Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Anatomia e Patologia Talâmica
FIGURA 5-33
Anatomia e Patologia Talâmica Anatomia talâmica
O tálamo, junto ao hipotálamo e sub-hipotálamo, forma o diencéfalo.
Anatomicamente, o tálamo fica acima do sulco hipotalâmico no terceiro
ventrículo e consiste em uma estrutura em forma oval, uma em cada lado do
encéfalo, conectados por uma ponte no meio, a massa intermediária. O
tálamo é dividido por uma camada da substância branca conhecida como
lâmina medular interna, para grupos anterior, medial e lateral de núcleos de
transmissão. O grupo lateral, por sua vez, é dividido em camada ventral dos
núcleos e no próprio núcleo lateral. Cada núcleo transmissor projeta-se em
uma região específica no córtex encefálico, e consecutivamente, os
neurônios na camada VI de cada região neocortical, projetam-se de volta ao
mesmo núcleo transmissor específico. Os núcleos transmissores tipicamente
inervam a camada IV no córtex encefálico e fornecem a maior parte de
informação sensitiva ao córtex encefálico.
Além disso, existem vários grupos celulares ao longo da linha média e
embutidas na lâmina medular interna (os núcleos intralaminares). Esses
núcleos enviam projeções mais difusas ao córtex encefálico, com projeções
favorecendo a camada V, e algumas também se projetam ao striatum. Às
vezes são vistas como uma função excitatória mais generalizada.
Em contraste, o núcleo reticular posiciona-se como uma fina camada
junto à superfície do tálamo. Embora quase todos os outros neurônios
talâmicos usem como neurotransmissor excitatório o glutamato, todos os
neurônios reticulares usam GABA e são inibitórios. Eles recebem sinais
tanto do córtex encefálico quanto dos núcleos transmissores, que colocam
os neurônios transmissores em um estado onde eles disparam ritmicamente,
porém não transmitem a informação sensitiva. Esse comportamento de
disparo é a causa do aparecimento de ondas rítmicas que aumentam e
diminuem em um período de tempo na faixa de 12 a 14 Hz no ECC,
chamada de “fusos de sono”, quando um indivíduo entra no sono de onda
lenta. Acredita-se que também esteja envolvido na causa do padrão
característico “ponta onda” de 3-Hz do ECC visto durante “ausência” de
convulsões, em tais indivíduos, geralmente crianças, perdem o contato com
o mundo externo por pequenos intervalos, durante os quais podem ficar
com o olhar fixo e estalando os lábios. O núcleo reticular é considerado importante no direcionamento da atenção para estímulos sensitivos
discretos e inibindo estímulos competitivos.
Entre os núcleos transmissores, o maior componente do grupo anterior é
o núcleo anterior. A porção mais caudal do grupo anterior é chamada de
laterodorsal. Esse núcleo envia axônios principalmente ao giro do cíngulo.
O grupo medial é representado por um único núcleo, o núcleo
dorsomedial (DM). O MD fornece sinalização às superfícies medial e
lateral no lobo frontal, bem como grande parte do lobo temporal.
O grupo lateral é bem mais complicado. A camada ventral consiste de
uma série de núcleos relacionados com as regiões dos córtices motor e
sensitivo. O núcleo anterior ventral (VA) recebe sinais do segmento interno
do globo pálido e parte reticulada da substância negra, relacionada com o
início do movimento e projeta-se ao córtex pré-motor. O núcleo ventral
lateral (VL) é a terminação da saída cerebelar (o trato
dentatorubrotalâmico), que transporta à informação do movimento corporal
e inerva o córtex motor primário. O núcleo ventral posterolateral (VPL)
recebe sinais sensitivos da medula espinal para os braços, pernas e tronco, e
o núcleo ventral posteromedial (VPM) realiza a mesma função para a face.
Eles projetam-se topograficamente ao córtex somatossensitivo primário.
Medial ao VPM está o núcleo ventroposterior parvicelular, uma pequena
região (não ilustrada) que recebe informação do paladar pela língua e
projeta-se a uma região gustativa no córtex insular anterior. Mais caudal à
camada ventral estão o núcleo geniculado medial, que converte informação
auditiva do culículo inferior ao córtex auditivo primário, e o núcleo
geniculado lateral, que transmite informação visual do trato óptico ao
córtex visual primário.
A camada dorsal do grupo lateral inclui uma série de núcleos que
projetam-se progressivamente em partes posteriores do lobo parietal do
lobo temporal. O núcleo lateroposterior (LP) e o núcleo posterior (PO)
enviam axônios para a região caudal do córtex somatossensitivo primário.
O núcleo pulvinar envia axônios ao lobo parietal posterior e à superfície
lateral do lobo temporal. Os neurônios nesses grupos celulares transmitem
informação integrativa que está relacionada com os mapas visual e auditivo
do mundo ao espaço pessoal do indivíduo.
FIGURA 5-34
Patologia Talâmica Os distúrbios neurológicos mais comuns que envolvem o tálamo estão os
pequenos infartos, às vezes chamados de “infartos lacunares”. Acredita-se
que ocorram devido a oclusão de pequenas artérias perfurantes do tálamo
que originam-se de artérias encefálicas posterior e comunicantes
posteriores.
Os infartos geralmente são tão pequenos quanto um único núcleo,
levando à perda sensitiva no corpo contralateral ou face se os núcleos VPL
ou VPM estiverem danificados; perda da memória se os núcleos MD ou
anterior estiverem envolvidos; ou fraqueza motora se os núcleos VL ou VA
estiverem lesionados. O núcleo geniculado lateral pode estar envolvido por
uma oclusão na artéria corióidea anterior, resultando na hemianopsia
homônima. Após um infarto sensitivo talâmico puro, envolvendo VPL ou
VPM, alguns pacientes desenvolvem dores em certas regiões, conhecida
como síndrome de Dejerine-Roussy.
As artérias perfurantes do tálamo também podem sofrer hemorragia. Isso
geralmente produz uma síndrome talâmica similar ao infarto isquêmico.
Entretanto, conforme a hemorragia aumenta ela pode pressionar o
mesencéfalo para baixo, causando a perda da consciência ou do conjunto de
movimentos dos olhos, problemas conhecidos como síndrome Parinaud. Na
síndrome de Parinaud ocorrem a perda de reflexos luminosos pupilares,
elevação do olho em supraversão, e vergência dos movimentos oculares
devido a pressão na região pretetal e mesencéfalo dorsal.
O tálamo também está caracteristicamente envolvido na insônia familiar
fatal, um distúrbio por príon que leva ao surgimento rápido da demência,
ataxia e disfunção encefálica, incluindo inabilidade quase completa de
dormir em alguns casos. Entretanto, a patologia também envolve o córtex
encefálico e o tronco encefálico, e é difícil determinar quanto da
sintomatologia é devido à degeneração talâmica. A encefalite equina
oriental também envolve preferencialmente o tálamo e o núcleo da base.
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