Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Deficiências Hormonais Graves da Hipófise Anterior (Pan-hipopituitarismo)
Deficiências Hormonais Graves da Hipófise
Anterior (Pan-hipopituitarismo)
Lesões de ocupação extensiva na sela ou hipotálamo podem levar a uma
perda completa da função hipofisária anterior. Em nota, o termo pan-
hipopituitarismo é indicativo de perda completa das funções dos lobos
anterior e posterior.
Macroadenoma hipofisário que, por definição, excede 10 mm em seu
maior diâmetro, pode causar múltiplas deficiências hormonais da hipófise
anterior, porém raramente causa diabetes insípido no pré-operatório. Em
contraste, grandes tumores suprasselares que atingem o hipotálamo, haste e
hipófise, incluindo craniofaringiomas, podem interromper as funções dos
lobos anterior e posterior. Da mesma forma, a cirurgia na hipófise ou
trauma pode levar ao pan-hipopituitarismo.
Deficiência de gonadotrofina leva à falha do desenvolvimento puberal, se
ocorrer antes da adolescência. Em nota, é improvável que um hábito
eunucoide se desenvolva em pacientes jovens com deficiência concorrente
do hormônio do crescimento. Em adultos de ambos os gêneros, deficiência
grave de gonadotrofina leva ao hipogonadismo central. A deficiência grave
de gonadotrofina por longos períodos leva à atrofia gonadal, incluindo a
diminuição do tamanho dos ovários em mulheres e testículos em homens.
Além disso, ocorre a diminuição do tamanho do útero, vagina e seios em
mulheres, incluindo o adelgaçamento do endométrio e atrofia epiteliais da
vagina. Em homens, há uma diminuição do tamanho do pênis e próstata.
Deficiência de tireotropina leva ao hipotireoidismo central. A glândula
tireoide torna-se atrófica, incluindo adelgaçamento do epitélio folicular.
Deficiência de corticotropina leva ao hipoadrenocorticismo central,
envolvendo a perda de secreção de cortisol e andrógeno adrenal. Porções do
córtex adrenal, incluindo as zonas fasciculada e reticular, tornam-se
atróficas nesses pacientes. Em contraste, a zona glomerulosa permanece
estruturalmente intacta, e a secreção de aldosterona não afetada. Esses
pacientes podem frequentemente apresentar palidez, ocorrendo como
resultado da anemia e diminuição da pigmentação da pele, resultado da
falha na ação da corticotropina nos melanócitos da pele.
Deficiência do hormônio do crescimento leva à diminuição da velocidade
do crescimento em crianças ou adolescentes, resultando em estatura baixa
se não tratada. Hipoglicemia pode ocorrer na infância e parece ser
consequência da deficiência do hormônio do crescimento e glicocorticoides.
Adultos com deficiência no hormônio do crescimento podem exibir baixa
capacidade física, composição corporal anormal (diminuição da massa
magra e aumento da massa de gordura), dislipidemia, resistência a insulina,
aumento do risco cardiovascular e baixa qualidade de vida. Deficiência de
prolactina leva à falha da lactação em mulheres e não possui efeitos visíveis
nos homens.
Insuficiência na secreção do hormônio antidiurético leva ao diabetes
insípido central. A presença da diabetes insípido significa dano extenso ao
hipotálamo ou haste. Em nota, a ruptura da haste hipofisária abaixo da sela
diafragmática é menos provável de provocar diabetes insípido que a lesão
na haste no nível da eminência mediana. Em casos onde a haste é
danificada distalmente, alguns axônios terminais secretores de hormônios
de antidiuréticos são poupados e podem secretar hormônio antidiurético
suficiente para prevenir o desenvolvimento de diabetes insípido central.
Também pode ser notado que o diabetes insípido central pode estar latente
clinicamente em pacientes com deficiência em corticotropina, pois os
glicocorticoides possuem um importante papel na diminuição do clearance
hídrico nos rins. Nesses pacientes, a reposição de glicocorticoides pode
acelerar as manifestações clínicas do diabetes insípido central. A falha na
secreção de ocitocina não leva a sintoma definidos ou déficits em seres
humanos.
Uma vez com a suspeita clínica, a presença de deficiências hormonais da
hipófise pode ser avaliada através de exame hormonal. Testes para níveis
sistêmicos de hormônios em glândulas-alvo (cortisol matinal, tiroxina livre
e testosterona) são de grande ajuda para o diagnóstico de hipopituitarismo.
No caso de alguns hormônios, incluindo o hormônio do crescimento e
cortisol, teste estimulado é usado para avaliar a reserva secretória. Teste da
privação de água é usado para diagnosticar diabetes insípido central.
Terapias de reposição estão disponíveis para todas as deficiências
hormonais hipofisárias, exceto prolactina e ocitocina. O hormônio da
glândula-alvo respectiva é administrado em pacientes com
hipoadrenocorticismo central (hidrocortisona ou prednisona) e hipotireoidismo central (levotiroxina). Reposição de esteroides sexuais
(testosterona em homens e estrógeno-progesterona em mulheres)
geralmente aconselhado se não houver contraindicações. Se a fertilidade é
de interesse imediato, terapia com gonadotrofina é recomendada em
pacientes de ambos os sexos. Reposição de hormônio do crescimento em
adultos está disponível nos Estados Unidos e em vários outros países e pode
melhorar a capacidade física, composição corporal, muitos fatores de risco
cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida. Desmopressina, um
análogo do hormônio antidiurético que é desprovido de atividade
vasopressora, é recomendado em pacientes com diabetes insípido central.
FIGURA 5-31