Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I
Cefaleias em Estruturas Contíguas
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Cefaleias em Estruturas Contíguas Cefaleia sinusal
A maioria dos pacientes que apresentam “cefaleia sinusal” na verdade
tem enxaqueca. Este diagnóstico errôneo pode surgir com base na
localização da dor e pode ser ainda mais difícil se a enxaqueca do paciente
for desencadeada por alterações climáticas ou estiver associada a sintomas
parassimpáticos, como congestão nasal, lacrimejamento ou rinorreia.
Quando a inflamação dos seios for a fonte da cefaleia, ela quase sempre é
acompanhada por sensibilidade e dor facial, congestão nasal ou secreção
nasal. A inflamação dos seios é chamada de sinusite ou rinossinusite
quando as passagens nasais também são afetadas.
Os pacientes percebem dor no seio maxilar nas bochechas, gengivas e
dentes superiores. A dor no seio frontal tende a envolver a testa, enquanto a
sinusite etmoidal causa dor atrás ou entre os olhos. Sinusite esfenoidal é
caracterizada por dor em vários locais, incluindo áreas frontais, occipitais,
temporais ou no vértice.
Sintomas que durem menos de 7 dias tendem a apresentar origem viral.
Em contraste, a rinossinusite bacteriana aguda apresenta mais de 7 dias de
rinorreia purulenta, congestão nasal, dor/pressão facial ou dentária e tosse
associada, halitose e, se grave, febre (50% dos adultos). A sinusite fúngica
pode ser aguda ou crônica (durando mais de 12 semanas) e constitui uma
preocupação especial em pacientes imunocomprometidos. A rinossinusite
geralmente pode ser diagnosticada pela suspeita clínica. Contudo, o
diagnóstico de doença recorrente, crônica ou complicada depende de
tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) ou
visualização direta por endoscopia nasal. O tratamento envolve medicações
antibacterianas ou antifúngicas apropriadas.
A sinusite esfenoidal é uma infecção incomum que pode se manifestar
como cefaleia aguda ou subaguda associada a náuseas e vômitos. Pode
acompanhar uma pansinusite, mas quando isolada, pode não apresentar
sintomas nasais associados. Isso pode mimetizar muitas outras causas de
cefaleia, incluindo meningite asséptica, enxaqueca e neuralgia do trigêmeo.
Lacrimejamento excessivo, fotofobia e parestesias na distribuição do nervo
trigêmeo podem acompanhar a rinossinusite do esfenoide. Esta deve ser
considerada em pacientes com dor de cabeça grave, intratável, de início recente, que piora com tosse, posição curvada ou caminhadas, interfere com
o sono, exibe intensidade progressiva e não responde bem aos analgésicos.
Distúrbio temporomandibular
A dor da articulação temporomandibular (ATM), com sua musculatura e
ligamentos associados, pode ser referida na cabeça. O sintoma de
manifestação geralmente é dor na área pré-auricular, na ATM ou músculos
da mastigação, agravada pela função da mandíbula. Dor de ouvido
associada é comum. Os pacientes podem apresentar um ruído na ATM
(como um clique ou crepitação) ao movimento, travamento da abertura da
mandíbula ou movimento da mandíbula limitado ou assimétrico. O
diagnóstico é confirmado por tomografias da maxila e da mandíbula,
incluindo visões de posição aberta e fechada das ATMs bilaterais e uma
radiografia panorâmica para pesquisar patologia óssea. O tratamento inicial
é conservador, com aplicação oral ou uma placa de mordida e
possivelmente terapia física. Medicações, como anti-inflamatórios não
esteroides, relaxantes musculares e antidepressivos tricíclicos, também
podem ser tentadas. Raramente, a cirurgia é indicada para pacientes
clinicamente refratários.
Odontológica
A doença odontológica inflamatória pode causar dor intensa, pulsátil, pouco
localizada, unilateral, que em geral é provocada pela estimulação do dente
comprometido. Geralmente está associada a maior sensibilidade ao calor e
ao frio. Ocasionalmente, a infecção da polpa dentária ou da raiz apical pode
causar dor de tipo neurálgica na segunda e terceira divisões do trigêmeo,
que é difícil de distinguir clinicamente da neuralgia do trigêmeo. Por este
motivo, pacientes com neuralgia do trigêmeo podem ser submetidos a um
ou mais procedimentos dentários desnecessários antes que o diagnóstico
correto seja feito. Inversamente, é importante excluir uma doença
odontológica real antes de fazer um diagnóstico de neuralgia do trigêmeo.
Glaucoma O glaucoma agudo de ângulo fechado ocorre quando a drenagem normal do
humor aquoso é bloqueada, provocando um aumento súbito da pressão
intraocular. Isso cria dor ocular intensa às vezes associada a cefaleia
unilateral, náuseas/vômitos, injeção da conjuntiva e pupila a não reativa
com dilatação média. Os pacientes podem descrever borramento visual
intermitente e ao mesmo tempo “visualização de halos ao redor dos
objetos”. A cefaleia unilateral intensa pode mimetizar enxaqueca ou
cefaleia em salvas. Luz fraca e algumas medicações (p. ex.,
anticolinérgicos, simpatomiméticos) que resultam em dilatação pupilar
podem precipitar a dor. O glaucoma crônico de ângulo aberto, a forma mais
comum de glaucoma, não causa cefaleia.
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