Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Febre: Resposta Hipotalâmica à Inflamação Sistêmica

FIGURA 5-16

 

Febre: Resposta Hipotalâmica à Inflamação

 

Sistêmica

Durante infecções sistêmicas, existe uma “resposta de doença”

característica mediada pelo hipotálamo que inclui uma série de ajustes

adaptativos. Entre eles estão a sensação de mal-estar, dores e sonolência

(que reforça o resto); secreção aumentada de adrenocorticoesteroides (para

mobilizar energia adiposa armazenada); e anorexia (para manter o açúcar do

sangue baixo, pois vários micro-organismos preferem açúcar como

combustível, enquanto o corpo humano pode se adaptar usando gordura

armazenada como corpos cetônicos). Entretanto, o sintoma mais

proeminente da “resposta de doença” é a elevação da temperatura corpórea,

chamada de febre. Estudos experimentais demonstram que células sanguíneas brancas são mais ativas a 39 °C que em 37 °C, enquanto muitos

micro-organismos estão menos capazes de defender-se nesta temperatura.

Existem vários processos pelos quais organismos infecciosos podem

iniciar uma resposta à doença. Um é que ele pode atuar localmente nas

células brancas do sangue, que produzem hormônios circulantes chamados

citocinas. As citoninas podem ter ação direta em certos tipos de neurônios,

porém a maioria das “respostas de doença” é decorrente de citocinas (ou

outros componentes das próprias bactérias invasoras) induzindo as células

brancas do sangue e células endoteliais vasculares para produção de

prostaglandinas. O principal papel das prostaglandinas nas respostas às

doenças é demonstrado pelo fato da inibição de ciclo-oxigenase, enzima

que produz prostaglandinas, ser suficiente para prevenir a maioria dessas

respostas.

Prostaglandinas podem atuar em receptores nos nervos periféricos, mas

também podem atravessar a barreira sanguíneo-encéfalo e atuar diretamente

em neurônios encefálicos que expressam receptores de prostaglandinas. A

prostaglandina que é provavelmente a mais importante em provocar as

respostas às doenças é a prostaglandina E2 (PGE2), e existe uma série de

quatro diferentes receptores de prostaglandinas tipo E (EP receptores) que

são encontrados em diferentes classes celulares no sistema nervoso central

(SNC). Por exemplo, receptores EP3 no núcleo pré-óptico médio reconhece

PGE2 durante uma resposta inflamatória são essenciais para provocarem a

resposta febril. Ativação da secreção corticosteroide durante uma resposta à

doença requer receptores EP3 na região pré-óptica e no bulbo ventrolateral,

assim como receptores EP1, que podem estar no núcleo hipotalâmico

paraventricular ou no núcleo central da amígdala. Sensibilidade aumentada

da dor durante a febre deve-se provavelmente aos receptores EP3, porém a

localização exata desses receptores ainda não é conhecida.

FIGURA 5-17

 

A resposta febril durante a doença parece ser decorrente dos neurônios no

núcleo pré-óptico médio que retiram a inibição gabaérgica do ácido γ-

aminobutírico dos neurônios do núcleos hipotalâmicos paraventricular e

dorsomedial e na rafe bulbar que produz aumento da temperatura corporal.

Isso permite que a temperatura aumente em cerca de 2 ou 3 graus

centígrados. Febre na faixa de 39 °C a 40 °C é desconfortável, mas deve ser

uma resposta adaptativa para ajudar a lutar contra organismos invasores.

Alterações na capacidade cognitiva e no sono durante a resposta à doença

são pouco esclarecidas. Receptores EP1 e EP3 são encontrados em

neurônios hipotalâmicos pré-ópticos, que provocam o sono, e receptores

EP4 são encontrados em neurônios histaminérgicos no hipotálamo

posterior, que podem causar excitação. Entretanto, prostaglandinas também

são feitas pelas leptomeninges, e devem ter efeito direto nos neurônios

corticais. PGE2 também pode exacerbar a percepção de dores meníngeas e

vasculares (causando dores de cabeça, particularmente durante a tosse ou

esforço, que aumenta a pressão intracraniana).

Controle hipotalâmico do tecido linfoide na

 

resposta imune

Uma parte crítica no combate de qualquer infecção é a ativação de uma

resposta imune apropriada. Durante a resposta à doença, a prostaglandina

EP2 atua em neurônios no bulbo, amígdala e hipotálamo, que resulta no

aumento da secreção do hormônio liberador de corticotropina (CRH) na

circulação porta-hipofisária, secreção elevada de hormônio

adrenocorticotrópico (ACTH) pela glândula hipofisária e níveis elevados de

corticosteroides adrenais circulantes. O cortisol provoca a

desmarginalização das células brancas do sangue que são aderentes ao

endotélio dos vasos sanguíneos, elevando a contagem de células brancas.

Os linfócitos de uma variedade de tecidos também respondem diretamente

ao ACTH e a um número de outros hormônios circulantes.

Existe também uma inervação simpática direta dos tecidos linfoides. Esse

sinal, que também está sob controle hipotalâmico, pode controlar a

produção e tráfico de subtipos específicos de linfócitos.

 

FIGURA 5-18