Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Gosto e Outras Sinalizações Sensitivas Viscerais ao Hipotálamo
FIGURA 5-11
Gosto e Outras Sinalizações Sensitivas
Viscerais ao Hipotálamo Uma classe especial de vias sensitivas viscerais fornece informação de
paladar ao hipotálamo e outras áreas do encéfalo. Células receptoras do
paladar são encontradas em papilas gustativas, localizadas em grupos pela
superfície da língua. Diferentes classes de receptores do paladar respondem
a diferentes classes de químicos em alimentos, incluindo ácidos (azedo),
açúcares (doce), sódio (salgado), glutamato (um importante aminoácido
componente de proteínas, cujo gosto é dito como “carnoso” ou “saboroso”
em japonês), e um complexo alcaloide de plantas que muitas vezes avisam
sobre componentes tóxicos (amargo). Os receptores celulares do paladar são
inervados por neurônios sensitivos dos nervos cranial facial (VII nervo, dois
terços anteriores da língua), glossofaríngeo (IX nervo, posterior da língua e
arcos tonsilares) e vago (X nervo, posterior da língua e orofaringe). Como
muitos outros sistemas somatossensitivos, os neurônios sensitivos
gustativos estão localizados nos gânglios (geniculado para o nervo facial,
petroso para o nervo glossofaríngeo e nodoso para o nervo vago) e
consistem de células pseudonipolares, com um único axônio que bifurca-se
no gânglio para os ramos central e periférico. Os ramos centrais terminam
no terço rostral no núcleo do trato solitário do bulbo. Os axônios terminam
em uma sequência topográfica grosseira em relação à superfície da língua
(axônios dos dois terços anteriores da língua terminam mais rostralmente).
O núcleo do trato solitário envia ligações locais ao tronco encefálico para
vias reflexas para salivação e para regulação das atividades de mordida,
mastigação e deglutição.
Axônios ascendentes do núcleo do trato solitário viajam através do
tronco encefálico, e uma grande proporção deles faz sinapse no núcleo
parabraquial. De lá, os axônios continuam no tálamo (para apreciação
consciente do paladar), amígdalas (para associação do paladar) e
hipotálamo (provavelmente para regulação da alimentação). As sinalizações
ao hipotálamo e amígdalas, são levadas por um pequeno número de axônios
que alcançam esses locais diretamente do núcleo do trato solitário. Em
primatas, existem evidências que alguns axônios da porção de paladar do
núcleo do trato solitário podem alcançar o tálamo diretamente, sem a
necessidade de transmissão ao núcleo parabraquial. Neurônios do paladar
no tálamo estão localizados adjacentes à região somatossensitiva da língua
e inervam o córtex insular, que é o principal córtex do paladar.
Os dois terços posteriores do núcleo do trato solitário recebem
sinalizações de outros órgãos internos, via nervos glossofaríngeo e vago.
Eles terminam em uma ordem topográfica grosseira, com sinalizações
gastrointestinais, na porção média do núcleo, e cardiorrespiratórias na
porção caudal. O núcleo do trato solitário fornece sinais locais aos grupos
celulares do bulbo que controlam a função gastrointestinal, incluindo
secreção de ácido gástrico e motilidade intestinal, assim como reflexos
cardiovasculares e respiratórios (p. ex., o reflexo barorreceptor que
estabiliza a pressão sanguínea quando nos deslocamentos da posição
horizontal para a posição de pé, e o aumento na frequência respiratória e na
pressão sanguínea quando há um alto nível de dióxido de carbono no
sangue).
Outros axônios dos dois terços posteriores do núcleo do trato solitário
terminam no núcleo parabraquial. Neurônios parabraquiais então interagem
com o tálamo sensitivo visceral, que, por sua vez, projeta-se ao córtex
insular, onde sensações como plenitude gástrica ou falta de ar atingem a
apreciação consciente. Outras eferências parabraquiais são unidas a um
grupo menor de axônios do núcleo do próprio trato solitário projetando-se
às amígdalas, onde podem estar envolvidas em reflexos viscerais
condicionados. Sinais parabraquiais ao hipotálamo podem atuar em uma
grande variedade de funções de regulação comportamental, como
alimentação e bebida, ao controle da secreção de hormônios como
vasopressina (durante hipovolemia) e ocitocina (durante êmese).
FIGURA 5-12