Coleção Netter de Ilustrações Médicas, Volume 7: Sistema Nervoso, Cérebro Parte I

Panorama dos Grupos Celulares Hipotalâmicos

Panorama dos Grupos Celulares

 

Hipotalâmicos

O hipotálamo consiste de uma complexa coleção de grupos celulares. As

margens desses grupos celulares, muitas vezes não tão distintas como nas

ilustrações, porém os diferentes grupos celulares também são distintos

baseados em seus neurotransmissores, funções e conexões.

Em geral, o hipotálamo pode ser dividido em três níveis de núcleos.

Medialmente, ao longo da parede do terceiro ventrículo, está o núcleo

periventricular, aqui demonstrado em verde. Juntamente à base do núcleo

periventricular, está uma expansão ao longo da borda da eminência média,

conhecida como núcleo arqueado ou infundibular. A camada periventricular

contém muitos neurônios que liberam ou inibem a liberação de hormônios

(Fig. 5-6), e seus axônios terminam nos ganchos capilares dos vasos portais

hipofisários na eminência média. Muitos axônios do tronco encefálico

correm pela substância cinzenta periventricular, no fascículo longitudinal

posterior e para dentro da região periventricular do hipotálamo.

A próxima camada do núcleo às vezes é chamada de camada medial.

Esses núcleos geralmente estão envolvidos em conexões intrínsecas com o

hipotálamo, que permitem a integração entre várias funções. O mais rostral

do núcleo medial está na região pré-óptica medial (laranja), que fica junto a

parede do terceiro ventrículo quando ele começa. Ao longo da parede

anterior do terceiro ventrículo está o núcleo pré-óptico médio (não ilustrado

aqui). Esses dois grupos celulares estão envolvidos na integração dos

controles de temperatura corporal com o equilíbrio hídrico e de eletrólitos,

ciclos de sono-vigília e função reprodutiva.

A próxima região mais caudal é chamada de área hipotalâmica anterior

(roxo). Na base da área hipotalâmica anterior, logo acima do quiasma

óptico, está o núcleo supraquiasmático (Fig. 5-5). Essas estruturas estão

envolvidas na regulação dos ritmos circardianos. O núcleo

supraquiasmático é o principal relógio biológico do corpo, e ele define o

tempo dos ritmos do sono, alimentação, temperatura corporal e reprodução.

Essas funções são controladas por eferências da porção hipotalâmica

anterior, região entre o núcleo supraquiasmático e o núcleo paraventricular

(azul), chamada de zona subparaventricular.

Os núcleos supraóptico e paraventricular também estão nesse nível

anterior na camada medial. Os dois núcleos contêm grande número de

neurônios de ocitocina e vasopressina, seus axônios viajam pela haste

hipofisária no trato túbero-hipofisário, até a glândula hipofisária posterior,

onde eles liberam seus hormônios na circulação. O núcleo paraventricular

também possui neurônios que fazem a liberação de hormônios

(especialmente hormônios liberadores de corticotróficos) e projeta para a

eminência mediana. Uma terceira população de neurônios no núcleo

paraventricular envia axônios para o feixe do prosencéfalo medial no

hipotálamo lateral até o tronco encefálico e medula espinal, para controle

dos dois sistemas nervosos, simpático e parassimpático. Muitos desses

neurônios usam tanto a ocitocina quanto a vasopressina como um

neurotransmissor central no seu caminho autonômico, porém eles estão em

conjuntos completamente separados daqueles que enviam axônios à

glândula hipofisária posterior.

FIGURA 5-5

 

Caudal a área hipotalâmica anterior, no nível tuberal do hipotálamo, a

camada medial contém três grupos celulares. O núcleo ventromedial (bronze) fica logo acima da eminência média e está envolvido

principalmente na alimentação, agressão e comportamento sexual. O núcleo

dorsomedial (amarelo), que está logo abaixo, tem amplas saídas para muitas

partes restantes do hipotálamo. A zona supraventricular envia saídas

circadianas para ambos os núcleos dorsomedial e ventromedial, e o núcleo

dorsomedial usa esse sinal para organizar ciclos circadianos de sono-vigília,

secreção corticosteroide, alimentação e outros comportamentos. A região

hipotalâmica dorsal, abaixo do núcleo dorsomedial, possui neurônios que

estão envolvidos na regulação da temperatura corpórea.

Na parte mais posterior do hipotálamo, os corpos mamilares formam um

par proeminente de protuberâncias ao longo da base do encefálico. Apesar

do contorno bem definido, conexões extremamente mielinizadas, a função

do núcleo mamilar permanece um mistério. Eles recebem a maior parte da

eferência do tronco encefálico pelo pedúnculo mamilar e um grande feixe

de eferentes, da formação hipocampal através do fórnix. O grande feixe de

fibras que emerge do corpo mamilar divide-se em trato mamilotegmental

para o tronco encefálico, e trato mamilotalâmico para o núcleo talâmico

anterior. Neurônios no corpo mamilar parecem estar envolvidos com a

posição da cabeça no espaço, e podem estar relacionados com circuitos

hipocampais que lembram a posição dos objetos no espaço (assim

chamadas de “células de lugar”). Entretanto, lesões nos corpos mamilares

em primatas têm efeito relativamente súbito na memória.

A camada lateral do hipotálamo inclui as áreas pré-óptica lateral e

hipotalâmica lateral. Essas regiões são atravessadas pelo fascículo medial,

que conecta o tronco encefálico com o hipotálamo. Muitos neurônios na

região hipotalâmica lateral se projetam através do feixe prosencefálico

medial, tanto ao prosencéfalo basal ou córtex encefálico, ou ao tronco

encefálico ou medula espinal. Entre esses estão os neurônios que contêm

peptídeos orexígenos ou hormônio concentrador de melanina (MCH). Esses

neurônios estão envolvidos na regulação dos ciclos de despertar-dormir

assim como metabolismo, alimentação e outros tipos de comportamentos

motivacionais. Perda de neurônios de orexina provoca o distúrbio

conhecido como narcolepsia (Fig. 5-22).

No nível hipotalâmico posterior, há também um grupo de neurônios

histaminérgicos chamado de núcleo tuberomamilar, no hipotálamo lateral

adjacente ao corpo mamilar. Esses neurônios participam na regulação da insônia e temperatura corporal, e possuem projeções do córtex encefálico a

medula espinal. A região hipotalâmica posterior fica abaixo do corpo

mamilar. Em seres humanos, muitas orexinas, MCH e neurônios

histaminérgicos são encontrados nessa região.

FIGURA 5-6