Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Regulação da Temperatura

Indivíduos com lesões na região pré-óptica às vezes possuem inabilidade

em apresentar sede. Alguns desses indivíduos também possuem déficits na

secreção de vasopressina na resposta à desidratação. Esses pacientes devem

ser lembrados de beber, especialmente em dias quentes, a fim de evitar a

desidratação.

 

FIGURA 5-15

 

Regulação da Temperatura

Um dos papéis-chave do hipotálamo está na manutenção até da temperatura

corporal. Sendo necessário para o ótimo funcionamento dos neurônios,

enzimas metabólicas e ações do sistema imune. A região pré-óptica possui

neurônios que são especializados na termorrecepção. Eles estão localizados

na proximidade dos neurônios que detectam osmolaridade e controle de

fluidos, e equilíbrio eletrolítico, e alguns neurônios podem ter dois papéis

em ambos os sistemas (p. ex., em um dia quente é necessário conservar

fluidos para uso das glândulas sudoríparas para manter o resfriamento).

Alguns neurônios pré-ópticos são eles mesmos termorreceptores, porém

muitos também recebem sinais da pele, que os informa sobre a temperatura externa. Neurônios de resposta ao calor inibem uma série de grupos

celulares que aumentam a temperatura corporal, incluindo os núcleos

hipotalâmicos paraventricular e dorsomedial, e o núcleo da rafe no bulbo.

Esses últimos grupos celulares ativam o sistema nervoso simpático para

aumentar a temperatura corporal por duas vias principais. A primeira dessas

é a geração de calor, pela ativação de tecido adiposo marrom. Uma vez

acreditado estar presente somente em pequenos mamíferos, incluindo

neonatos humanos, estudos recentes demonstraram que até mesmo adultos

humanos possuem tecido adiposo marrom residual. O tecido marrom é

encontrado em pequenos fragmentos ao longo do dorso, e consistem de

células adiposas que contêm grande número de mitocôndrias e expressam

proteína desacopladora I. Essa proteína permite que a mitocôndria queime a

gordura para a produção de calor.

A outra principal via para aumentar a temperatura corpórea é pela

conservação de calor. Particularmente em grandes mamíferos, como seres

humanos adultos, o corpo produz calor suficiente a partir do seu

metabolismo interno, de modo que a temperatura do corpo possa ser

aumentada pelo simples desvio do fluxo sanguíneo para longe da pele, para

leitos vasculares mais profundos. Em animais com pelo, a piloereção, outra

resposta simpática, aumenta a espessura da cobertura de pelos, conservando

o calor. Seres humanos também têm piloereção, chamada de arrepio, porém

não é tão efetiva quanto a conservação de calor. Os mecanismos

termogênicos (adiposo marrom) e conservador de calor são coordenados

por neurônios bulbares da rafe, que ativam as duas vias.

Um terceiro mecanismo para geração de calor é pelo aumento da

atividade muscular ou tremores. Pouco é conhecido sobre essa via, mas

presume-se que neurônios hipotalâmicos ativam geradores motores padrão

que provocam o aumento da atividade muscular, que é termogênica. Os três

mecanismos necessitam de energia, assim o sistema de produção de calor

também ativa o sistema cardiovascular, para aumentar o débito cardíaco, e

sistema respiratório para manter a oxigenação sanguínea.

Hormônios da hipófise anterior não parecem atuar muito na regulação da

temperatura corporal por um período de minutos ou até horas, embora na

ausência de hormônios tireóideos, a temperatura corpórea cai. A

temperatura corpórea também aumenta (durante o ciclo de vigília e cai

(durante o ciclo de sono) diariamente, e isso ocorre tipicamente antes das manifestações de atividade motora ou descanso, e não sendo por uma

simples alteração na atividade muscular. Existem também mudanças na

temperatura corpórea durante o ciclo menstrual, que pode refletir o fato de a

região pré-óptica também estar envolvida na função reprodutiva.

Além da inibição da produção de calor e sistemas conservadores,

neurônios sensitivos de calor na região pré-óptica também aumentam o

fluxo sanguínea para a pele, assim como o suor, para permitir a perda de

calor e aumentar a secreção de vasopressina, que permite a conservação de

fluidos que são necessários para auxiliar o aumento da sudorese. A sudorese

é mediada por dois tipos de nervos simpáticos, um deles é o noradrenérgico

e o outro o colinérgico. A sinalização colinérgica simpática parece ser de

grande importância para a sudorese termor-regulatória, ao passo que os

axônios noradrenérgicos podem ser mais importantes para a sudorese

emocional.

A hipotermia paroxística é uma disfunção neurológica rara, vista

frequentemente em indivíduos que têm agenesia do corpo caloso (pela falha

no desenvolvimento apropriado da parede anterior do terceiro ventrículo)

ou por um tumor congênito ou outra lesão afetando a região pré-óptica.

Esses indivíduos possuem período de tempo de muitos dias nos quais sua

temperatura corporal cai para cerca de 30 °C, e entram em estado de

esturpor. Provavelmente isso representa uma resposta hipotalâmica atípica,

semelhante àquela vista nos estados de hibernação, porém existem poucos

pacientes com esta síndrome para serem estudados.