Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Cefaleias em Estruturas Contíguas

FIGURA 13-15

 

Cefaleias em Estruturas Contíguas Cefaleia sinusal

A maioria dos pacientes que apresentam “cefaleia sinusal” na verdade

tem enxaqueca. Este diagnóstico errôneo pode surgir com base na

localização da dor e pode ser ainda mais difícil se a enxaqueca do paciente

for desencadeada por alterações climáticas ou estiver associada a sintomas

parassimpáticos, como congestão nasal, lacrimejamento ou rinorreia.

Quando a inflamação dos seios for a fonte da cefaleia, ela quase sempre é

acompanhada por sensibilidade e dor facial, congestão nasal ou secreção

nasal. A inflamação dos seios é chamada de sinusite ou rinossinusite

quando as passagens nasais também são afetadas.

Os pacientes percebem dor no seio maxilar nas bochechas, gengivas e

dentes superiores. A dor no seio frontal tende a envolver a testa, enquanto a

sinusite etmoidal causa dor atrás ou entre os olhos. Sinusite esfenoidal é

caracterizada por dor em vários locais, incluindo áreas frontais, occipitais,

temporais ou no vértice.

Sintomas que durem menos de 7 dias tendem a apresentar origem viral.

Em contraste, a rinossinusite bacteriana aguda apresenta mais de 7 dias de

rinorreia purulenta, congestão nasal, dor/pressão facial ou dentária e tosse

associada, halitose e, se grave, febre (50% dos adultos). A sinusite fúngica

pode ser aguda ou crônica (durando mais de 12 semanas) e constitui uma

preocupação especial em pacientes imunocomprometidos. A rinossinusite

geralmente pode ser diagnosticada pela suspeita clínica. Contudo, o

diagnóstico de doença recorrente, crônica ou complicada depende de

tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) ou

visualização direta por endoscopia nasal. O tratamento envolve medicações

antibacterianas ou antifúngicas apropriadas.

A sinusite esfenoidal é uma infecção incomum que pode se manifestar

como cefaleia aguda ou subaguda associada a náuseas e vômitos. Pode

acompanhar uma pansinusite, mas quando isolada, pode não apresentar

sintomas nasais associados. Isso pode mimetizar muitas outras causas de

cefaleia, incluindo meningite asséptica, enxaqueca e neuralgia do trigêmeo.

Lacrimejamento excessivo, fotofobia e parestesias na distribuição do nervo

trigêmeo podem acompanhar a rinossinusite do esfenoide. Esta deve ser

considerada em pacientes com dor de cabeça grave, intratável, de início recente, que piora com tosse, posição curvada ou caminhadas, interfere com

o sono, exibe intensidade progressiva e não responde bem aos analgésicos.

 

Distúrbio temporomandibular

A dor da articulação temporomandibular (ATM), com sua musculatura e

ligamentos associados, pode ser referida na cabeça. O sintoma de

manifestação geralmente é dor na área pré-auricular, na ATM ou músculos

da mastigação, agravada pela função da mandíbula. Dor de ouvido

associada é comum. Os pacientes podem apresentar um ruído na ATM

(como um clique ou crepitação) ao movimento, travamento da abertura da

mandíbula ou movimento da mandíbula limitado ou assimétrico. O

diagnóstico é confirmado por tomografias da maxila e da mandíbula,

incluindo visões de posição aberta e fechada das ATMs bilaterais e uma

radiografia panorâmica para pesquisar patologia óssea. O tratamento inicial

é conservador, com aplicação oral ou uma placa de mordida e

possivelmente terapia física. Medicações, como anti-inflamatórios não

esteroides, relaxantes musculares e antidepressivos tricíclicos, também

podem ser tentadas. Raramente, a cirurgia é indicada para pacientes

clinicamente refratários.

 

Odontológica

A doença odontológica inflamatória pode causar dor intensa, pulsátil, pouco

localizada, unilateral, que em geral é provocada pela estimulação do dente

comprometido. Geralmente está associada a maior sensibilidade ao calor e

ao frio. Ocasionalmente, a infecção da polpa dentária ou da raiz apical pode

causar dor de tipo neurálgica na segunda e terceira divisões do trigêmeo,

que é difícil de distinguir clinicamente da neuralgia do trigêmeo. Por este

motivo, pacientes com neuralgia do trigêmeo podem ser submetidos a um

ou mais procedimentos dentários desnecessários antes que o diagnóstico

correto seja feito. Inversamente, é importante excluir uma doença

odontológica real antes de fazer um diagnóstico de neuralgia do trigêmeo.

 

Glaucoma O glaucoma agudo de ângulo fechado ocorre quando a drenagem normal do

humor aquoso é bloqueada, provocando um aumento súbito da pressão

intraocular. Isso cria dor ocular intensa às vezes associada a cefaleia

unilateral, náuseas/vômitos, injeção da conjuntiva e pupila a não reativa

com dilatação média. Os pacientes podem descrever borramento visual

intermitente e ao mesmo tempo “visualização de halos ao redor dos

objetos”. A cefaleia unilateral intensa pode mimetizar enxaqueca ou

cefaleia em salvas. Luz fraca e algumas medicações (p. ex.,

anticolinérgicos, simpatomiméticos) que resultam em dilatação pupilar

podem precipitar a dor. O glaucoma crônico de ângulo aberto, a forma mais

comum de glaucoma, não causa cefaleia.

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