Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Infecções por Espiroquetas

FIGURA 11-8

 

Infecções por Espiroquetas Neurossífilis

Neurossífilis é o resultado da infecção do sistema nervoso central (SNC)

pela bactéria Treponema pallidum. Existem diversas formas diferentes de

neurossífilis, as quais podem ser divididas em neurossífilis primária e

tardia. A neurossífilis primária inclui neurossífilis assintomática, meningite

sifilítica e sífilis meningovascular. As formas tardias de neurossífilis são

tabes dorsalis e paralisia geral (demência paralítica).

Neurosífilis assintomática é definida pela presença de anormalidades no

líquido espinal na ausência de sinais e sintomas neurológicos.

Meningite sifilítica é definida pelo aparecimento de sinais e sintomas

meníngeos, incluindo cefaleia, náuseas, vômito, rigidez de nuca, e

anormalidades do nervo craniano. Análise do líquido espinal na meningite

sifilítica revela uma pressão de abertura aumentada, uma pleocitose

linfocítica, uma concentração de glicose normal ou levemente reduzida, e

uma concentração elevada de proteína. O teste de Rapid Plasma Reagin

(RPR) no soro é normalmente positivo.

Sífilis meningovascular é definida pelo aparecimento de sinais

neurológicos focais devido a uma arterite inflamatória envolvendo artérias

de tamanhos pequenos e médios em associação com sinais de inflamação

meníngea. A sífilis vascular também pode envolver o suprimento sanguíneo

arterial da medula espinal.

Paralisia geral (demência paralítica) é uma meningoencefalite

progressiva crônica com um pico de incidência 10 a 20 anos após a infecção

primária. Inicialmente, ocorre uma lenta deterioração nas funções

cognitivas e mudanças de personalidade, mas à medida que a doença

progride ocorrem perda de força apendicular, anormalidade das pupilas,

disartria, tremor e perda do controle intestinal e vesical. Tabes dorsalis se

desenvolve 10 a 20 anos após a infecção primária e é inicialmente

caracterizada por dor lancinante episódica nas extremidades inferiores. À

medida que a doença progride, há perda de sensação proprioceptiva e

vibratória devido a degeneração neuronal e infiltração de células

inflamatórias nas raízes espinais e cornos posteriores da medula espinal.

Tabes dorsalis é também caracterizada por perda da reação pupilar à luz,

com preservação da constrição pupilar à acomodação – a anormalidade

pupilar de Argyll Robertson. Devido à disfunção de raiz nervosa lombossacra, podem ocorrer arreflexia de extremidade inferior, impotência

e perda de continência urinária.

 

Neurossífilis Gomatosa

As gomas do SNC são raras, mas presentes na forma de lesões ocupantes de

espaço.

O diagnóstico de neurossífilis é feito por uma combinação de testes

sorológicos e análise do líquido espinal. Os testes sorológicos são

tipicamente o de Venereal Disease Research Laboratory (VDRL) ou o de

RPR, apesar do ensaio de hemaglutinação para Treponema pallidum ser

mais específico. O diagnóstico de neurossífilis é feito pela detecção de um

VDRL reativo no LCS. Quando o VDRL é não reativo no LCS, mas existe

um teste sorológico positivo e uma contagem elevada de leucócitos e

concentração de proteína no LCS, o tratamento para neurossífilis é

recomendado. A neurossífilis é tratada com penicilina G aquosa

endovenosa.

FIGURA 11-9

 

Doença de Lyme A doença de Lyme é causada pela espiroqueta Borrelia burgdorferi. As

regiões endêmicas para doença de Lyme nos Estados Unidos são a costa

leste, de New Hampshire até o Distrito de Columbia, partes de Minnesota e

Wisconsin e áreas do norte da Califórnia. A infecção também pode ser

adquirida em áreas da Europa e Ásia. Pacientes com meningite devido a

Borrelia burgdorferi se queixam de cefaleia e fadiga. Pode estar presente

uma paralisia unilateral ou bilateral do nervo facial, ou uma radiculopatia

dolorosa. Em pacientes com neurite craniana ou radiculoneurite que

residem em ou que viajaram para uma área endêmica para doença de Lyme,

deve ser questionado sobre a lesão de eritema migratório. Esta lesão é uma

lesão eritematosa que, à medida que expande, desenvolve um centro claro

de forma que possui a aparência de uma lesão em alvo. O diagnóstico se

inicia com um ensaio imunoenzimático (ELISA) sérico para mensurar

anticorpos contra B. burgdorferi. Um resultado positivo é confirmado por

Western blot. O exame do LCS demonstra uma pleocitose linfocítica com

uma concentração normal de glicose e uma concentração de proteínas

pouco ou moderadamente elevada. A demonstração de anticorpos anti-

Borrelia burgdorferi no LCS não deve ser considerada como evidência

definitiva de doença de Lyme neurológica, pois anticorpos podem ser

transferidos passivamente do soro para o LCS, e os anticorpos para doença

de Lyme podem persistir no LCS por anos. Para detectar a produção

intratecal de anticorpos, é recomendado um índice de anticorpo. O índice de

anticorpo é a razão de (IgG anti-Borrelia no LCS/IgG anti-Borrelia no soro)

para (IgG total no LCS/IgG total no soro). O índice de anticorpo é

considerado positivo quando o resultado é maior que a faixa de 1,3 a 1,5.

Meningite de Lyme, neurite craniana e radiculite são tratadas com

ceftriaxona endovenosa por 2 a 4 semanas. A doxiciclina é uma opção

razoável, pois tem sido utilizada com êxito na Europa para o tratamento de

meningite causada pela doença de Lyme em adultos e crianças com mais de

oito anos de idade.