da pressão

intracraniana. As apresentações clínicas dependem da função do tecido

afetado. Além disso, cefaleias também podem resultar do efeito de massa

local. Tipicamente, estas cefaleias permanecem localizadas no lado do

tumor. Geralmente têm uma característica de dor surda e constante.

Ocasionalmente podem ser intensas. A combinação de cefaleias associadas

a novas anormalidades neurológicas ou alterações da cefaleia sugerindo um

aumento da pressão intracraniana devem justificar a consideração de uma

neoplasia subjacente.

Convulsões representam outro sinal comum que ocorre em associação a

uma malignidade subjacente. Podem ser generalizadas ou focais, sendo que

as convulsões focais representam a localização subjacente do tumor. Por

exemplo, sintomas motores ou sensitivos distintos, como fraqueza ou

dormência, estão relacionados com as funções das áreas corticais afetadas

pelo tumor. Alterações cognitivas podem anunciar uma malignidade

intracraniana subjacente, especialmente se tiverem localização frontal.

Muitas vezes estas alterações são sutis, com os pacientes apresentando

fadiga, dificuldades com a memória, mudanças de personalidade ou apatia.

Dificuldades de equilíbrio ou desequilíbrio geralmente ocorrem quando

surgem tumores na fossa posterior. Defeitos do campo visual, como

hemianopsia homônima, podem resultar de uma lesão dos tratos ópticos e a

hemianopsia bitemporal geralmente é observada com a compressão do

quiasma óptico por tumores da hipófise. Algumas vezes os pacientes são

assintomáticos, mas o exame físico pode revelar anormalidades

neurológicas sutis, como um desvio de uma extremidade superior, reflexos

assimétricos ou um sinal de Babinski positivo.

 

Estudos Diagnósticos

Quando for levantada a suspeita de uma malignidade intracraniana, exames

de neuroimagem são justificados. A ressonância magnética (RM)

contrastada com gadolínio é a modalidade diagnóstica de escolha porque

permite a visualização do tumor em relação ao parênquima encefálico

vizinho, especialmente na fossa posterior. A tomografia computadorizada

(TC) ainda é usada em pacientes nos quais a ressonância magnética (RM)

esteja contraindicada ou em situações de emergência em que o tempo seja

essencial. Além disso, ela é superior à RM na detecção de envolvimento

ósseo, particularmente na região da base do crânio. Outras modalidades de

imagem incluem espectroscopia por ressonância magnética (ERM), que

analisa a composição química da área de interesse em uma tentativa de

diferenciar um tumor de outras anormalidades e a tomografia por emissão

de pósitrons (PET) com fluorodesoxiglicose (FDG), que detecta tumores

metabolicamente ativos. Por fim, a RM de perfusão emergiu como uma

técnica possivelmente útil porque identifica áreas de maior vascularização,

podendo ser útil no planejamento da ressecção cirúrgica.