Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Hidrocefalia

FIGURA 1-15

 

Hidrocefalia A hidrocefalia resulta em aumento de tamanho dos ventrículos. A

hidrocefalia sintomática associada à pressão intracraniana elevada ocorre

com mais frequência em consequência de diminuição da absorção de LCR,

ou bloqueio do fluxo de saída através do sistema ventricular (Fig. 1-15). O

excesso na produção de LCR é bastante raro e geralmente se deve apenas a

papiloma, um tumor, do plexo coroide. O aumento dos espaços do LCR,

incluindo os ventrículos, que se deve à atrofia cerebral, ou encefalomalácia,

é denominado, hidrocefalia ex vacuo. A etiologia da hidrocefalia pode ser

multifatorial, e o curso clínico e tratamento podem mudar durante a vida.

A etiologia da hidrocefalia sintomática subdivide-se em obstrutiva e não

obstrutiva. A hidrocefalia obstrutiva se deve a bloqueio do fluxo de LCR

por malformação congênita, como a estenose do aqueduto ou o cisto

aracnóideo suprasselar, ou por condição adquirida, como um tumor

ventricular que obstrui o fluxo (Fig. 1-15). A hidrocefalia comunicante era

originalmente definida, antes das modalidades modernas de obtenção de

imagens, pela capacidade de recuperar o corante injetado dentro do

ventrículo lateral a partir do espaço tecal lombar. A hidrocefalia

comunicante, ou não obstrutiva, se deve à absorção prejudicada de LCR

através das granulações aracnóideas e ocorre, com mais frequência,

secundária à hemorragia intraventricular ou subaracnóidea, trauma,

meningite ou disseminação de tumor leptomeníngeo.

Quando ocorre hidrocefalia sintomática em bebês e crianças pequenas,

ocorre macrocefalia progressiva porque ainda não se deu a fusão das suturas

cranianas. A mensuração da circunferência da cabeça e a avaliação do

fechamento da fontanela e da sutura craniana são componentes rotineiros do

exame neurológico (Fig. 1-16). Outras causas de macrocefalia em bebês

são: hidrocefalia benigna externa e acúmulos de fluido extra-axial. A

hidrocefalia benigna externa ocorre normalmente no quadro de

macrocefalia familiar, é assintomática, exceto por uma circunferência da

cabeça excessivamente grande, e tem um padrão de imagens característico

dos acúmulos de fluido extra-axial frontais sem qualquer sugestão de efeito

de massa. O bebê apresenta um exame neurológico normal sem outros

sintomas ou sinais de pressão intracraniana elevada. Os acúmulos de fluido

extra-axial associados à pressão intracraniana aumentada têm outras

etiologias, incluindo meningite e hematomas subdurais decorrentes de

trauma cefálico abusivo e raros distúrbios metabólicos. A pressão intracraniana elevada em bebês, inclusive em decorrência de hidrocefalia

avançada ou de acúmulos de fluido extra-axial, em geral se caracteriza por

letargia, irritabilidade, ingestão oral precária, veias ingurgitadas do couro

cabeludo, uma fontanela “estufada” e desvio descendente dos olhos,

referido como “olhos de sol poente”.

Imagens de TC ou RM podem facilitar o diagnóstico e tratamento dos

pacientes com suspeita de hidrocefalia. Os pacientes com pressão

intracraniana elevada devido a hidrocefalia precisam obter imagens de TC

ou RM antes de qualquer intervenção que possa alterar a dinâmica do LCR,

como a punção lombar. As sequências atuais de RM podem sugerir pontos

de bloqueio ou demonstram fluxo através do aqueduto do mesencéfalo (de

Sylvius). A secção cerebral mostrada na ilustração indica que a

hidrocefalia, nesse caso, é provocada por obstrução de uma via de saída de

fluxo distal ao terceiro ventrículo ou é uma forma de hidrocefalia

comunicante, e neste caso o quarto ventrículo também se encontra dilatado.

A etiologia da hidrocefalia sintomática em crianças mais velhas e em

adultos divide-se similarmente em obstrutiva e não obstrutiva, e isso guia as

decisões de tratamento. Clinicamente, pacientes com hidrocefalia

sintomática em geral são letárgicos, com cefaleia, êmese e outras

características de pressão intracraniana elevada, incluindo papiledema e

paralisias do nervo craniano. A hipertensão intracraniana idiopática, ou

pseudotumor cerebral, caracteriza-se por elevada pressão intracraniana sem

ventriculomegalia. Os pacientes tipicamente apresentam cefaleia, perda

visual e diplopia, podendo necessitar de intervenção urgente para minimizar

a perda visual.

A hidrocefalia com pressão normal (HPN) é uma síndrome bem descrita

em adultos e que está associada a sinais e sintomas neurológicos sem

acentuada elevação da pressão intracraniana. Os sintomas iniciais são:

demência progressiva, distúrbios da marcha e incontinência urinária.

Imagens cerebrais mostram dilatação ventricular, e a condição deve ser

diferenciada da dilatação ventricular secundária à atrofia cerebral. Uma

punção lombar com retirada de grande volume pode ser diagnóstica,

embora outros clínicos prefiram usar o cisternograma com isótopos para

rastrear a circulação do LCR (imagens de cisternograma com

deslocamento). Em pacientes cuidadosamente selecionados com HPN, os sintomas melhoram ou se resolvem após inserção de derivação do LCR

(Fig. 1-16).