Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Lesões ao plexo braquial e/ou raiz nervosa cervical ao nascimento

Lesões ao plexo braquial e/ou raiz nervosa

 

cervical ao nascimento

A maturação e a mielinização dos nervos periféricos, incluindo os nervos

cranianos, não estão completas ao nascimento. Assim, esses axônios, ainda

não totalmente protegidos por mielina, associados às células gliais, e tecido

conectivo, são suscetíveis à lesão perinatal. As lesões ao plexo braquial no

recém-nascido ocorrem agora com menos frequência, embora a incidência

ainda seja de aproximadamente 1 em 1.000 nascimentos vivos. A lesão

resulta de forças de tração no ombro, em parto de apresentação de vértice e

na cabeça em parto de apresentação de nádegas. Os fatores obstétricos

associados são: apresentação occipitoposterior ou transversa, o uso de

oxitocina, distocia do ombro e bebês grandes (peso superior a 3.500 g) com

baixos escores de Apgar.

Acredita-se que a paralisia braquial ao nascimento seja secundária ao

estiramento do plexo por tração, com as raízes nervosas ancoradas pela

coluna espinal e medula espinal. Nas lesões menos graves, somente a

bainha de mielina pode ser danificada, o que é evidenciada por inchaço e

edema que podem, por sua vez, danificar a mielina. Se apenas um pequeno

segmento do axônio for afetado, ou se ele estiver estirado, mas não roto,

reparo e recuperação rápidos são prováveis. Entretanto, se o axônio for

interrompido, o reparo pode levar muito tempo, considerando que se

acredita que a velocidade de crescimento axonal seja 1 mm/dia. Se ocorrer a

completa ruptura do axônio, a recuperação será improvável. As lesões

braquiais bilaterais quase sempre indicam envolvimento espinal, e a avulsão

das raízes nervosas pode ser evidente em imagens por ressonância

magnética. As lesões nervosas ao plexo braquial superior envolvem a

junção das raízes C5 e C6 (ponto de Erb), e as lesões inferiores envolvem a

junção das raízes C8 e T1.

 

Lesão ao Plexo Braquial Superior (paralisia de Erb)

Esta é a lesão mais comum ao plexo braquial, afetando os músculos

supridos por C5 e C6 e responde por 90% da incidência total. Uma resposta

de Moro assimétrica geralmente é a primeira indicação da lesão. A

extremidade superior assume a posição de “gorjeta do garçom”: o ombro está aduzido e girado internamente; o ombro está estendido; e o antebraço

está pronado, com a mão em flexão. Um leve déficit sensitivo pode

desenvolver-se sobre o aspecto lateral do ombro e do braço, mas é bastante

difícil de distinguir. As fraturas associadas da clavícula ou úmero devem ser

descartadas, e o exame fluoroscópico deve ser realizado para excluir a rara

paralisia diafragmática causada principalmente por lesão de C4.

 

Lesão Plexo Braquial Inferior (paralisia de Klumpke)

Uma lesão ao plexo braquial inferior pura é bastante incomum, e a maioria

dos casos de paralisia de Klumpke envolve os músculos mais proximais

supridos por C7 ou C6. A ausência do reflexo de preensão manual é uma

característica clínica mais proeminente. O envolvimento de fibras

simpáticas a partir de T1 causa a síndrome de Horner (ptose, miose,

anidrose). Um déficit sensitivo significativo geralmente está presente.

Bebês e crianças algumas vezes podem traumatizar seus dedos

involuntariamente, algumas vezes com resultados graves, com perda da

ponta do dedo. O prognóstico para a recuperação completa desses bebês é

precário. A extremidade superior em geral permanece pequena e

distalmente reduzida.

 

Tratamento

Em todos os casos de lesão ao plexo braquial, indica-se uma avaliação

completa. O membro deve ser colocado em sua melhor posição funcional,

ou seja, anterior ao peito, não abduzido e flexionado. Um exercício delicado

de amplitude movimento deve ser iniciado em 7 a 10 dias do nascimento,

devendo-se continuar fisioterapia ou terapia ocupacional durante, pelo

menos, o primeiro ano de vida. Podem-se usar órteses de mão e punho, se

necessário. A maioria dos bebês terá acentuada recuperação da função nos

primeiros meses. Se não se observar recuperação, eletromiografia pode ser

útil para determinar a extensão da lesão. Para bebês com lesão grave

persistente e sem evidência de melhora em 4 a 6 meses de idade, imagens

de ressonância magnética podem ser úteis para determinar se o bebês se

beneficiará com um reparo do plexo braquial com enxertos de nervo.

Embora o reparo do plexo braquial não restaure a função normal, pode

produzir melhora funcional a bebês cuidadosamente selecionados. Depois que a criança chegar aos 5 a 6 anos de idade, as transferências musculares

podem ser úteis.

FIGURA 1-24