Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Estado Epiléptico
FIGURA 3-7
Estado Epiléptico O estado epiléptico é a situação na qual os mecanismos que geralmente
terminam em crises falharam. Normalmente é definido como uma crise ou
diversas crises sem recuperação completa da consciência entre as crises, o
que dura ao menos 30 minutos. Existem dois tipos principais de estado
epiléptico: convulsivo e não convulsivo.
O estado epiléptico convulsivo (EEC) é uma das emergências
neurológicas mais comuns, e continua associada as mortalidade e
morbidade significativas. Em pessoas com epilepsia, o EEC é provocado
com frequência pela retirada ou redução de drogas antiepilépticas.
Entretanto, mais de 50% das pessoas com EEC nunca tiveram uma crise
epiléptica anteriormente. As causas mais comuns nas crianças são crises
febris, meningite, e distúrbios neurológicos preexistentes, tais como
paralisia cerebral. Em adultos, o EEC é causado muitas vezes por danos
cerebrovasculares, anóxia encefálica, abstinência de álcool, uso abusivo de
drogas e tumores. Para minimizar o risco de um resultado adverso, o
tratamento deve ser iniciado tão logo quanto possível. Considerando que a
maioria das crises começa na comunidade, os medicamentos, tais como o
diazepam retal, devem ser transportados por técnicos de emergência
médica, administrados no ambiente comunitário, e o paciente transportado
urgentemente para o departamento de emergência mais próximo. No
ambiente hospitalar, um dispositivo das vias respiratórias deve ser
providenciado imediatamente e mantido em funcionamento. O estado
cardiorrespiratório e outras funções vitais devem ser avaliados, e fornecido
o suporte necessário. Devem ser retiradas amostras de sangue para análise,
e iniciada uma infusão de solução salina normal. O tratamento inicial no
hospital geralmente é com um benzodiazepínico, tal como o lorazepam,
administrado por via intravenosa. Se os benzodiazepínicos falharem no
término da crise, então a fenitoína ou o fenobarbital pode ser administrado.
Se as crises permanecerem sem controle, então podem ser necessárias a
anestesia geral e a ventilação artificial.
O estado epiléptico não convulsivo (EENC) refere-se à situação na qual
existem evidências no EEG de anormalidades epileptiformes que são
contínuas na ausência de manifestações clínicas motoras óbvias. O EENC
em pacientes com epilepsia ocorre com frequência no contexto da epilepsia
de ausência e crises focais, particularmente aquelas que surgem no lobo
temporal. Pacientes com confusão podem ter EENC, e pacientes colocados em uma unidade de terapia intensiva podem desenvolver também o EENC.
Considerando que o EENC pode agravar o prognóstico do distúrbio
subjacente, é recomendável o tratamento dessa condição. Todavia, existe
uma discussão a respeito da necessidade e eficácia da terapia agressiva com
agentes anestésicos. A epilepsia parcial contínua refere-se à situação na
qual existe uma atividade motora focal contínua que pode permanecer
durante meses a anos. A causa mais comum é a encefalite de Rasmussen.